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Palavra de Deus

«Vai hoje!» Actualidade da missão

XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano A - Domingo 1.10.2017


 


Ezequiel 18,25-28


Salmo 24


Filipenses 2,1-11


Mateus 21,28-32


 


Reflexões


Um pai, dois filhos, uma empresa familiar a levar adiante com o trabalho de todos, formando equipa, sem fugas… É o quadro que Jesus apresenta na parábola (Evangelho), com o convite-ordem a ir trabalhar na vinha. Ou seja, no crescimento do Reino de Deus no mundo. Volta aqui novamente a mensagem de domingo passado acerca do trabalho no campo de Deus, a conversão do coração, a gratuidade do amor e do serviço, a aceitação do plano de Deus Pai… O Senhor não se contenta com palavras, espera frutos: «Nem todo o que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu» (Mt 7,21). A palavra de Jesus e a mensagem da parábola soam a um forte apelo à conversão, à coerência entre fé e obras. Um apelo que aparece claro nos repetidos debates-polémicas entre Jesus e os fariseus. Quando Mateus, algumas décadas após a morte e ressurreição de Jesus, escrevia estes textos, as comunidades cristãs eram já compostas principalmente por pessoas provenientes do paganismo, na medida em que a maioria dos filhos de Israel não tinha reconhecido em Jesus o Messias prometido, tinha por conseguinte recusado entrar na vinha. A profecia de Jesus já se tinha realizado: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus» (v. 31). Esta palavra não dá acesso a um aumento de mérito ou a lugares melhores; indica apenas uma precedência na disponibilidade e abertura à novidade de Deus. A parábola assegura-nos que o nosso Pai bom não rejeita os atrasos, aceita as reconsiderações, acolhe até mesmo os que parecem mais indignos, se acreditam e se arrependem (v. 32). Pois Ele é um Deus muito especial, que revela a sua «omnipotência sobretudo com a misericórdia e o perdão» (Colecta).


Os dois filhos da parábola são dois povos (Israel e os pagãos), são dois corações com vicissitudes alternas, são duas faces da mesma moeda. Na realidade os dois filhos somos cada um de nós, com os nossos altos e baixos, as nossas incoerências, um misto de Sim e de Não, entre tempos de fidelidade e de fragilidade, conforme os momentos e as épocas da existência… Já no final do primeiro século cristão (há mais de 1900 anos!), Santo Inácio de Antioquia escrevia: «Mais vale ser cristão sem o dizer, do que dizê-lo e não o ser».


Face aos dois filhos da parábola com os seus Sim e Não, há um terceiro filho, que não somos nós: é Jesus, Filho do Pai, que conhece e realiza uma palavra apenas: o Sim de Deus para a salvação da humanidade (cf. 2Cor 1,19; Mt 11,16). O grandioso hino cristológico na carta de Paulo aos Filipenses (II leitura) é uma contemplação orante perante o mistério de Cristo Jesus: Ele é Deus como o Pai e o Espírito, mas esvazia-se, despoja-se, faz-se servo obediente, humilha-se até à morte de cruz. Mas Deus eleva-o acima de todos, pelo que toda a língua proclama que «Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai» (v. 11). Cristo não procurou o seu próprio interesse, mas o de todos nós (v. 4): Ele, o Missionário do Pai, deu a vida por todos; portanto, cada cristão, cada missionário é chamado a seguir o seu exemplo, assumindo os seus mesmos sentimentos (v. 5): amor, humildade, dedicação. Ele é o caminho da missão.


