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Actualidades

Superior Geral dos Missionários Combonianos de visita a Portugal

 

O Pe Enrique Sánchez González, Superior Geral dos Missionários Combonnianos do Coração de Jesus, está de visita à Província Portuguesa dos Missionários Combonianos, de 3 a 16 de Julho.

 

O programa da visita contempla a orientação do retiro anual aos missionários combonianos portugueses, que terá lugar de 4 a 10 de Julho no Centro Diocesano de Espiritualidade do Turcifal, do Patriarcado de Lisboa.

 

De 10 a 16 de Julho, o Superior Geral fará a visita às comunidades combonianas. Os missionários combonianos estão presentes no nosso país desde 1947 e contam com seis comunidades: Lisboa, Santarém, Coimbra, Viseu, Maia e Vila Nova de Famalicão. Actualmente, são quarenta e dois os missionários combonianos que servem o Evangelho e a Igreja em Portugal, dedicando-se à animação missionária das comunidades cristãs, particularmente dos jovens, e ao fomento e formação das vocações missionárias. Em Lisboa, editam e publicam as revistas Além-Mar e Audácia.

 

Os missionários combonianos são uma congregação missionária internacional, fundada em Verona (Itália) por São Daniel Comboni, que conta com 1687 membros, a trabalhar na Europa, África, Américas e Ásia. Os missionários combonianos portugueses são 93, dos quais 51 em missão fora de Portugal e 42 a trabalhar no nosso país.

 

O Pe Enrique Sánchez é natural do México, onde nasceu em Guadalajara a 27 de Janeiro de 1958. Feita a formação comboniana no México e em Paris, foi missionário na República Democrática do Congo. Desempenhou também o cargo de Superior Provincial dos Combonianos no México e na Costa Rica. É o primeiro latino-americano a guiar o Instituto dos Missionários Combonianos: foi eleito Superior Geral no XVII Capítulo Geral do Instituto, em Roma, a 21 de Outubro de 2009.

 

Bodas de Ouro de Irmão Missionário

 

 

O Irmão António Martins da Costa, natural de Cepões, Viseu, completa este ano 50 anos de vida missionária e religiosa no Instituto dos Missionários Combonianos.

 

O mais veterano dos Combonianos portugueses, o Ir. António Martins conheceu o Instituto Comboniano logo após a sua chegada a Viseu, em 1947. Em 1952, foi enviado para Itália, onde fez o Noviciado. De lá, voltou a Portugal para trabalhar no seminário de Viseu, e em 1960 fez os votos perpétuos.

 

Em 1962, o Ir. António das Barbas, assim conhecido pelas suas longas barbas brancas, foi enviado para Moçambique, com destino a Nampula. Durante sete anos colaborou na fundação de vários centros missionários, período após o qual regressou a Portugal por dois anos, para recobrar forças. Em 1970, já estava de regresso a Moçambique, onde ficou até 1976, altura em que foi chamado para dar a sua colaboração na formação de jovens noviços combonianos, em Santarém.

 

Em 1984, foi enviado para as missões do Nordeste do Brasil, onde permaneceu até ao ano passado. As suas longas barbas tornaram-se mais brancas do que a neve, testemunhando as suas 83 primaveras e os seus muitos trabalhos, canseiras e sofrimentos suportados, com alegria, pelo Reino.

 

Os Missionários Combonianos agradecem a Deus pela pessoa serena, alegre, serviçal e amiga, moldada pelo espírito do Coração de Cristo que sempre foi o Ir. António Martins.

Bispos querem dioceses missionárias


As dioceses portuguesas devem criar um Centro Missionário para que em todas as áreas da pastoral da Igreja a "missão universal" esteja presente. Nos centros devem trabalhar "as forças missionárias a operar na Diocese, integrando sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos", expressa a Carta Pastoral «Para um Rosto Missionário da Igreja em Portugal», recentemente aprovada pelos bispos portugueses.

 

 "Devem surgir Grupos Missionários Paroquiais, laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização que trabalhem com os Obras Missionárias Pontifícias e os Centros de animação missionária dos Institutos Missionários", expressa ainda a Carta Pastoral.

 

A Carta Pastoral «Para um Rosto Missionário da Igreja em Portugal» resulta do Congresso Missionário Nacional, realizado em Setembro de 2008 que, reflectiu a necessidade da "elaboração de um documento-base" que animasse e orientasse a missão em Portugal.

