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Palavra de Deus

Ao fim, o trigo vencerá a cizânia

XVI Domingo do T.C. - Ano «A» - Domingo 23.7.2017


 


Sabedoria 12,13.16-19


Salmo 85


Romanos 8,26-27


Mateus 13,24-43


 


Reflexões


Proibido construir sebes e fazer separações entre bons e maus, entre santos e malvados! Porque existe o mal no mundo? De onde vem a cizânia? Jesus ensina-nos. Nas três parábolas do Evangelho (cizânia, grão de mostarda e fermento), emergem os ensinamentos da parábola do semeador (ver Domingo XV): a pequenez insignificante da semente comparada com a sua grande força interior; o dono do campo que espalha semente boa no campo, enquanto o inimigo espalha a cizânia; a impaciência vingativa dos servos, e a paciência tolerante do dono... (v. 25.28-29). Ao fim, na altura da colheita, chega o momento do balanço definitivo: os resultados são avaliados, com o correspondente prémio ou castigo (v. 30). Mais uma vez, Jesus oferece-nos a chave de interpretação da parábola, aplicada agora à vida à vida e à história da Igreja, que é chamada a viver imersa num mundo de violências e de injustiças, mas sempre animada pela esperança e pela paciência de Deus. Em todos os tempos e lugares, a Igreja missionária “deve prosseguir a sua peregrinação entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (S. Agostinho, De civitate Dei).


O Papa Karol Wojtyla, num dos seus últimos livros, deixou-nos um comentário de grande valor sobre o mysterium iniquitatis que se propaga no mundo e na história, e sobre a coexistência do bem e do mal, com uma referência explícita à parábola de hoje: “A maneira como o mal cresce e se desenvolve no bom terreno do bem, constitui um mistério. Mistério que é aquela parte do bem que o mal não foi capaz de destruir e que continua a propagar-se apesar do mal, avançando continuamente sobre o terreno. Imediata a referência à parábola evangélica do trigo e da cizânia... Com efeito, podemos tomar esta parábola como a chave de leitura de toda a história da humanidade. Nas várias épocas e em vários sentidos, o trigo cresce junto com a cizânia, e a cizânia junto com o trigo. A história da humanidade é o teatro da coexistência do bem e do mal. Isto quer dizer que, se o mal existe junto com o bem, o bem, porém, persevera junto ao mal e cresce, por assim dizer, no mesmo terreno, que é a natureza humana” (cf. Memória e Identidade, p. 14).


A ligação desta mensagem com o mundo missionário é imediata. Perante o mal que se propaga, ou o fechamento e a maldade de tantas pessoas, o missionário e o educador são frequentemente tentados a assumir o papel dos servos da parábola, que pretendem arrancar logo a cizânia (v.28). Frequentemente com a ilusão do aut-aut ( ou-ou), que exclui. Jesus, o divino semeador do trigo, convida a ter paciência e misericórdia, respeitando os tempos de Deus, o único juiz que sabe o que está no coração humano. A missão, mesmo se tem a força irresistível do Evangelho (v. 31.32), inicia sempre em situações de minoria e de fragilidade perante os dinamismos poderosos do maligno. O missionário é certamente portador de um fermento capaz de renovar o mundo a partir de dentro (v. 33), mas que opera com os tempos longos da paciência, da derrota provisória e da tolerância. Isso mesmo já tinha sido prefigurado no livro da Sabedoria (I leitura): Ó Deus, “o facto de seres senhor de todos, torna-te indulgente com todos” (v. 16). Ao contrário dos poderosos do mundo, que frequentemente excedem e abusam do próprio poder, Deus é sempre “senhor da força”, governa-nos “com muita indulgência” e exerce o seu poder quando quer (v. 19). Melhor, o Deus cristão manifesta a sua omnipotência sobretudo quando perdoa e usa de misericórdia. De facto, Ele dá aos seus filhos “a boa esperança” que, de pois dos pecados, concede o arrependimento (v.19). É esse o estilo de Jesus, que o discípulo e o missionário assumem como programa de vida e de acção.


Cada pessoa é um terreno de trigo bom misturado com cizânia, sob a pressão do maligno e os furores da intolerância. Como diz uma canção, “dentro de cada um há bem e mal; mas no fundo de cada coração há sempre um tesouro escondido”. É preciso que o Espírito (II leitura) venha ajudar a nossa debilidade (v.26), nos sustente no tempo da coexistência do bem e do mal, dê ânimo à nossa esperança, e nos eduque segundo o coração misericordioso de Deus (v.27).