A ordem do pai aos filhos é clara: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha» (v. 28). Esta cena agrícola liga-nos a um outro convite de Jesus, a tratar da messe já madura: «Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa» (Jo 4,35). Trata-se de uma messe abundante, para a qual, infelizmente, os operários são poucos (cf. Mt 9,37). A ordem é clara e plenamente actual: «Filho, vai hoje…» É uma ordem para o nosso tempo. É para hoje! Na proximidade do Outubro missionário e do Dia Mundial das Missões, é fácil identificar a vinha da parábola com o mundo das missões, onde o trabalho para o anúncio do Evangelho é notoriamente imenso, ao mesmo tempo que as forças disponíveis – pessoas e meios – são exíguas. A ordem de Jesus liga-se ao convite que o sacerdote dirige aos fiéis no final da Missa: ide em paz realizar a vossa missão. Em latim dizia-se: «Ite, missa est», que equivale a dizer: «Ite, missio est»; ou seja: «Ide, é hora da Missão!» (*)


Também o apóstolo Paulo recebeu, um dia, o mandato de Jesus: «Vai... aos gentios». Desde aquele momento, a sua resposta foi sempre e só um sim, para toda a vida, para levar o evangelho aos povos. Diante da tarefa missionária, que é de todos os cristãos, cada um é chamado a responder com responsabilidade. A esta responsabilidade apelava o profeta Ezequiel (I leitura) com o convite a agir rectamente e com justiça, afim de se viver e não morrer (v.27-28). O apelo de Jesus a trabalhar na sua vinha é urgente, para o bem da humanidade que sofre e anela pela redenção. Cristo espera de cada um uma resposta pessoal, livre e consciente.


Palavra do Papa


(*) «Jesus Cristo que incessantemente nos envia a anunciar o Evangelho do amor de Deus Pai, com a força do Espírito Santo. Este Dia convida-nos a refletir novamente sobre a missão no coração da fé cristã. De facto a Igreja é, por sua natureza, missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando duma associação entre muitas outras, que rapidamente veria exaurir-se a sua finalidade e desapareceria.»


Papa Francisco


Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2017


No encalço dos Missionários


- 1/10: S. Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita do convento de Lisieux (França), doutora da Igreja; padroeira principal das Missões. É filha dos BB. Luís Martin (1823-1894) e Zeida Maria Guérrin (1831-1877), casal francês, beatificado a 19/10/2008 em Lisieux.


- 1/10: B. João de Palafox e Mendonza (1600-1659), espanhol, bispo de Puebla de los Angeles (México), vice-rei e visitador apostólico, depois bispo de Osma (Espanha). Figura poliédrica de pastor, estudioso, administrador, protector dos índios.


- 1/10: Dia Internacional do Idoso (ONU-OMS, 1990).


- 2/10: B. João Beyzim (1850-1912), sacerdote jesuíta da Volinia (Ucrânia), missionário entre os leprosos em Fianarantsoa (Madagáscar).


- 2/10: Dia Internacional para a Não-violência, estabelecido pela ONU (2007) no dia do nascimento de Gandhi (2-10-1869).


- 3/10: BB. Ambrósio Francesco Ferro, sacerdote, e 27 companheiros mártires (†1645) nas margens do rio Uruaçu (Natal, Brasil).


- 4/10: S. Francisco de Assis (1182-1226), amante de Cristo pobre, fundador da família franciscana, missionário entre os muçulmanos; enviou grupos de frades a evangelizar em diversas partes.


- 4/10: S. Francisco Saverio Seelos (1819-1867), sacerdote redentorista alemão, missionário em várias regiões dos USA, falecido com febre-amarela em New Orleans, Louisiana.


- 5/10: SS. Froilano e Attilano, bispos espanhóis do século X, que deixaram a vida eremítica para se dedicarem à evangelização das regiões libertadas do domínio dos árabes muçulmanos.


- 5/10: S. Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa polaca, destinatária de revelações especiais sobre a «Divina Misericórdia»: uma devoção que teve uma rápida difusão mundial.


- 5/10: Evocação de Annalena Tonelli (1943-2003), leiga missionária italiana no Quénia e Somália durante 30 anos, assassinada em Borama (Somália) por um desconhecido. Eis algumas das suas palavras: «Fiz uma escolha de pobreza radical». - «Um dia o bem triunfará».


- 6/10: S. Bruno (Alemanha 1030-1101 Itália), professor de teologia, depois eremita, fundador da “Grande Chartreuse” (Grenoble), promotor da vida monástica, eremítica e cenobítica.


- 6/10: B. Maria Rosa (Eulália) Durocher (1811-1849), canadiana do Quebeque, fundadora.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»


 

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