 

Recordando palavras que Bento XVI dirigiu aos Bispos portugueses em Fátima, a Carta Pastoral afirma que são os "Pastores", enquanto pessoas que "não ocupam apenas um cargo", que devem "velar" pelo contínuo suscitar de "novos movimentos, novas formas eclesiais, novos métodos e novos rumos" que, sob acção do "Espírito Santo", "quantas vezes surpreende e põe em causa a excessiva confiança que pusemos nas nossas estruturas e programações, distribuição de poderes e funções". "Já não é suficiente reformar estruturas. É necessário converter a nossa vida". O palco privilegiado de missão é a Igreja local, que deve "co-responsabilizar todos os seus membros" e não delegar esta missão apenas em alguns.

Leigos Combonianos estudam a ´CARITAS IN VERITATE´

 

 

Realizou-se um seminário sobre a "Caritas in Veritate" e a missão dos leigos combonianos, numa iniciativa dos quatro institutos que compõe a Família Comboniana (combonianos, combonianas, seculares e leigos) de 18 a 20 de Junho em Coimbra.

 

Participaram cerca de 40 leigos/as ligados à Família Comboniana oriundos de vários pontos do país. A professora Joana Rigato fez uma apresentação bastante esclarecedora sobre a encíclica de Bento XVI, indicando o "humanismo transcendente" como a chave de leitura do documento. Por seu lado, o comboniano, Pe. Joaquim Valente, estabeleceu um paralelo entre os ensinamentos da "Caritas in Veritate" e a "utopia missionária" de Daniel Comboni contida no seu "Plano".

 

Os participantes sugeriram âmbitos em que os leigos combonianos poderão dar o seu contributo, nomeadamente nas áreas da exclusão social e pobreza, ressalvando o facto de que o empenho no campo social requer formação espiritual e doutrinal.  

Assembleia da formação e promoção vocacional

 

 

A assembleia anual da Formação e da Promoção Vocacional Juvenil decorreu na nossa comunidade de Viseu, de 7 a 9 de Junho. Definiu algumas linhas de acção para dinamizar e levar a nossa Província a reflectir e trabalhar na próxima Assembleia Provincial Anual, que vai decorrer no próximo mês de Setembro. Nessa assembleia vão surgir as propostas e pistas de actuação que farão parte do plano de trabalho para os próximos seis anos em Portugal.

Estiveram presentes os 7 combonianos que trabalham neste sector juntamente com o Provincial, Padre Alberto Silva e mais 2 missionários combonianos convidados, o Secretário da animação missionária e o responsável dos Leigos Missionários Combonianso.

Damos conta, que o vasto trabalho realizado, não reflecte os resultados que desejaríamos. Diante disso, não podemos ficar de braços cruzados, mas temos que inovar e estar interessados na procura de novos caminhos de animação e promoção das vocações e na inserção da igreja local. Devemos estar com os jovens, compreendê-los e aceitá-los como são e fazer deles os protagonistas da nossa acção. Os nossos Documentos Capitulares dão-nos o mote que devemos seguir e aponto a necessidade de renovação, a nível da mística e metodologia. Para conseguir isto, há que preparar pessoas, ter visão mais ampla, assumir um carácter profético e dar testemunho pessoal e comunitário.

 

Ir. José Neto

Armas ligeiras e violência

 

A proliferação de armas ligeiras gera um clima social insustentável, em que os cidadãos vivem dominados pelo medo, ansiedade e desconfiança. As pessoas temem movimentar-se e relacionar-se por medo da violência armada. 

 

Foi esta a experiência que o P. Leonel Claro, missionário comboniano, partilhou numa conferência sobre armas ligeiras, integrada na semana social de acção contra a violência das armas (10 a 16 de Maio), promovida pela organização Pro Dignitate, no dia 21 de Maio.

 

Aquele missionário, trabalhou no Chade, país do centro-norte de África, na fronteira com o Darfur, durante 10 anos. Naquela região, as armas ligeiras circulavam facilmente e podiam-se adquirir ao preço de 15 dólares. Quem tinha uma arma, sentia-se detentor de autoridade e poder e era temido pelas pessoas. O P. Leonel contou como um dia, ele próprio, teve uma arma apontada à barriga.

