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Justiça e Paz

Rede contra o tráfico de pessoas

No seguimento dos compromissos assumidos pelos participantes no X Encontro de Agentes Sócio-Pastorais das Migrações foi constituída uma equipa de trabalho, formada por representantes de instituições que trabalham neste campo. Teve a sua primeira reunião com a presença de Fr. Francisco Sales Dinis (OCPM), Dr. José Cordeiro (Caritas), Dra. Fernanda Reis (Pastoral dos Ciganos), Ir. Júlia Barroso e Ir. Maria Julieta Dias (CAVITP).

Esta equipa foi contactada pela Embaixada dos Estados Unidos para um encontro com a Sra. Jennifer Donnelly do Departamento para a Monitorização e Combate ao Tráfico de Pessoas, vinda a Portugal para contactos com entidades governamentais bem como com ONGs ligadas ao combate ao tráfico de pessoas. A reunião teve lugar no Hotel Marriott, no dia 1 de Fevereiro, tendo participado o Director da OCPM e representantes da Caritas, da Pastoral dos Ciganos, da CJP-CIRP, e da CAVITP. Essa oficial informou do sentido da reunião, com vista a colher elementos para o relatório que o Governo vem apresentado nos últimos anos sobre uma questão que vai sendo assumida como prioritária entre o mundo civilizado.

Fonte: Comissão de Justiça e Paz

Solidariedade da vergonha

Dinheiro para armas que matam vidas, há em abundância; mas para matar a fome, não há.

 

No momento em que escrevo decorre em Roma a Cimeira Mundial sobre a Segurança Alimentar, que abordará três dos principais desafios deste século, intimamente interligados: a segurança alimentar, a biodiversidade e as alterações climáticas. Há cerca de dez anos, todos os países se comprometeram, na ONU, com a aprovação e aplicação, com prazos bem definidos, dos Objectivos do Milénio. O primeiro deles é (era) «erradicar a pobreza extrema e a fome», a concretizar através de duas metas: «1. Reduzir para metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 dólar por dia; 2. Reduzir para metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas que sofrem de fome». Este objectivo está a ser escandalosamente ignorado. Mais de mil milhões de pessoas continuam a não ver estas duas metas satisfeitas. A principal causa é a falta de vontade política dos governantes e dos governados, sobretudo dos países desenvolvidos.

Nesta cimeira, poucos líderes mundiais estiveram presentes: alguns do G20 e apenas um do G8, certamente porque era o anfitrião. Bento XVI quis estar presente para chamar a atenção para este gravíssimo problema, para recordar que «a fome é o sinal mais cruel e concreto da pobreza. Não é possível continuar a aceitar a opulência e o desperdício, quando o drama da fome adquire cada vez maiores dimensões.» Foi lá para interpelar solenemente os governantes e, no fundo, cada um de nós: «O que pode orientar a atenção e a consequente conduta dos Estados a respeito das necessidades dos últimos? A resposta não se encontra na linha de acção da cooperação, mas nos princípios que têm de inspirá-la: só em nome da comum pertença à família humana universal se pode pedir a cada Povo, e portanto a cada País, que seja solidário, isto é, esteja disposto a assumir responsabilidades concretas perante as necessidades dos outros, para favorecer uma verdadeira partilha fundada no amor».

É certo que na última cimeira em Itália, o G8 comprometeu-se a doar 20 mil milhões de dólares ao longo de três anos para a segurança alimentar «na urgência e escala necessárias». Bonitas palavras. Mas terão alguma eficácia, isto é, algum deles estava com disposição de as cumprir? E se estava, porque não começou já a fazê-lo, pois como disse Ban Ki-moon, «só hoje vão morrer de fome 17 mil crianças». As intenções dos governantes para ajudar são certamente as mesmas com que hipocritamente assumiram os objectivos do milénio. Dinheiro para armas e para alimentar guerras, que matam vidas, há em abundância, mas para matar a fome não há. Como não há para outros projectos fundamentais para os países pobres. Por exemplo, há alguns anos os países do Norte e Centro de África aprovaram a criação da «Grande Muralha Verde» para fazer frente à crescente desertificação do Sara: plantar milhões de árvores numa faixa de 15 km de largura num comprimento de 7 mil quilómetros, da Mauritânia até Jibuti. Quem ajuda, já que são muitas as árvores necessárias, muito o esforço para as plantar, muita a água para as regar, muita a gente para cuidar delas? O projecto já começou, mas haverá financiamento suficiente?

