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Papa em Myanmar: Respeitar todos os grupos étnicos

29 de Novembro de 2017

No primeiro discurso diante de Aung San Suu Kyi e das autoridades do país, Francisco não pronuncia a palavra com que é chamado o grupo étnico de religião islâmica; manifesta a esperança de uma paz baseada no "estado de direito" e em uma ordem democrática que permita a todos, "ninguém excluído, oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum"


La Stampa - Publicado em 28/11/2017


Andrea Tornielli


Não pronuncia nunca a palavra Rohingya, o grupo étnico de religião islâmica que vive em Mianmar e foi objeto de discriminação e perseguição. Mas a referência a ele nas suas palavras é clara. O papa Francisco fala perante as autoridades de Myanmar no grande auditório do Centro Internacional de Convenções, na nova capital do país, Nay Pyi Taw. A ouvi-lo estão a Conselheira de Estado e Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi (fundadora da Liga Nacional para a democracia, inspirada na não-violência de Gandhi, e que, durante quinze anos, foi condenada à prisão domiciliar pelo regime militar), os membros do governo de Myanmar e o corpo diplomático. A Igreja Católica local tinha pedido ao Pontífice para não mencionar os Rohingya no seu discurso, para não provocar novas reações violentas num país com uma democracia ainda frágil, onde os militares continuam a ter uma grande influência. Francisco aceitou o pedido, mas sem renunciar a um apelo claro em defesa das minorias.


No seu discurso de saudação, Aung San Suu Kyi fala do território em que vivem os Rohingya, sem mencioná-los: "Entre os muitos desafios que nosso governo está a enfrentar, a situação no estado de Rakhine chamou a atenção do mundo. Ao tempo em que enfrentamos problemas de longa data em nível social, económico e político, que afetaram a confiança e a compreensão, a harmonia e a cooperação entre as diversas comunidades de Rakhine, o apoio do nosso povo e dos bons amigos que só querem ver-nos ter sucesso em nossos esforços, foi inestimável. Sua Santidade, os dons de compaixão e encorajamento que nos traz serão valiosos, ao mesmo tempo que acolhemos as suas palavras na mensagem por ocasião do quinquagésimo «Dia Mundial da Paz», em 1º de janeiro de 2017".


No seu discurso, o Papa Bergoglio afirma: "Gostaria também que a minha visita pudesse abraçar toda a população de Myanmar e oferecer uma palavra de encorajamento a todos os que estão trabalhando para construir uma ordem social justa, reconciliada e inclusiva". Em seguida, depois de mencionar a beleza e os recursos naturais do país, lembra que o seu povo "sofreu muito e ainda sofre, por causa de conflitos internos e de hostilidades que duraram tempo demais e criaram profundas divisões". A nação, observa ainda Francisco, "está agora empenhada em restaurar a paz" e, portanto, "a cura destas feridas impõe-se como uma prioridade política e espiritual fundamental". O Papa menciona os esforços do governo e a Conferência de Paz de Panglong, que reúne os representantes dos vários grupos, "na tentativa de pôr fim à violência, de construir confiança e de garantir o respeito dos direitos de todos os que consideram esta terra a sua casa".


Depois lembra que a paz e a reconciliação podem avançar "somente por meio do compromisso com a justiça e com o respeito pelos direitos humanos" e que os conflitos devem ser resolvidos com o diálogo "e não pelo uso da força". "O futuro de Myanmar – acrescenta o Papa – deve ser a paz, uma paz baseada no respeito pela dignidade e pelos direitos de todos os membros da sociedade, no respeito por cada grupo étnico e pela sua identidade, no respeito pelo estado de direito e por uma ordem democrática que permita a cada indivíduo e a cada grupo – nenhum excluído – oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum".


"As diferenças religiosas – explica Bergoglio, ainda falando às autoridades de Mianmar – não devem ser fonte de divisão e de desconfiança, mas sim uma força a favor da unidade, do perdão, da tolerância e da correta construção do país. As religiões podem desempenhar um papel significativo na cura das feridas emocionais, espirituais e psicológicas dos que sofreram durante os anos de conflito".


Mas, apesar das discriminações e perseguições perpetradas pelos nacionalistas budistas contra esta minoria islâmica, também há sinais positivos. Para o Papa "é um grande sinal de esperança que os líderes das várias tradições religiosas deste país se estejam comprometendo a trabalhar juntos, com espírito de harmonia e de recíproco respeito pela paz, para ajudar os pobres e para educar nos autênticos valores religiosos e humanos".


Por fim, Francisco lembrou a importância da formação juvenil, "não só nos campos técnicos, mas sobretudo nos valores éticos da honestidade, integridade e solidariedade humanas, que podem garantir a consolidação da democracia e o crescimento da unidade e da paz em todos os níveis da sociedade". E a "justiça intergeracional" também exige que as gerações futuras "possam herdar um ambiente natural não contaminado pela ganância e pela pilhagem humana".


Traduzido por Orlando Almeida, antigo aluno comboniano.

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