 

Durante a conferência foi lida uma mensagem do Eng. António Guterres, Alto - Comissário para os Refugiados, na qual destacou que a proliferação de armas ligeiras é um flagelo a combater. Em certas zonas de conflitos armados, como no Chade, Darfur e República Centro Africana, faltam medicamentos e alimentos, mas não faltam armas, que se podem comprar a preços irrisórios, referiu na mensagem.

 

No painel sobre "O Problema das Armas Ligeiras, Hoje", Fernando Oliveira, presidente do Observatório Permanente sobre a Produção, o Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras (Comissão Nacional Justiça e Paz), disse que desde 2008 há um código de conduta sobre a exportação de armas que obriga os países signatários a respeitar determinadas condições de venda de armas, como o respeito dos direitos humanos nos países destinatários.

 

O Secretário de Estado da Justiça, João Correia, também interveio realçando o facto de que o trabalho do Ministério da Justiça se situa no âmbito da prevenção como meio de combate ao tráfico de armas, daí que ultimamente se tenham assistido a muitas apreensões de armas de fogo. Referiu ainda o aumento da criminalidade violenta com uso de armas, mas paradoxalmente, regista-se uma diminuição na gravidade desses crimes, resultando em menos homicídios.

Novos desafios

 

Kanyanga é a nova missão confiada aos Missionários Combonianos na Zâmbia. Fica situada no vale do Rio Luangwa, numa zona remota do país, a cerca de 820 km de Lusaka, habitada por gente extremamente pobre. O trabalho missionário aí desenvolvido é essencialmente de primeira evangelização e desenvolvimento social. Esta missão fora iniciada pelos Padres Brancos em 1954, mas posteriormente abandonada, durante muitos anos, por falta de pessoal. A sua gente em geral e os cristãos em particular, vêem agora, com esperança, o início de uma nova era. A comunidade comboniana de Kanyanga foi oficialmente aberta no sábado, 1 de Maio e a entrega da missão aos Missionários Combonianos foi feita no dia seguinte. Formam a nova comunidade os padres Rodolfo Coaquira (peruviano) e Rúben Bojorquez (mexicano). O P. Dário Chaves, superior dos Missionários Combonianos no Malawi/Zâmbia, esteve presente na abertura da nova comunidade e na passagem do testemunho. Em Kanyanga existe também um pequeno hospital dirigido por uma congregação missionária que já se encontrava aí, antes da chegada dos Missionários Combonianos. "Sabemos que temos muitos desafios pela frente," dizia-me o P. Rúben, "mas estou muito contente por ter sido enviado para aqui". De facto, os desafios são enormes, pois não há infra-estruturas, estradas, electricidade, etc. Por isso, sobretudo na estação das chuvas, a actividade missionária é muito limitada. Mas isso não incomoda os dois missionários, que iniciaram já a visita porta a porta aos cerca de sete mil cristãos que formam as comunidades cristãs de Kanyanga. Apesar de todos os desafios, há sempre muito trabalho que fazer. Mas, "o mais importante," dizia o P. Rúben, "é gastar o nosso tempo e a nossa vida com esta gente." O missionário não pode perder o espírito de aventura que caracteriza o voto de obediência. Partir para situações sempre novas com a convicção de que é aí que o Senhor nos quer. Boa missão para o Rúben e o Rodolfo. Um destes dias, quem sabe, vou juntar-me à comitiva!

 

Pe. Horácio Rossas

Papa lembra os sofrimentos da humanidade

13 de Maio de 2010

Bento XVI apresentou-se esta quinta-feira, 13 de Maio, em Fátima como «peregrino» de uma «casa que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos». «Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos», disse o Papa na homilia da peregrinação internacional do 13 de Maio.

 

No santuário português, disse, «converge a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação».

 

«Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção», assinalou.

 

Bento XVI disse trazer no coração «quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente».

 

O Papa disse ter os «mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia», estando na Cova da Iria «para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que amo».

 

À imagem do que fez ontem, na igreja da Santíssima Trindade, Bento XVI confiou «à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus».

 

No início da celebração, o Papa agradeceu à «amada diocese de Leiria-Fátima» e o seu Bispo, D. António Marto, «a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou, nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário».

