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Actualidades

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Verbos criativos

12 de Janeiro de 2018

Para Francisco, a resposta à crise dos migrantes e refugiados faz-se através de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.


Celebramos no dia 14 de Janeiro o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Uma realidade trágica, que afecta milhões de pessoas. Fogem da guerra, da fome, da miséria (só em 2017 houve mais de dois milhões de vítimas de deslocamento forçado). O Papa Francisco, na mensagem para esta jornada, expressa a solicitude da Igreja para com os migrantes, os desalojados, os refugiados e as vítimas de tráfico humano. O Santo Padre centra a sua reflexão e a resposta da comunidade eclesial por meio de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. São verbos activos e criativos que nos impulsam ao compromisso pessoal, eclesial e social.


Acolher significa, explica o papa, «oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino. Neste sentido, é desejável um empenho concreto para se incrementar e simplificar a concessão de vistos humanitários e para a reunificação familiar».


O segundo verbo, proteger, «conjuga-se numa ampla série de acções em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, independentemente da sua situação migratória».


Promover significa, fundamentalmente, «empenhar-se para que todos os migrantes e refugiados, bem como as comunidades que os acolhem, tenham condições para se realizar como pessoas em todas as dimensões que compõem a humanidade querida pelo Criador».


Integrar, situa-se «no plano das oportunidades de enriquecimento intercultural geradas pela presença de migrantes e refugiados».


De acordo com a sua tradição pastoral, afirma o Santo Padre, «a Igreja está disponível para se comprometer, em primeira pessoa, na realização de todas as iniciativas propostas acima, mas, para se obterem os resultados esperados, é indispensável a contribuição da comunidade política e da sociedade civil, cada qual segundo as próprias responsabilidades». A tradição judaico-cristã sempre afirmou que quem acolhe o estrangeiro, hospeda anonimamente a Deus. Por isso, sublinha o papa, «cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43)».


Francisco espera que estas acções acompanhem a definição e aprovação por parte das Nações Unidas dos pactos globais relativos aos migrantes e refugiados cujo processo decorrerá ao longo deste ano. Acordos que é necessário decidir e pôr em prática urgentemente, perante o drama de milhões de irmãos e irmãs que sofrem. A hospitalidade é um direito de todos, não podemos continuar a levantar muros. Nesta lógica, são pertinentes as ideias expressadas no livro QS – Inteligência Espiritual, da física quântica e filósofa anglo-americana Danah Zohar e do psiquiatra Ian Marshall. Os autores falam da existência de um terceiro quociente: a inteligência espiritual. É essa inteligência que nos possibilita ser criativos, ter valores e fé. Permite-nos lutar pelos nossos sonhos e dar significado à nossa existência. Os autores assinalam que nós e os outros somos um só, que não há separação, que nós e o «estranho» somos aspectos da única e mesma vida. Se a humanidade fosse espiritualmente inteligente, com certeza poderíamos transcender as dificuldades e mudar, com paixão e compaixão criativas, o trágico destino dos milhares de migrantes e refugiados que, sonhando com uma vida melhor, chegam à nossa porta.


Bernardino Frutuoso, Director da revista Além-Mar.

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