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Palavra de Deus

Ousar! Perder a vida por causa de Jesus e do Evangelho

XXIV Domingo do Tempo Comum: Ano B – 16.9.2018


 


Isaías 50,5-9a


Salmo 114


Tiago 2,14-18


Marcos 8,27-35


 


Reflexões


No coração do Evangelho de Marcos (hoje estamos exactamente a meio), volta novamente o tema de fundo sobre a identidade de «Jesus, Cristo, Filho de Deus» (1,1; cf. 15,39). Ele tem uma identidade rica e misteriosa, que, desde o início ao fim, o evangelista Marcos quer revelar gradualmente aos seus leitores. O texto de hoje, no capítulo 8, contém a resposta radiante de Pedro, que se destaca das opiniões correntes entre a gente: as grandes figuras religiosas do passado são superadas, visto que Jesus de Nazaré é o Messias, o Cristo. O texto paralelo de Mateus (16,13-20) dá maior desenvolvimento ao diálogo entre Jesus e Pedro, com o tema da pedra, a Igreja, as chaves… Na sua brevidade, Marcos condensa a revelação de Jesus nas palavras de Pedro: «Tu és o Messias» (v. 29). A afirmação de Pedro é correcta e completa enquanto formulação teológica, mas ele tem uma compreensão do Messias limitada e distorcida, como se vê pela repreensão de Jesus, que vem logo a seguir (v. 33).


A este ponto do Evangelho de Marcos, Jesus entrou numa etapa nova: deixa as multidões da Galileia, quer dedicar mais tempo à formação dos seus discípulos e começa com a revelação da sua dupla identidade de Messias e de Servo sofredor, duas realidades inalcançáveis pela mente humana por si mesma. Pedro com dificuldade consegue colher a verdade de Jesus Messias-Cristo, mas tropeça totalmente na realidade do Messias-Servo que «devia sofrer muito… ser morto e ressuscitar» (v. 31). Pedro arma-se inclusive em mestre de Jesus, repreende-o por aquele tipo de discurso (v. 32), a ponto de Jesus o censurar duramente, convidando-o a tomar o lugar que lhe compete, atrás de Jesus: o discípulo caminha atrás do Mestre, segue os seus passos. Sobre o tema do sofrimento e da cruz, Pedro é prisioneiro da mentalidade corrente. Pensa «segundo os homens»; só mais tarde, quando vier o Espírito, chegará a pensar «segundo Deus» (v. 33).


«Tu não compreendes segundo Deus, mas segundo os homens»: é a advertência severa de Jesus a Pedro e aos discípulos de então e de todos os tempos. Uma advertência que petrifica qualquer forma de religiosidade acomodada e retórica. Um convite desconcertante a percorrer o caminho estreito da humildade e da austeridade: deixar de pensar apenas em si mesmos, tornar-se responsáveis pelos outros, partilhar a opção de Jesus que aceitou, por amor, a própria morte, para que todos tenham a vida em abundância (Jo10,10). Um apelo a todos os baptizados (sejam eles simples fiéis ou responsáveis de comunidades, a todos os níveis) a colaborar para que a Igreja – da qual somos todos igualmente parte – seja cada vez mais discípula no compreender e actuar segundo o estilo de Jesus; cada vez mais humilde, pobre, austera nos sinais exteriores; cada vez mais conforme ao seu Mestre, seguindo os seus passos. É este o verdadeiro lugar de uma Igreja discípula e missionária; a sua única glória. (*)


Tomar a sua cruz e seguir Jesus (v. 34), acolher a sabedoria e a fecundidade evangélicas da cruz é possível apenas por uma graça, que a liturgia nos leva a pedir para termos a certeza de que salvaremos a nossa vida «só quando tivermos a coragem de a perder» (Colecta), oferecendo-a com Jesus pela vida do mundo. É a certeza que sustentava o Servo sofredor (I leitura): o Senhor Deus veio em meu auxílio, por isso não fiquei envergonhado (v. 7).