Palavra do Papa


 “Não é o poder que redime, mas o amor! Este é o sinal de Deus: Ele mesmo é amor. Quantas vezes nós desejaríamos que Deus se mostrasse mais forte. Que atingisse duramente, vencesse o mal e criasse um mundo melhor. Todas as ideologias do poder se justificam assim, justificando a destruição daquilo que se opõe ao progresso e à libertação da humanidade. Nós sofremos pela paciência de Deus. E de igual modo todos temos necessidade da sua paciência. O Deus, que se tornou cordeiro, diz-nos que o mundo é salvo pelo Crucificado e não por quem crucifica. O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens”.


Bento XVI


Homilia no início do seu Pontificado, Roma, 24 de Abril, 2005


Nas pegadas dos missionários


- 23/7: S. Brígida da Suécia (1302-1273), mãe de família, depois religiosa, mística e fundadora, peregrina em vários santuários; é padroeira da Europa.


- 23/7: B. Basílio Hopko (1904-1976), bispo auxiliar greco-católico de Preshov (Eslováquia) e mártir; foi encarcerado (1950-1964) e torturado pelo regime comunista.


- 23/7: B. Margarina Maria López de Maturana (1884-1934), religiosa espanhola, fundadora do instituto das Mercedárias Missionárias de Bérriz.


- 24/7: S. Sarbel (José) Makhluf (1828-1898), monge maronita do Líbano, depois eremita dedicado à oração e a privações austeras.


- 24/7: Recordação do P. Ezequiel Ramin, missionário comboniano, assassinado aos 32 anos (†1985) em Cacoal (Rondónia-Brasil), por ter acompanhado um grupo de camponeses que reclamavam as suas terras.


- 25/7: S. Tiago, Apóstolo, filho de Zebedeu, irmão de João; foi o primeiro mártir de entre os Apóstolos (†43-44). É patrono da Espanha.


- 25/7: BB. Rodolfo Aquaviva e outros 4 companheiros jesuítas, martirizados (†1583) em Salsete (Índia).


- 26/7: São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria de Nazaré e avós de Jesus, patronos dos avós e idosos.


- 26/7: S. Bartolomeu Capitanio (†1833), que, juntamente com S. Vincenza Gerosa (†1847), fundou as Irmãs da Caridade de Maria Bambina.


- 26/7: S. Jorge Preca (La Valletta, Malta, 1880-1962), sacerdote dedicado à catequese das crianças, fundador da Sociedade da Doutrina Cristã.


- 26/7: B. Tito Brandsma (1881-1942), sacerdote carmelita holandês, intrépido defensor da Igreja e da dignidade humana, morto no campo de concentração de Dachau (Alemanha).


- 27/7: S. Clemente de Ochrida (ca. 840-916), evangelizador da Bulgária. Juntamente com ele recordam-se outros 4 santos bispos, que na Bulgária continuaram a obra de evangelização e cultural dos SS. Cirilo e Metódio.


-28/7: S. Alfonsa da Imaculada Conceição (Ana) Muttathupadathu (1910-1946), nascida no Kerala (Índia), religiosa das Clarissas Malabares. É a primeira santa da Índia.


- 29/7: S. Olaf (†1030), rei da Noruega, promotor da fé cristã e organizador da Igreja no seu país; morreu em batalha.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»


 

Missão com a Esperança de Deus, semeador generoso e insistente

XV Domingo do T.C.: Ano «A» - Domingo 16.7.2017


 


Isaías  55,10-11


Salmo  64


Romanos  8,18-23


Mateus  13,1-23


 


Reflexões


Poucas coisas na natureza são tão pequenas e quase invisíveis, e no entanto tão poderosas e surpreendentes como a semente das plantas. Há milhares e milhares, de todas as espécies, entram por todo o lado, calcamo-las, agarram-se-nos à roupa sem que nos demos conta; parecem insignificantes, a verdade é que são fortes, resistentes, com capacidade enorme de desenvolvimento.


Todas as plantas da floresta, da horta, do pomar ou jardim, têm a sua origem num punhado de sementes: nelas a natureza concentrou potencialidades quase infinitas de desenvolvimento. Jesus, Mestre capaz e bom observador da natureza, com a parábola de hoje - chamada do semeador - (Evangelho) tece o seu famoso e extraordinário ensinamento partindo mesmo das sementes. Podemos estudas esta parábola partindo de três perspectivas: o semeador, a semente e os terrenos; todas elas com uma projecção universal.


