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Palavra de Deus

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«No deserto um homem sabe quanto vale»

I Domingo da Quaresma - Ano B – 18.2.2018


 


Génesis 9,8-15


Salmo 24


1Pedro 3,18-22


Marcos 1,12-25


 


Reflexões


«No deserto um homem sabe quanto vale: vale quanto valem os seus deuses», isto é, os seus ideais, os seus recursos interiores. Escreve-o António de Saint-Exupéry, o autor do Pequeno Príncipe. No deserto, também Jesus demonstrou quanto vale! No deserto na sua realidade de Deus-em-carne-humana: lá defrontou-se com as tentações de Satanás, saiu vitorioso, embora tendo, mais tarde, na paixão, de pagar as consequências das suas desconcertantes e impopulares escolhas humano-divinas. O momentâneo fracasso da cruz, porém, foi superado definitivamente na ressurreição, com a qual Jesus demonstrou a validade e a bondade das suas escolhas. Jesus precedeu-nos no deserto e, como cristãos, somos chamados a fazer o mesmo percurso. É o único caminho que nos leva à Vida!


A celebração da Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão» (oração da colecta), repropõe os temas fundamentais da salvação e da missão: o primado de Deus e o seu plano de amor para o homem, a redenção que nos é oferecida de maneira gratuita no sacrifício de Cristo, a luta permanente entre pecado e vida da graça, as relações de fraternidade e respeito a manter com os próprios semelhantes e com a Criação… As tentações (Evangelho) não foram para Jesus um artifício-disfarce: foram tentações reais, como o são para o cristão e para a Igreja. «Se Cristo não tivesse vivido a tentação como tentação real, se a tentação não tivesse significado nada para ele, homem e messias, a sua reacção não poderia ser um exemplo para nós, porque não teria que ver com a nossa» (C. Duquoc). Mas dado que foi posto à prova, Ele é capaz de vir em socorro de quem está na provação (cf. Heb 2,18; 4,15).


Jesus defrontou-se realmente com Satanás (v. 13) sobre as possíveis escolhas de método e de caminho para realizar a Sua missão de Messias. Cada uma das três tentações – relatadas nos outros Evangelhos sinópticos de Mateus e Lucas – representa um modelo de Messias, e portanto um modelo de missão. As tentações eram «três atalhos para não passar pela cruz» (Fulton Sheen). A tentação de se tornar: 1º, um «reformador social» (converter as pedras em pão para si e para todos teria garantido um sucesso popular); 2º, um «messias milagreiro» (um gesto espetacular teria garantido fama e brilhantismo); 3º, um «messias do poder» (um poder baseado no domínio do mundo teria satisfeito o orgulho pessoal e de grupo). Jesus supera as tentações: escolhe respeitar o primado de Deus, confia no Pai e faz seu o plano divino para a salvação do mundo. Aceita a cruz por amor e morre perdoando: só assim, quebra a espiral da violência e tira à morte o veneno. Desde então, é possível um caminho novo, em humildade, verdade e fraternidade. (*)


Jesus enfrenta as tentações na força do Espírito (v. 12), do qual está repleto desde o seio de sua Mãe e pelo baptismo acabado de receber (Mt 1,10). É o Espírito da Páscoa, do Pentecostes e da missão. Por vezes, infelizmente, acreditou-se que dinheiro, poder, domínio, presumível superioridade, super activismo, etc., fossem caminhos apostólicos de evangelização. O missionário é tentado também por estas ilusões; precisa, portanto, do Espírito de Jesus, agente principal da evangelização (EN 75) e protagonista da missão RM 21). O Espírito ajuda a compreender que o deserto quaresmal é um tempo de graça (kairós): tempo das coisas essenciais, um tempo a preencher com os valores que perduram, um dom a viver no silêncio, longe dos inquinamentos do barulho, pressa, dinheiro, futilidades, evasões, mentiras… Mais do que uma obrigação penosa, o «converter-se» programático de Jesus é um convite a mudar de caminho; é o percurso verdadeiro que conduz à vida: «acreditai no Evangelho», isto é, no próprio Jesus (v. 15). É Ele a boa notícia a viver e a levar a outros.


No caminho em ordem à Páscoa, os temas da conversão e do baptismo são já apresentados nas leituras de hoje. São Pedro (II leitura) é explícito em vincular à conversão baptismal também a experiência de Noé e dos seus, salvos por meio da água, tornada «imagem do baptismo, que agora vos salva» (v. 20-21),em virtude de Jesus Cristo, morto e ressuscitado (v. 18.21).


Noé não era nem israelita, nem cristão, nem muçulmano, mas «homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos e caminhava com Deus» (Gn 6,9). Nele, Deus estabeleceu a primeira aliança com a humanidade (I leitura), ainda antes que com Abraão: uma aliança universal, com todos os povos. Uma aliança não sobre base étnica ou religiosa, mas simplesmente sobre a base da comum natureza humana. Uma aliança nunca revogada, em vigor hoje e para sempre. Uma aliança na base no diálogo possível com todas as expressões religiosas e culturais. A aliança diz respeito às pessoas – «convosco e com os vossos descendentes» (v. 9) –, mas também «com todos os seres vivos… com todos os animais» (v. 10). Deus é o primeiro ecologista: é cioso de cada uma das suas criaturas! O sinal de tal aliança, escolhido pelo próprio Deus, é o arco-íris sobre as nuvens (v. 13), que se eleva como símbolo da vontade de salvação por parte de um Deus que nunca se cansa da humanidade: nenhuma malvadez humana poderá alguma vez induzi-lo a destruir as suas criaturas. O arco das setas de morte tornou-se, por iniciativa de Deus, arco de bons auspícios: de paz e prosperidade, diálogo e partilha, verdade e fraternidade.


Palavra do papa


(*) «Um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença. Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.».


Papa Francisco


Mensagem para a Quaresma 2015


No encalço dos Missionários


- 18/2: S. Francisco Regis Clet (1748-1820), sacerdote francês da Congregação da Missão, missionário durante 30 anos na China e mártir.


- 18/2: S. Alberico Crescitelli (1863-1900), sacerdote do PIME, missionário na China e mártir (2/7) na revolta dos boxers. Celebra-se hoje no aniversário da sua beatificação.


- 19/2: Vários povos do Extremo Oriente (China, Coreia, Vietname…) celebram o novo ano lunar. Paz, prosperidade, harmonia e gratidão ao Céu são valores universais que são realizados neste feriado tradicionalmente alegre.


- 22/2: Festa da Cadeira de S. Pedro, e do Papa, enquanto vigário de Cristo e de Pedro, chamado a presidir na caridade, para o serviço da unidade na Igreja e da missão no mundo inteiro.


- 22/2: B. Diego Carvalho (1578-1624), sacerdote jesuíta português, missionário e mártir em Sendai (Japão), juntamente com muitos outros companheiros.


- 23/2: S. Policarpo (†ca. 155), discípulo do Apóstolo S. João, bispo de Esmirna, último dos Padres Apostólicos.


- 23/2: B. Josefina Vannini (1859-1911), religiosa italiana, que, juntamente com o sacerdote camiliano B. Luís Tezza, fundou a congregação das Filhas de S. Camilo, para o serviço aos doentes.


- 24/2: B. Ascensão Nicol Goñi (1868-1940), religiosa espanhola, co-fundadora das Missionárias Dominicanas do SS.mo Rosário, com carisma missionário e educativo.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»