 


A fraternidade e o serviço aos necessitados são valores inseparáveis do seguimento de Cristo, como ensina São Tiago (II leitura), que chama a atenção para o palavreado hipócrita e vazio, incapaz de aquecer o que tem frio e de saciar a fome (v. 15-16). A autenticidade do seguimento do Senhor prova-se com os factos da caridade. Disso dão testemunho os santos que recordamos este mês: A B. Madre Teresa de Calcutá (5/9), S. Pedro Claver (9/9), S. Padre Pio de Pietrelcina (23/9), S. Vicente de Paulo (27/9) … Posto que ousaram perder a sua vida para servir os pobres, por causa de Jesus e do Evangelho, salvaram-na (Mc 8,35). Por isso o seu testemunho é claro e estimulante para as forças vivas da missão hoje, aqui em qualquer a parte.


Palavra do Papa


(*) «Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo… Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo».


Papa Francisco


Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013, nº 49).


 


No encalço dos Missionários


- 16/9: S. Cipriano, bispo de Cartago (Tunísia), teólogo apologeta e mártir (ca. 200†258).


- 16/9: S. João Macias (1585-1645), religioso de origem espanhola, coadjutor dominicano; viveu e morreu em Lima (Peru), dedicado aos pobres e doentes.


- 16/9: Servo de Deus cardeal Francisco Saverio Van Thuan (Hué, Vietname 1928 – Roma 2002), bispo auxiliar de Hochiminhville (Saigão), preso durante 13 anos (1975-1988); passou os últimos anos em Roma como Presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz.


- 17/9: B. Leonella Sgorbati (1940-2006), mártir, religiosa italiana Missionária da Consolata; trabalhou durante 36 anos no Quénia e na Somália como enfermeira e obstetra; foi assassinada em Mogadíscio (Somália) e morreu dizendo: “perdão, perdão, perdão”.


- 18/9: BB. João Batista e Jacinto de los Ángeles, leigos casados e catequistas, martirizados no México (†1700).


- 20/9: SS. André Kim Taegon, primeiro sacerdote coreano, Paulo Chong Hasang, leigo, e outros 101 companheiros mártires na Coreia, mortos entre 1837-1867, canonizados em Seul em 1984. Entre eles: 93 coreanos (P. Kim e 92 leigos) e 10missionários estrangeiros (3 bispos e 7 sacerdotes).


- 21/9: S. Mateus, apóstolo e evangelista; depois da ascensão de Jesus, evangelizou, segundo a tradição, na Pérsia, Síria, Etiópia.


- 21/9: Dia Internacional da Paz (ONU, 2002).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»

A multiplicação realiza-se na partilha

XVII Domingo do Tempo Comum: Ano B – 29.7.2018


 


2Rs 4,42-44


Salmo 144


Efésios 4,1-6


João 6,1-15


 


Reflexões


Uma pergunta para reflectir: porque é que o sinal extraordinário da chamada multiplicação dos pães e dos peixes é narrado seis vezes no Evangelho, uma vez por Lucas e João e duas por Mateus e por Marcos? Mais que todos os outros sinais miraculosos realizados por Jesus! As primeiras comunidades cristãs tinham compreendido a sua importância, sendo a fome, nas suas várias formas, um problema universal, o problema do pão de cada dia. Talvez não seja por acaso que a raiz hebraica das palavras pão e combater seja composta pelas mesmas consoantes. Não é por acaso que a maior parte das guerras na história se desencadearam mais por problemas de fome, de acumulação de bens, do que por motivos de prestígio pessoal ou de grupo. Também hoje a luta pelo pão de cada dia agrega todos os seres vivos, ainda que com resultados diferentes. Mesmo opostos muitas vezes: até à morte por fome, como acontece ainda hoje, infelizmente, para centenas de milhões de pessoas. A solução para este escândalo vergonhoso e humilhante não virá de novas multiplicações caídas do céu, mas de decisões novas, programas acordados, estratégias globais para pôr em movimento a partilha nas suas diversas formas. São estes os desafios que a polis, a cidade dos homens e das mulheres na terra, tem de enfrentar actualmente com determinação, imparcialidade e rapidez.