Não vale a pena acusarmos apenas os governantes. Que pressão fazemos nós para que eles coloquem estes problemas na agenda das prioridades? Como cidadãos, preocupamo-nos alguma coisa com os outros? É que todos nós somos tão vergonhosamente egoístas como os nossos governantes.

Bento XVI apresenta-nos uma solução, a da solidariedade autêntica e sincera: «A humanidade aparece, hoje, muito mais interactiva do que no passado: esta maior proximidade deve transformar-se em verdadeira comunhão. O desenvolvimento dos povos depende sobretudo do reconhecimento que são uma só família, a qual colabora em verdadeira comunhão e é formada por sujeitos que não se limitam a viver uns ao lado dos outros." (CV53).

JOSÉ DIAS DA SILVA,

 Fonte: Além Mar

Brasil: «Grito dos excluídos» marca feriado nacional

7 de Setembro de 2009

Acontece hoje, 7 de Setembro, o «15º Grito dos Excluídos», manifestação popular por um Brasil mais justo. Evento ocorre propositadamente no feriado nacional do «Dia da Independência» do país.

 

De acordo com os organizadores, centenas de organizações civis, movimentos sociais, entidades, cidadãos e cidadãs, levarão para as ruas de diversas cidades brasileiras suas demandas, motivadas pelo desejo profundo por um Brasil melhor e mais justo.

 

O tema para este ano é «Vida em primeiro lugar: A força da transformação está na organização popular».

 

Tradicionalmente por ocasião do «Grito», a «Conferência Nacional dos Bispos do Brasil» (CNBB), divulga uma mensagem de apoio e a convocar os fiéis católicos para participarem do movimento.

 

De acordo com carta assinada pelo «Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz», Dom Pedro Luiz Stringhini, o Grito objectiva lutar contra as formas de exclusão e as causas que levam o povo a viver em condições de vida precárias e, muitas vezes, sem perspectiva de futuro; denunciar a política económica que privilegia o capital financeiro em detrimento dos direitos sociais básicos; construir alternativas que tragam esperança aos excluídos e perspectivas de vida para as comunidades locais; promover a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de género, raça e etnia; multiplicar assembleias populares para discutir a organização social a partir do Município, fortalecendo o poder popular.

 

«Diante de situações de exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para todo o ser humano. O compromisso com esta causa nos compromete no esforço de superação da exclusão em nosso país, participando da construção de uma sociedade justa e solidária», acrescenta a mensagem da CNBB.

 

(RONNY MARINOTNO)

HOMEM DE ESPERANÇA

CARDEAL NGUYEN VAN THUAN

 

Detido e encarcerado logo após a ascensão do regime comunista ao poder no Vietname do Sul, o bispo Van Thuan viveu os seus 13 anos de cativeiro sob o signo da esperança.

 

Estamos em 1975, a Guerra do Vietname está a chegar ao fim. O bispo Francisco Nguyen Van Thuan é nomeado bispo coadjutor de Saigão, capital do Vietname do Sul, pouco antes de aquela cidade ficar sob controlo dos guerrilheiros comunistas do Norte. As novas autoridades proíbem-no de tomar posse, sob pretexto de que a sua nomeação era uma conspiração entre o Vaticano e os países ocidentais para derrubar o regime comunista. Passado pouco tempo, é detido e preso. Contudo, as razões verdadeiras da sua detenção prendem-se com o facto de ele ser uma pessoa de fé e de entre os seus antepassados contar um tio que havia sido presidente e assassinado em 1963.

 

Enquanto o levavam para a prisão, tomou a decisão de não cruzar os braços, de não se resignar, mas de viver cada momento enchendo-o de amor. E foi exactamente isso que fez nos 13 anos que passou nas prisões do Vietname, 9 dos quais em total isolamento. Descreveu este período como «uma tortura mental, no limite da loucura», em que tinha que caminhar de manhã à noite para aguentar as dores da artrose. 