Antes de mais, o semeador surpreende pela sua generosidade. Age como pessoa sem experiência, espalha a semente por toda a parte, quase sem querer saber onde ela vai acabar por cair: na estrada, no meio das pedras e entre os espinheiros, e enfim, no terreno bom. O semeador é o símbolo da esperança: spes in semine, dizemos. Este semeador é a imagem de um Deus de vida, de esperança e de misericórdia, generoso e ‘obstinado’ na distribuição dos seus dons: ama a todos, deseja que a sua palavra chegue a todos, “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2,4). E assim, na vida e nas culturas de todos os povos, mesmo se não evangelizados, encontram-se dons e valores que têm a sua origem e plenitude no Deus que é pai de todos e fonte de todos os bens.


A semente é a Palavra de Deus, é o próprio Jesus, Verbo e dom do Pai, Deus em carne humana, Ele, que é a plenitude do Reino. O anúncio missionário do Evangelho de Jesus faz crescer os valores presentes nas culturas, purifica-os e os aperfeiçoa. Com razão já São Justino (+165) indicava tais valores como sementes do Verbo. Ele, Palavra eficaz do Pai, é como a chuva (II leitura) que desce do céu para irrigar a terra, fecundá-la e fazer germinar novos frutos (v. 10). Esta Semente divina tem uma potencialidade infinita: oferece a todos a salvação, não há barreiras capazes de impedir que a salvação chegue a toda a parte e a todos, até os mais desesperados. No mundo, que é o campo do Pai - sempre belo para contemplar! - (Salmo Responsorial), não existem pessoas ou realidades irrecuperáveis. É este o fundamento do optimismo cristão: tenaz, acima de toda e qualquer resistência. Esta é a esperança que sustenta o missionário: ele acredita no poder surpreendente da Palavra que ele proclama, espera que a Palavra semeada produza frutos, joga a sua vida para salvar a si mesmo e aos outros. O Papa bento XVI mostra-o bem na carta encíclica Spes Salvi (*)


Deus aceitou deixar-se condicionar pelos terrenos diversos. Ele oferece generosamente a sua salvação a todos, mas não força ninguém, respeita e confia na liberdade humana. Os diversos terrenos, isto é cada pessoa, têm a capacidade de acolher ou de rejeitar a semente. Tal é o drama da existência humana, com a sua faculdade de escolher se ser estrada, pedras, espinheiros, ou terreno bom. E mesmo este, com diversas possibilidades de responder e de se realizar: produzir 30, 60 ou 100 por um (v. 8.23). Dentro destes meandros do coração humano insere-se a obra do Espírito (II leitura), que está presente na criação que geme e sofre à espera da plena salvação dos filhos (v. 23).


Na história das missões e na actividade de evangelização fazemos com frequência a agradável descoberta de tesouros de santidade e de graça mesmo lá onde tudo parece árido e pedregoso. Alguns exemplos o confirmam. No profundo Darfur (região ocidental do Sudão, devastada por violências sem fim) Deus fez brilhar a grandeza de uma ex-escrava, santa Bakhita. Por entre os horrores da guerra civil do Congo (1964), Deus acendeu a luz da beata Clementina Anuarite, mártir da castidade e do perdão. Entre as testemunhas recentes de terrenos bons podemos recordar: Maria Goretti, Gandhi, a beata Madre Teresa e tantas outras conhecidas a nível das Igrejas locais. A propósito de terrenos, a história mostra que há processos que se alternam e se transformam com os acontecimentos: épocas de acolhimento, fechamento, recusas, de regressos. Com razão a Igreja nos ensina a pedir ao Pai, com toda a força do Espírito, “a disponibilidade para acolher o germe da palavra, que continuas a semear nos sulcos da humanidade, para que frutifique em obras de justiça e de paz”. (Oração inicial).


Palavra do Papa


 (*) “A nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim. Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar-me a mim mesmo? Deveremos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal”.


Benedetto XVI


Encíclica Spe Salvi, 30.11.2007, n. 48


Nas pegadas dos missionários


- 16/7: BB. Andrea di Soveral, jesuíta brasileiro, e Domingos Carvalho mortos durante a celebração da Missa (+1645) em Cunhaú, perto de Natal (Brasil).


- 16/7: Santa Maria do Monte Carmelo, lugar que serviu de refúgio ao profeta Elias; tornou-se o lugar inspirador da ordem dos Carmelitas.


-17/7: São Esperado e companheiros, “os doze mártires sicilianos”, protomártires de África, martirizados em Cartago, no ano 180.


-17/7: Beatas Teresa de Santo Agostinho (M.M. Caludine Lidoine) e outras 15 irmãs Carmelitas Descalças guilhotinadas em Paris no ano de 1794 durante a Revolução Francesa. Na mesma época, em vários lugares de França, foram mortos numerosos sacerdotes e religiosas.