O Evangelho deste domingo oferece à família humana indicações preciosas para tal caminho. João ambienta o sinal extraordinário de Jesus na proximidade da Páscoa (v. 4): mais do que uma informação cronológica, trata-se do contexto da sua entrega total: «Amou-os até ao fim» (Jo 13,1), lava-pés, morte e ressurreição de Jesus. O sinal que Jesus realiza brota da profunda comoção que Ele sente pela gente cansada, desorientada, sem pastor, faminta. Para Ele aquela «grande multidão» (v. 2.5) não é anónima, tem um rosto, uma dignidade. São filhos na casa do Pai, não escravos. São todos convidados para a mesa: portanto manda-os sentar. Sentar à mesa é um gesto de dignidade, que corresponde a Jesus e aos seus primeiros amigos (v. 3), mas também à gente: João repete-o três vezes em dois versículos (V. 10.11). «Havia muita erva» (v. 10), que faz lembrar o cuidado do Pastor que convida a descansar «nas pastagens verdejantes» (Sl 23,2). Quando os filhos estão sentados à volta da mesma mesa e o pão é repartido equitativamente, cessam as contendas e as guerras. (*)


Os discípulos Filipe e André reconhecem a insuficiência dos poucos recursos disponíveis, perante tanta gente (v. 7.9). Jesus introduz aqui uma lógica nova: realiza o sinal partindo dos cinco pães de cevada (pão dos pobres) e dos dois peixes que um rapaz põe à disposição (v. 9); dá graças e encoraja criativamente a partilha e a distribuição, até mesmo aos mais distantes, a ponto de sobejar (v. 12-13), na esteira do milagre realizado pelo profeta Eliseu (I leitura). No texto evangélico não aparece o termo multiplicação, mas sim o acto da partilha: a multiplicação superabundante acontece durante e através da partilha. Chave de leitura deste sinal é o rapaz, a partir do qual teve início a partilha. O rapaz representa o discípulo chamado a tornar-se criança para entrar no Reino (Mc 10,15): ele não pode acumular para si, mas deve partilhar com outros o que possui. O cristão, consciente de ser parte de um só corpo e de partilhar com outros a mesma fé no único Senhor (II leitura), sabe que a participação na mesa eucarística lhe exige um empenho coerente para que haja pão suficiente na mesa de todos. Esta é a missão!


Palavra do Papa


(*) «A fome ceifa ainda muitíssimas vítimas entre os muitos Lázaros aos quais não é permitido, como tinha auspiciado Paulo VI, sentar-se à mesa do rico avarento. Dar de comer aos famintos (cf. Mt 25,35.37.42) é um imperativo ético para a Igreja universal, que responde aos ensinamentos de solidariedade e de partilha do seu Fundador, o Senhor Jesus. Além disso, eliminar a fome no mundo tornou-se, na era da globalização, também um objectivo a atingir para salvaguardar a paz e a estabilidade do planeta».


Bento XVI


Encíclica Caritas in Veritate, 29.6.2009, n. 27


No encalço dos Missionários


- 29/7: S. Olavo (†1030), rei da Noruega, promotor da fé cristã e organizador da Igreja no seu país, morreu numa batalha.


- 30/7: S. Leopoldo Mandic (1866-1942), capuchinho da Croácia, promotor da unidade dos cristãos e sacerdote assíduo no ministério das confissões em Pádua.


- 30/7:S. Maria de Jesus Sacramentado Venegas de La Torre (México, 1868-1959), fundadora, dedicada inteiramente ao cuidado dos doentes. – Mesmo dia: - B. Maria Vincenza Chávez Orozco (México, 1867-1949), fundadora, assídua no serviço aos necessitados.


- 31/7: S. Inácio de Loiola (1491-1556), sacerdote espanhol, fundador da Companhia de Jesus, benemérita das Missões e de múltiplos serviços eclesiais e culturais em todo o mundo.


- 31/7: S. Justino De Jacobis (1800-1860), lazarista, missionário e bispo na Etiópia, promotor de relações ecuménicas; é considerado pelos católicos «anjo e padre da Igreja na Etiópia».


- 31/7: Recordação da viagem do Papa Paulo VI ao Uganda (1969) e da criação do SCEAM-SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar).


- 31/7: Recordação de Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), dominicano espanhol, missionário do Novo Mundo e bispo no México, defensor dos direitos dos Índios e seu protector.


- 1/8: S. Afonso Maria de Ligório (1696-1787), advogado e teólogo de moral, depois bispo, fundador dos Redentoristas, promotor das missões populares. É doutor da Igreja.


- 1/8: Recordação de Mons. Pierre Claverie, dominicano, bispo de Orano (Argélia), morto, juntamente ao seu motorista, num atentado por parte de terroristas islâmicos (†1996).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»

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