 

«Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa», acrescentou, dirigindo-se ainda a «todas as Dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos».

 

agência Ecclesia.

Fátima: Tornar Deus presente e acessível

13 de Maio de 2010

Na conclusão do segundo dia da vista a Portugal, Bento XVI foi a Fátima e durante a «Bênção das Velas» disse aos peregrinos que a prioridade é tornar Deus presente neste mundo e acessível aos homens.

 

«No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus», referiu o Papa.

 

«Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado», explicou.

 

Em seguida, o Pontífice alentou a todos a adorar Cristo Senhor no coração. «Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a Igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus», foram estas as inspiradoras palavras do Papa. 

 

Ronny Marinoto

Grande presença jovem na missa com o Papa

12 de Maio de 2010


Cerca de 100 mil pessoas estiveram ontem, 11 de Maio, presentes no Terreiro do Paço, Lisboa, durante a Eucaristia presidida por Bento XVI, no final do primeiro dia da sua visita a Portugal.

 

Na homilia, o Papa salientou o facto de a cidade de Lisboa ter sido origem de partida de um grande número de gerações cristãs.

 

«Ide fazer discípulos de todas as nações, [...] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos - bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens -, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorios

o é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa».

 

Papa agradece participação dos jovens

«Gostei da participação viva e numerosa dos jovens na Eucaristia desta tarde no Terreiro do Paço, dando provas da sua fé e vontade de construir o futuro sobre o Evangelho de Jesus Cristo. Obrigado pelo testemunho jubiloso que prestais a Cristo, eternamente jovem, e pelo carinho que manifestais ao seu pobre Vigário na terra», disse o Bento XVI.

 

A anunciar a visita ao Santuário de Fátima para o dia seguinte, o Papa disse sentir-se feliz «por poder unir-me à multidão dos peregrinos de Fátima no décimo aniversário da Beatificação de Francisco e Jacinta. Estes, com a ajuda de Nossa Senhora, aprenderam a ver a luz de Deus nos seus corações e a adorá-la na sua vida».

 

«Que a Virgem Maria vos alcance a mesma graça e vos proteja! Continuo a contar convosco e com as vossas orações para que esta Visita a Portugal seja frutuosa. E agora, com grande afecto vos dou a minha Bênção, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». 

 

Ronny Marinoto

Visita do Papa Bento XVI a Portugal

Capaz de surpreender

A personalidade que nos visita este mês é capaz de nos surpreender, ao propor mensagem contra a corrente e o politicamente correcto.

 

 

De 11 a 14 deste mês, o Papa Bento XVI estará entre nós para uma visita apostólica que o levará a Lisboa, Fátima e Porto, visita que lhe proporcionará uma oportunidade de conhecer melhor a Igreja e a sociedade portuguesas. Ele terá encontros de multidão com os católicos, nas celebrações das três etapas da sua estada, com relevo particular para a sua participação na peregrinação do dia 12 e 13 em Fátima. Terá também encontros com sectores particulares da sociedade portuguesa, com as pessoas ligadas à cultura em Lisboa, com os grupos de acção social, o clero e os bispos em Fátima.

 

Bento XVI vem a uma terra que tem para com o sucessor de S. Pedro em Roma laços de particular afeição e de profundas raízes históricas. Vem, por isso, a um povo que não lhe regateará acolhida e hospitalidade, afecto e devoção. Mas esta visita realiza-se num momento particular, num tempo difícil para o nosso país e para a Igreja. Por um lado, a crise económica, com as sequelas de desemprego e pobreza, compromete definitivamente a nossa esperança de um futuro melhor. Por outro, a Igreja Católica vive, na Europa e em Portugal, um tempo de crise, a braços com os seus problemas internos e com a secularização galopante da sociedade.

 

A pessoa de José Ratzinger, por providência divina e por circunstâncias da história, veio a encontrar-se no centro desta crise, desde que há cinco anos foi eleito papa, com o nome de Bento XVI, e colocado a guiar os destinos da Igreja Católica. Como teólogo, ele seguiu um percurso próprio que alguns, na Igreja, apelidam de conservador. Como professor e homem de cultura, ele impôs-se no contexto cultural europeu, debatendo as questões filosóficas e éticas mais relevantes. O seu itinerário e as suas posições tornaram-no assim um papa controverso dentro e fora da Igreja, mas capaz de surpreender pelo que diz e pelo que faz. Os cinco anos volvidos sobre a sua eleição permitem, neste sentido, fazer um balanço e perceber a importância deste pontificado, que começou sob o signo da transição e se afirma com alguma surpresa.