- 18/7: Dia Internacional dedicado a Nelson Mandela, por sua contribuição para a cultura da paz, da liberdade, da democracia internacional e das actividades humanitárias (ONU 2009).


- 20/7: S. Apolinário, originário da Antioquia, primeiro bispo de Classe-Ravena, Itália, evangelizador da Emília -Romana, e mártir (sec. II).


- 20/7: S. Frumêncio (+ca.380), fundador da Igreja na Etiópia, primeiro bispo de Axum.


- 21(7: S. Lourenço de Brindisi (1559-1619), frade capuchinho, doutor da Igreja, percorreu muitas regiões da Europa pregando o Evangelho e realizando missões de reconciliação.


-21/7: S. Albérico Crescitelli (1863-1900), sacerdote italiano do PIME, missionário na China e mártir.


- 22/7: S. Maria Madalena: curada por Jesus, seguiu-o até ao Calvário; foi a primeira a vê-lo vivo e a anunciá-lo depois da sua ressurreição.


- 22/7: B. María Inés Teresa Arias Espinosa (1904-1981), mexicana, fundadora das Missionárias Clarisas do SSmo. Sacramento e dos Missionários de Cristo pela Igreja universal, institutos missionários ad gentes.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»

A Missão parte da pequenez e da pobreza

XIV Domingo do T.C. - Ano «A» - Domingo 9.7.2017


Zacarias 9,9-10


Salmo 144


Romanos 8,9.11-13


Mateus 11,25-30


Reflexões


Encontramo-nos, mais uma vez, no coração do Evangelho de Mateus. O texto do hoje é definido pelos estudiosos como a grande manifestação do mistério de Deus, uma grande síntese messiânica, um Hino de júbilo. É o Magnificat de Jesus, expressão do seu mundo interior, como para Maria o seu Magnificat... Com efeito, esta oração de Jesus (Evangelho) resume todo o programa das bem aventuranças (Mt 5,3 s), com particular atenção aos pobres, humildes, aflitos, misericordiosos, puros de coração, operadores de paz... Como afirma o autor de O Pequeno Príncipe, “a bem aventurança é o acesso a um ponto de vista que unifica todo o universo” (Antoine de Saint-Exupéry). A página de Mateus oferece-nos um ângulo de observação panorâmica sobre todo o Evangelho de Jesus, que aqui é resumido à volta de alguns temas fundamentais: o louvor ao Pai, Senhor e Criador (v. 25); a vida de comunhão íntima da Trindade (v. 27); a atitude de amor e acção de Jesus para com o sofrimento humano, oferecendo repouso a quando andam “cansados e oprimidos” (v. 28); a nova escola e o estilo do Mestre que diz a todos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para a vossa vida” (v. 29-30). Na escola deste Mestre, se o contemplamos na pobreza de Belém e na derrota humilhante do Calvário, compreendemos que os critérios de grandeza foram invertidos: como os pensamentos humanos estão longe dos pensamentos de Deus! (Is 55,8-9).


A metade da sua vida pública, depois de um período de tensões e polémicas com os fariseus e de abandono por parte de alguns discípulos, o balanço humano daquele novo Mestre de Nazaré era certamente uma desilusão, um fracasso. Jesus, porém, longe de abandonar a sua missão e de se retirar, confirma o caminho iniciado, louva e agradece ao Pai por ter escolhido os pequenos, os últimos, como destinatários privilegiados das suas revelações extraordinárias (v. 25-26).


As opções de Jesus são os critérios essenciais para as decisões da Igreja Missionaria. Os temas do anúncio e da catequese devem ser os mesmos, transmitidos sempre ao estilo de Jesus: a Santa Trindade, Jesus Cristo Salvador, a Igreja como casa de acolhimento humano e espiritual, na qual os “oprimidos e cansados” de todo o género, de todos os tempos e lugares, encontram alívio, repouso e protecção. O ideal da Igreja é fazer-se discípula exemplar de Cristo, tanto na mensagem como no estilo, a ponto de poder dizer a todos os povos: vinde a mim. Todos vós... aprendei de mim que sou manso e humilde... encontrareis repouso, e a carga se tornará ligeira. É este o rosto autêntico e atraente da Igreja, o único do qual as multidões se interessam, e que os missionários e a comunidade cristã inteira são chamados a incarnar. Entre as mais belas imagens da Igreja encontram-se estas duas: a pousada, casa para todos (pandokeion), onde o bom samaritano levou o desgraçado que caiu nas mãos dos bandidos (Lc 10,34); e a casa de Paulo, que, chegado a Roma, vivia numa casa arrendada, onde acolhia a todos, anunciando e ensinando Jesus Cristo abertamente (Act 28, 30-31). Duas imagens que falam de acolhimento, pobreza e humildade…