 

Da prisão escreveu uma carta aos seus amigos pedindo-lhes um pouco de vinho para os seus males de estômago. Eles entenderam tratar-se de um código para vinho da missa, e logo lhe enviaram uma pequena garrafa com o rótulo: "Vinho para curar as dores de estômago". Com três gotas desse vinho, uma gota de água, pequeninas hóstias e a palma da sua mão a servir de cálice, celebrava a eucaristia todos os dias, juntamente com alguns católicos, às escondidas. Guardava o que sobrava das hóstias consagradas, embrulhadas em papel de cigarro dentro do bolso, e todos os dias de madrugada fazia adoração. A eucaristia foi para ele e outros presos a «única força, a única esperança... Na tua cela nunca estás só. O Senhor ajuda a transformar a dor em amor», escreveu ele.

 

Amigo dos guardas

 

Para sobreviver à solidão, conversava com os guardas da prisão que, no início, se mostravam desconfiados. Com o seu carácter afável e amistoso, conseguiu gradualmente despertar o seu interesse, falando com eles sobre vários temas e ensinando-lhes inglês e francês. Tornou-se seu amigo. Admiravam-se porque os chamava de amigos, eles que eram os seus algozes, mas ele respondia que os amava porque Jesus ensinou que amássemos os inimigos.

 

Um dia, enquanto partia lenha, pediu licença a um dos guardas para fazer um crucifixo de madeira, o que o guarda aceitou. Mais tarde, noutra prisão, pediu a um guarda prisional um arame para fazer uma corrente para pendurar o crucifixo ao pescoço. Guardaria o crucifixo num pedaço de sabão durante anos e, já em liberdade, usaria este crucifixo como a sua cruz de bispo e cardeal.

 

Como não podia ter a Bíblia na prisão, escreveu mais de 300 citações do Evangelho que sabia de cor, em pedaços de papel. Escreveu ainda mais de 1000 exortações ao seu povo, que fugia do país em barcos, incutindo-lhes coragem e força para os momentos dramáticos da fuga. Conseguiu passar essas exortações para fora da prisão, clandestinamente, através de uma criança que depois as copiava no seu caderno escolar. O caderno foi levado para fora do país pelos refugiados e viria a ser publicado em livro com o título «A estrada da esperança» em oito línguas.

 

Em 1980, já em prisão domiciliária e na calada da noite, em segredo, consegue escrever o seu segundo livro: «O caminho da esperança à luz da Palavra de Deus e do Concilio Vaticano II». Durante esse tempo, escreveu ainda um terceiro livro, intitulado «Os peregrinos do caminho da esperança».

 

 

Nascido a 7 de Abril de 1928, Van Thuan descendia de uma família profundamente cristã. Entre os seus antepassados contam-se alguns mártires, muitos deles perseguidos nos anos de 1698 e 1885. A sua mãe, que morreu com 100 anos na Austrália, costumava ler-lhe histórias da Bíblia e contar-lhe testemunhos dos seus familiares mártires.

 

Prega retiro ao papa

 

É ordenado sacerdote em 1953 e logo depois vai para Roma, onde se forma em Direito Canónico. Regressado de Roma, dedica-se à formação de futuros sacerdotes como reitor e professor do seminário. Em 1967, é nomeado bispo de Nhatrang, no Centro do Vietname, exercendo uma intensa actividade pastoral, com os leigos e os jovens, os quais incentiva a ter um papel activo nos conselhos pastorais paroquiais. Além disso, construiu escolas e fez aumentar o número de seminaristas.

 

Posto em liberdade em 1988, no entanto, as autoridades proíbem-no de assumir funções como bispo auxiliar de Hanói, permanecendo em prisão domiciliária na residência episcopal de Hanói. Em 1991, tem de abandonar o seu país após ter recebido ameaças de morte de um membro do Governo.

 

Em Roma é recebido pelo Papa João Paulo II, que o nomeia vice-presidente e depois presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz em 1998. Em 2000, prega o retiro quaresmal ao papa e seus colaboradores da Cúria romana. As meditações foram reunidas em livro, «Testemunhas da esperança», onde partilha a sua experiência de prisão, sem acusações e rancor, testemunhando apenas a esperança que o animou ao longo do seu cativeiro. Durante o retiro, o cardeal sublinhou a necessidade do amor ao próximo com a seguinte história: «Um dia, na prisão, o guarda perguntou-me: "Tu amas-nos?", ao que eu respondi: "Sim, eu amo-vos". "Mas isso é impossível, nós temos-te aqui na prisão, sem julgamento, e tu amas-nos? Não é verdade". "Mesmo que vocês me quisessem matar, eu amar-vos-ia na mesma". "Mas porquê?" "Porque Jesus ensinou-me a amar a todos, mesmo os meus inimigos. Se eu não amo, não mereço mais chamar-me cristão", explicou. O guarda respondeu: "Isso é muito belo, mas difícil de compreender".»