 

Para dentro da Igreja, Bento XVI tem concentrado o seu magistério no essencial da fé e da vida cristã, defendendo uma integração entre a fé e a razão, longe do Cristianismo sentimental dos tradicionalistas e da visão ideológica dos progressistas. As suas homilias e discursos, as suas três encíclicas, o seu livro sobre Jesus de Nazaré centram o Cristianismo no seu essencial: uma religião que não se reduz a moral, a filosofia ou ideologia, mas que se afirma como seguimento de uma pessoa, seguimento que nasce de um encontro pessoal e se alimenta com itinerários de amizade e fidelidade, marcados pelo apego à verdade, ao bem e à beleza.

 

Em relação às outras Igrejas cristãs, algumas iniciativas de Bento XVI poderão ter merecido críticas, mas a verdade é que ele fez avançar o diálogo com os anglicanos e com os ortodoxos. Bento XVI foi à Turquia e desanuviou as relações com o patriarcado de Constantinopla e de Moscovo.

 

Em relação às demais religiões, ele também marcou pontos. A sua franqueza em enfrentar a questão da violência no Islão, que pareceu incendiar o diálogo inter-religioso, acabou por produzir frutos inesperados: fez aumentar o número de personalidades islâmicas a debater o tema sem preconceitos e fez progredir o diálogo islamo-cristão por caminhos de maior clareza e empenho recíprocos.

 

A personalidade que nos visita este mês é, assim, capaz de nos surpreender. Pelo que diz, ao propor mensagem contra a corrente e o politicamente correcto. Pelo que faz, ao propor caminhos de reconciliação marcados pela verdade e pelo amor. Nos dias da crise económica e ética em que estamos mergulhados ele é bem-vindo, mesmo no meio da surpresa e da polémica que as suas afirmações possam provocar.

 

Visita oportuna

Com visitas anunciadas, à Espanha em Novembro e à Inglaterra em Setembro, a presença de Bento XVI em Portugal afigura-se cheia de interesse e significado missionário, para a Igreja portuguesa e para as demais Igrejas europeias. Na sua presença em Portugal, o papa escolheu duas áreas de particular interesse para as Igrejas europeias. Primeiro, a cultura, tema que Bento XVI enfrentará no encontro de Lisboa com personalidades do mundo cultural português. Segundo, a questão do lugar dos cristãos nos processos de transformação social e política, que o papa tratará no encontro de Fátima com os operadores sociais. São áreas e problemas que lhe são caros e aos quais com certeza dedicará o melhor da sua reflexão e presença entre nós, ajudando-nos a enfrentar a crise de valores que atravessamos e clarificando o sentido e a direcção da acção dos cristãos no campo social e político.

 

Além disso, e sobretudo, Bento XVI vem a Fátima para participar na peregrinação e celebrações dos dias 12 e 13 deste mês. Ele vem com certeza recolher o mais actual da mensagem de Fátima - a centralidade de Deus e a conversão aos ideais do Evangelho de Cristo - para os repropor num lugar, Portugal na Europa, e num tempo de crise. A sua proposta, por muito controversa que seja, há-de ser bem-vinda. No meio da crise actual, em Portugal e no resto da Europa, tem abundado quem fala das dimensões económicas e financeiras da crise mas tem faltado quem enfrente a sua vertente moral e ética. Até agora, Bento XVI tem sido dos poucos líderes que o têm feito (ver texto em Contraponto) e com certeza não vai deixar de o fazer em Fátima, o que dará à sua presença entre nós e à sua mensagem uma actualidade acrescida, tanto para a Igreja que somos como para a sociedade em crise em que vivemos.

 

 

 POR: MANUEL FERREIRA

 

A visita do Papa Bento XVI é destaque nas revistas Além-mar e Audácia deste mês de Maio: . 