A Igreja missionária oferece com frequência esta imagem de acolhimento, humildade e austeridade, sobretudo nos países pobres do planeta, mas também nos meandros das metrópoles industrializadas. Este estilo de vida e de missão, inaugurado por Jesus, é possível (II leitura) na medidaem que o Espíritode Deus habitaem nós. Graçasà sua presença, os frutos seguros serão a vida, a paz (v. 9.13). O profeta Zacarias (I leitura) apresenta o sonho de um rei justo, pacífico e humilde, que monta um burro (c.9), que fará desaparecer os carros e os cavalos de guerra, e terá um claro programa de paz: “O arco de guerra será despedaçado, anunciará a paz às nações”, o seu domínio será universal, e estende-se de mar a mar, até aos confins da terra (v.10). Nessa mesma linha,S. Agostinhoindica aos governantes um critério de máxima sabedoria: “É sinal de maior gloria matar as guerras com a palavra, do que os homens com as armas; e conquistar a paz com a paz, não com a guerra”. As obras de paz serão possíveis só a quem é habitado pelo Espírito de Deus (segunda leitura). Disso são testemunhas pessoas simples como Santa Josefina Bakhita (Sudão), a Beata Clementina Anuarite (RD Congo), S. Martinho de Porres (Peru), Beata Madre Teresa de Calcutá (Índia), S.João Maria Vianney(França).


Palavra do Papa


Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, «por estarem os vossos nomes escritos no Céu» (Lc 10, 20). Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus. Lucas viu este júbilo numa perspectiva de comunhão trinitária: «Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo», dirigindo-Se ao Pai e bendizendo-O. Este momento de íntimo júbilo brota do amor profundo que Jesus sente como Filho por seu Pai, Senhor do Céu e da Terra.


Papa Francisco


Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2014, nº 2.


No encalço dos Missionários


- 9/7: SS. Agostinho Zhao Rong (†1815) e numerosos companheiros mártires na China, que em lugares e tempos diversos (entre 1648 e 1930) deram testemunho do Evangelho de Cristo com a palavra e a vida.


- 9/7: S. Paulina (Amabile Wisintainer) do Coração Agonizante de Jesus (1865-1942), italiana, emigrou para o Brasil, onde se dedicou ao cuidado dos doentes e pobres, em favor dos quais fundou uma congregação.


- 10/7: BB. Emanuel Ruiz, sacerdote franciscano, e 10 companheiros mártires (7 missionários franciscanos e 3 leigos maronitas, irmãos de sangue), assassinados por muçulmanos em Damasco (Síria) em 1860.


- 11/7: S. Benedito de Norcia (480-547), abade, “Padre e Padroeiro da Europa”, fundador, patriarca dos monges no Ocidente.


- 13/7: S. Henrique II (973-1024), imperador romano e rei da Alemanha; com a esposa S. Cunegonda propagou a fé na Europa, fundou mosteiros e dioceses.


- 13/7: B. Mariano de Jesus Euse Hoyos (Colômbia 1845-1926), sacerdote diocesano, exemplar pela sua simplicidade, integridade de vida e zelo apostólico nas actividades paroquiais.


- 13/7: B. Carlos Manuel Rodrigues Santiago (1918-1963), leigo, primeiro beato de Porto Rico; apóstolo entre os jovens, dedicou-se à liturgia e à catequese.


- 14/7: S. Camilo de Lellis (1550-1640), sacerdote italiano, dedicou-se ao serviço dos incuráveis; fundador dos Ministros dos Enfermos (Camilianos).


- 14/7: S. Francisco Solano (1549-1610), franciscano espanhol, missionário no Panamá, Peru e Argentina.


- 14/7: B. Ghebre Michael (Etiópia, 1791-1855), lazzarista; convertido da Igreja Copto-ortodoxa, sofreu perseguição e martírio; é o primeiro sacerdote etiópico do Vicariato da Abissínia.


- 15/7: S. Vladimir (+1015), príncipe da Rússia de Kiev, converteu-se (988) e tornou-se o fundador do cristianismo na Ucrânia.


- 15/7: BB. Inácio de Azevedo, sacerdote, e outros 38 mártires jesuítas espanhóis e portugueses, mortos pelos piratas no alto mar (perto da ilhas Canárias, +1570), durante a viagem para o Brasil.


- 15/7: B. Ana M. Javouhey (1779-1851), francesa, fundadora das Irmãs de S. José de Cluny, para os necessitados e as missões.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»


 

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