 

Segredo do cardeal

Morre em 2002, aos 74 anos, vítima de cancro. Durante a sua longa doença manteve a serenidade e alegria. Nos últimos dias, quando já não podia falar, olhava para o crucifixo à sua frente, rezando sozinho.

O segredo do cardeal Van Thuan foi a sua confiança em Deus, alimentada pela oração e sofrimento, que aceitava com amor. A eucaristia transformou a prisão numa igreja. O corpo de Cristo era o seu «medicamento». Costumava contar emocionado: «Cada vez que celebrava a eucaristia, estendia os braços e pregava-me na cruz com Jesus, para beber com Ele o cálice amargo. Todos os dias, ao recitar as palavras da consagração, confirmava com todo o meu coração e alma um novo pacto, um pacto eterno entre Jesus e eu, através do seu sangue misturado com o meu.»

 

Pe. António Carlos Simões

 

 

 

Mil milhões de pessoas com fome em 2009

O número foi revelado por Jacques Diouf, director geral da FAO, agência da ONU para a alimentação e a agricultura. São 100 milhões de pessoas a mais desde o último relatório da FAO.

A crise financeira e a crise alimentar iniciada em 2006 estão entre os factores que motivaram o aumento de pessoas famintas em todo o mundo. É de salientar que o aumento mais significativo regista-se nos países desenvolvidos, seguido da América Latina e África.

 

O aumento da fome no mundo não é consequência de colheitas pouco satisfatórias, mas da crise financeira e económica mundial que reduziu os lucros, aumentou o desemprego e reduziu as possibilidades de acesso dos pobres aos alimentos.

Diouf acentuou que o problema da fome no mundo hoje não tem a ver com a falta de meios, tecnologias ou programas. «Os líderes mundiais, disse, deveriam pôr a luta contra a fome em primeiro lugar na agenda internacional, para pôr em marcha programas que permitam assegurar o direito fundamental, o da alimentação, a toda população mundial...». O director da FAO afirmou que a crise alimentar é um sério risco para a paz e a segurança.

 

Fonte:Zenit

 

Justiça e Paz e Integridade

 

A Justiça e Paz e Integridade da Criação é parte integrante da missão da Igreja. A partir do Capitulo de 1985 ela tornou-se uma prioridade no Instituto dos Missionários Combonianos. É uma dimensão presente em todos os sectores do serviço missionário e diz respeito a todos os missionários.

 

A JPIC é dinamizada por um coordenador, que actualmente é o Pe. Antonio Carlos Simões, para os Combonianos em Portugal. As suas funções principais são:

 

- Animar as comunidades combonianas a intensificarem a sua acção nas iniciativas da JPIC;

 

- Representar a província portuguesa dos Combonianos, neste sector, nas acções a nível da Igreja Portuguesa (como a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Antena África- Europa Justiça e Fé, a Comissão Justiça e Paz dos Institutos Religiosos), e da sociedade civil (como a Amnistia Internacional, ONGs) e colaborar com elas;

 

- Organizar e dinamizar campanhas significativas, a nível Comboniano ou associando-se a outras instituições

 

O actual coordenador é membro da direcção da Antena África-Europa Justiça e Fé desde Outubro de 2007 e da Comissão Justiça e Paz dos Institutos Religiosos desde Março de 2009. Enquanto membro da Antena, tem participado nas reuniões e campanhas promovidas pela Antena. Ao mesmo tempo, tenta envolver as comunidades combonianas nessas campanhas através do envio da respectiva informação, convidando-as participar. Ultimamente representou a província portuguesa dos Combonianos no Fórum Social Mundial e Fórum Social Comboniano que ocorreu em Belém, no Brasil, de 27 de Janeiro a 3 de Fevereiro.

 

Contacto:

Pe. Antonio Carlos Simões

Missionários Combonianos

Calçada Eng. Miguel Pais, 9

1249 – 120 Lisboa

Portugal

Tel.: 968979146

Correio electrónico: antcaralem@gmail.com