 

Site Oficial da visita do Papa

 

Guia das celebrações do Papa em Portugal

 

Discursos do Papa Bento XVI em Portugal

 

PROGRAMA

 

11 de Maio, terça-feira

 

ROMA

 

08.50 - Partida de avião do Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci de Fumicino para Lisboa

 

LISBOA

 

11.00 - Chegada ao Aeroporto Internacional da Portela, Lisboa

               Acolhimento oficial

               Discurso do Santo Padre

 

12.45 - Cerimónia de boas‑vindas, frente ao Mosteiro dos Jerónimos

                Breve visita ao Mosteiro dos Jerónimos

 

13.30 - Visita de cortesia ao Presidente da República, no Palácio de Belém

 

18.15 - Santa Missa no Terreiro do Paço. Homilia do Santo Padre

               Mensagem do Santo Padre comemorativa do 50º aniversário da inauguração do Santuário de Cristo Rei de Almada

 

12 de Maio, quarta-feira

 

07.30 - Santa Missa, em privado, na Capela da Nunciatura Apostólica

 

10.00 - Encontro com o mundo da cultura, no Centro Cultural de Belém

               Discurso do Santo Padre

 

12.00 - Encontro com o Primeiro Ministro, na Nunciatura Apostólica

 

15.45 - Despedida da Nunciatura Apostólica

 

16.40 - Partida de helicóptero do Aeroporto Internacional da Portela de Lisboa para Fátima

 

FÁTIMA

 

17.10 - Chegada ao heliporto no grande parque do novo Estádio Municipal de Fátima

 

17.30 - Visita à Capelinha das Aparições

               Oração do Santo Padre

 

18.00 - Celebração das Vésperas com sacerdotes, diáconos, religiosos/as, seminaristas e agentes de pastoral, na Igreja da SS.ma Trindade

               Discurso do Santo Padre

 

21.30 - Bênção das velas, na Capelinha das Aparições

               Discurso do Santo Padre. Oração do Rosário

 

13 de Maio, quinta-feira

 

10.00 - Santa Missa na esplanada do Santuário de Fátima

                Homilia do Santo Padre. Saudações do Santo Padre

 

13.00 - Almoço com os Bispos de Portugal e com o Séquito Papal no Refeitório da Casa de Nossa Senhora do Carmo

 

17.00 - Encontro com as Organizações da Pastoral Social, na Igreja da SS.ma Trindade.

               Discurso do Santo Padre

 

18.45 - Encontro com os Bispos de Portugal no Salão da Casa de Nossa Senhora do Carmo.

               Discurso do Santo Padre

 

14 de Maio, sexta-feira

 

08.00 - Despedida da Casa de Nossa Senhora do Carmo

 

08.40 - Partida de helicóptero do heliporto de Fátima para o Porto

 

GAIA

09.30 - Chegada ao heliporto do Quartel da Serra do Pilar

 

PORTO

10.15 - Santa Missa na Avenida dos Aliados

               Homilia do Santo Padre

 

13.30 - Cerimónia de despedida no Aeroporto Internacional Sá Carneiro do Porto.

               Discurso do Santo Padre

 

14.00 - Partida de avião do Porto para Roma

 

ROMA

18.00 - Chegada ao Aeroporto de Ciampino, Roma

 

 

Encontro de irmãos combonianos

 

Nos passados dias 24 e 25 de Abril, teve lugar na casa de Santarém o encontro ibérico Irmãos Combonianos que juntou Irmãos de Portugal e de Espanha. O encontro tinha como objectivos o estímulo recíproco na vivência da consagração a Deus, o aprofundamento do carisma herdado de São Daniel Comboni e uma vida de oração sempre mais contemplativa.

 

No primeiro dia, o Irmão Roberto Misas falou do XVII Capítulo Geral Comboniano, sobretudo no que toca à vocação do Irmão Comboniano. Depois foram postas em comum as respostas aos questionários que previamente tinham sido enviados a cada Irmão. Sobressaiu como prioritário o tema das novas vocações para Irmãos e foram sugeridas acções concretas para trabalhar nessa área tão importante.

 

A reunião terminou com um dia de passeio e visita a Óbidos e Peniche.

Festa dos familiares

Cada ano, logo a seguir à Páscoa, os missionários combonianos que estão em Portugal e os familiares que possam estar presentes costumamos reunir-nos numa das comunidades combonianas. Este ano, aconteceu no segundo domingo de Páscoa, e o local foi a casa do Areeiro, em Coimbra.

