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Sussurro de anjos

21 de Dezembro de 2017

Neste Natal, com Jesus renasce a esperança e acreditamos que somos anjos de Deus para a humanidade


Estamos na época de Natal, ainda se a seca que permanece no nosso país – e em muitas outras regiões do planeta – nos invoca outras estações e nos relembra a crise que vivem muitos dos nossos conterrâneos e a humanidade. No mundo existe muito sofrimento, tristeza, desânimo e desesperança. Nas nossas sociedades ocidentais, orientadas pela lógica do capitalismo selvagem e o consumismo desenfreado, emergem e fortalecem-se desigualdades, pobrezas e marginalizações. Persistem situações de guerra, robustecem-se os negócios de armas e o mundo continua a viver a «terceira guerra mundial aos pedaços», como refere o Papa Francisco. O tráfico de pessoas não se detém, milhões de crianças são exploradas e usadas como mão-de-obra barata pelas grandes companhias ou obrigadas a empunhar armas para defender causas alheias.


Não obstante este diagnóstico sombrio e desesperançado, acreditamos na bondade fundamental da vida. São milhares as pessoas que no mundo lutam por um presente e um futuro melhor (como os testemunhos que, cada mês, apresentamos nas páginas da Além-Mar). Peter Berger, sociólogo austro-norte-americano, falecido em Junho passado, escreveu um livro brilhante – em que relativiza as teses da secularização –, intitulado Um rumor de anjos: a sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural (Vozes, 1997). Na obra, descreve inúmeros sinais de transcendência na sociedade (a que chama «rumor de anjos»). Esses sinais são os gestos humanos prototípicos, que desvelam sinais de transcendência. A esperança é apresentada pelo autor como um dos elementos essenciais à condição humana. Mesmo num «mundo onde o homem está cercado de todos os lados pela morte, ele continua um ser que diz “não!” à morte – e através deste “não!” é levado à fé num outro mundo, cuja realidade valida sua esperança como algo diferente da ilusão».


É Natal. Jesus, o Menino de Belém, é para nós o rosto do Pai. Os anjos em Belém anunciavam aos pobres pastores, os preferidos de Deus: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 10-11). Jesus é a nossa Vida. Jesus é o nosso Salvador. Com Ele, a esperança não morre. Ele está connosco nas lutas quotidianas. Como escreveu Fernando Pessoa: «Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro./ Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava./ Ele é o humano que é natural,/ Ele é o divino que sorri e que brinca./ / E por isso é que eu sei com toda a certeza/ Que ele é o Menino Jesus verdadeiro./ E a criança tão humana que é divina/ / É esta minha quotidiana vida de poeta,/ E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,/ E que o meu mínimo olhar/ Me enche de sensação,/ E o mais pequeno som, seja do que for,/ Parece falar comigo.»


Neste Natal, com Jesus, o Emanuel, renasce a esperança e acreditamos que somos anjos de Deus para a humanidade. Cremos que somos porta-vozes de boas notícias e alegres mensageiros de Deus, do seu amor e da sua misericórdia. Neste Natal, queremos sussurrar no coração da humanidade desanimada «a vida triunfará».


Ir. Bernardino Frutuoso, comboniano


Director da revista “Além-Mar”

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