Fizemos festa a sério, com bandeiras e tudo, e vieram muitos familiares: ao todo umas 200 pessoas. A festa começou com um belo testemunho do P.e Alexandre da Rocha, recém-chegado do Quénia, onde esteve 20 anos seguidos. A Eucaristia, que, como sempre, é o centro das nossas festas, foi acompanhada com cânticos e música pelos padres Marcelo Oliveira e Paulo Emanuel, e a presidência foi do P.e Abílio Simães.

Seguiu-se o almoço de confraternização, em que o ambiente era realmente o de uma grande família alegremente reunida, isto apesar de alguns missionários e familiares já terem partido para o Pai, sendo os últimos o P.e Ivo do Vale, um irmão do P.e Martinho Moura e dois sobrinhos do P.e Dário Chaves. Deste modo, fizemos a festa na comunhão dos santos: uns já no Céu e outros ainda cá na Terra, em caminho, a viver a nossa Páscoa, juntamente com Cristo.

Para que tudo corresse bem, não podia faltar a presença de alguns membros da grande família comboniana alargada, que vieram participar e ajudar na festa: alguns membros do grupo GAM (Grupo de Animação Missionária) e dos LMC (Leigos Missionários Combonianos).

A tarde recreativa foi ilustrada com amizade missionária pelo grupo folclórico de Ceira, o que contribuiu para fechar o dia em regozijo.

Como recordação desta linda festa missionária foi oferecido a cada grupo de familiares o último livro publicado sobre a vida do P.e Ivo do Vale.

Eleições no Sudão: contagem dos votos

 

O processo de contagem dos votos está em pleno e algumas mesas já apresentaram resultados finais. Algumas mesas estão mais atrasadas, porque iniciaram a cotagem mais tarde depois de resolverem algumas reivindicações de pagamento de serviços.

A avaliar pela ronda que esta manhã fiz por meia dúzia de centros de voto, Salva Kiir Mayardit é o novo presidente do Sul do Sudão com uma margem esmagadora sobre o seu rival Lam Akol.

Para a Presidência da República, o candidato do SPLM tinha o dobro dos votos do presidente Omar al-Bashir apesar de ter desistido da corrida.

As eleições para o governador de Equatoria Central prometem ser renhidas com o candidato independente Alfredo Laru Gore com uma ligeira vantagem sobre o governador em exercício e ex-senhor da guerra Clement Wani Konga.

As atenções contudo estão fixadas na Equatória Oriental porque a refega eleitoral entre a governadora em exercício e o candidato independente - ambos do SPLM - poder desancar em violência.

Entretanto, a União Europeia e o Centro Cárter apresentaram hoje os relatórios preliminares dos seus observadores e o veredicto é comum: as eleições estão longe de respeitar os critérios internacionais.

Corrupção, problemas de logística, e intimidação encontram-se entre os problemas detectados.

Ana Gomes, que chefia uma delegação de eurodeputados, é mais positiva: as eleições permitiram um debate político nunca antes experimentado no país.

Os resultados finais devem ser anunciados na terça-feira.

Entretanto, as organizações não governamentais e da ONU estão a operar sob o alerta três, com recolher obrigatório às cinco da tarde e subsídio extra de risco.

A ONU elaborou um plano de contingência para evacuar 10500 estrangeiros no caso de violência pós-eleitoral. Menos eu!

 

 

José Vieira (missionário no Sul do Sudão)

 

Ajudas mortais

Num livro com o título provocativo «Ajudas Mortais», uma economista africana põe em causa as ajudas para o desenvolvimento oferecidas pelos governos ocidentais aos governos africanos. Em causa estão os canais por que passa essa ajuda e os modos como é aplicada. Ajudas mortais, que salvam os ditadores e condenam a África ao subdesenvolvimento.

 

Há anos, a revista Nigrizia publicou na Itália um dossiê intitulado «Socorro, as ajudas!». Em poucas palavras, defendia-se aí a tese de que as ajudas internacionais fazem mais mal do que bem à África, porque as modalidades com que são distribuídas não são correctas.

O ano passado, no início de Junho, quando me encontrava em Riccione para tomar parte num seminário organizado à margem do Prémio Ilaria Alpi, fui entrevistado brevemente por um amigo jornalista. Da entrevista, publicada em Il Redattore Sociale, o quotidiano La Repubblica retomou apenas uma frase, que publicou entre aspas e com grande destaque para reforçar a mensagem de um artigo. Era algo do género «Muitas ONG usam as ajudas à África para se ajudarem a si mesmas. Padre Kizito». Ainda hoje penso nisso.

 

Trabalho genuíno

 

Depois daquela citação, recebi três mensagens de correio electrónico de amigos que trabalham em várias ONG dizendo-me que achavam aquela citação infeliz. Respondi que, conhecendo-os, sei que eles e as suas ONG trabalham com seriedade, mas que é preciso dizer também que em relação a uma grande maioria as coisas não são assim. A minha não era uma condenação indiscriminada, tinha dito «muitas», teria podido dizer «a grande maioria», mas não disse «todas». Tinha também dito ao jornalista que o meu pessoal entendimento e experiência é que quando se trata de ajudas ao desenvolvimento «o que é pequeno tem graça», porque as ONG pequenas trabalham muitas vezes com numerosos voluntários reais, não pagos, têm motivações mais genuínas, trabalham em contacto real com as pessoas locais e conseguem melhores resultados. Eu contribuí para criar pelo menos uma ONG e duas ONLUS em Itália, e pelo menos quatro ONG em países africanos, e portanto sei bem que podem ser óptimos instrumentos para intervir eficazmente em favor de quem precisa, seja com ajudas de emergência seja para a promoção humana e educação aos direitos.

 

Motivação

 

Em confirmação do lado negativo do trabalho das ONG, recebi também cinco mensagens. Representava-as todas uma carta longa e pormenorizada de uma pessoa que depois de ter trabalhado durante 12 anos em diversas grandes ONG tinha decidido mudar completamente de trabalho precisamente poucos meses antes porque desgostado pela luta sem exclusão de golpes para garantir os financiamentos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália ou da Comunidade Europeia, pela ineficiência, pela corrupção, pelo facto que encontrar os financiamentos e relatar os projectos se torna mais importante do que realizar bem os projectos e ajudar a gente local a crescer. É compreensível que seja quase inevitável, se não houver um elevado nível de motivação, que a um dado momento da evolução de uma ONG a presença de profissionais bem remunerados faça que o motivo da existência da mesma já não seja o de fazer projectos ao serviço dos pobres, mas obter financiamentos para garantir a continuidade do emprego.

 

Pequenas iniciativas

 

Pelo contrário, funcionam bem as ajudas que passam através dos pequenos canais, onde a gente se encontra independentemente de todos os tipos de divisões, e onde a dignidade das pessoas é respeitada. Penso nas iniciativas de tantas pequenas ONG que de gestão têm quase zero, nas geminações entre escolas e associações e paróquias e dioceses e talvez também clubes desportivos, na cooperação descentralizada feita por câmaras, províncias e regiões. Situações nas quais os voluntários pagam o bilhete de avião do seu próprio bolso e, porventura cometendo erros, contudo menos graves e menos gravosos do que os cometidos pelas grandes ONG, se envolvem em primeira pessoa. Felizmente estas pequenas iniciativas são muitas e embora não mudem a África, pelo menos cada uma delas dá nova força e esperança a algumas centenas de pessoas. E não é pouco, se confrontado com o quadro desastroso das ajudas institucionais.

 

Menos a África

 

Reencontrei tudo isto numa entrevista a Dambisa Moyo publicada recentemente no jornal La Repubblica. O título é «Dambisa Moyo denuncia: as ajudas salvam os ditadores e condenam a África». Dambisa Moyo, zambiana na casa dos quarenta anos, economista que trabalhou no Banco Mundial, e que no passado dia 11 de Maio o Timeincluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo, publicou um livro intitulado «Dead Aid» - que poderemos traduzir por Ajudas Mortais - em que expõe que as modalidades das ajudas são erradas, mas, parece-me, ao menos a avaliar pela entrevista porque o livro não creio que esteja já disponível no mercado europeu, exceptua precisamente as pequenas ajudas e direccionadas, que não passam através dos grandes canais institucionais. Ao passo que as ajudas dirigidas de governo a governo, diz, «tornaram-se um imenso negócio onde ganham todos menos a África: as "beneméritas" fundações americanas, as multinacionais alimentares, as organizações não governamentais».

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