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Palavra de Deus

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Missão: Evangelho e libertação do mal

IV Domingo do Tempo Comum: Ano B – 28.01.2018


 


Deuteronómio 18,15-20


Salmo 94


1Coríntios 7,32-35


Marcos 1,21-28


 


Reflexões


«Deus é médico e é também medicamento!», dizia justamente o santo capuchinho Leopoldo Mandic (1866-1942) aos seus penitentes no confessionário de Santa Cruzem Pádua. Palavrasem total sintonia com o trecho evangélico de hoje. Desde o início do seu Evangelho, Marcos apresenta Jesus como uma figura extraordinária em palavras e gestos: um mestre que provoca admiração, porque ensina com autoridade moral (v. 22), isto é, com eficácia; um taumaturgo que com um simples gesto e uma ordem («cala-te, sai») expulsa de um homem um espírito impuro (v. 25-26). Temor, surpresa, fama, admiração, mas também muitas esperanças, são os sentimentos que aquele novo Rabi misterioso, convincente e poderoso, suscita no coração de todos «imediatamente por toda a parte» (v. 28). Dessa forma, toma corpo em Jesus aquele profeta ideal que Deus tinha prometido ao seu povo por meio de Moisés (I leitura). Em poucas linhas, Marcos lança as bases para que o catecúmeno – e hoje o cristão – possa fazer um progressivo caminho à descoberta de Cristo, um itinerário de escuta e de procura, caminhando da obscuridade para a luz, para a Páscoa e a missão.


O episódio do homem possesso por um espírito impuro, que grita e se contorce, induz a algumas reflexões sobre a existência dos espíritos do mal que, em formas múltiplas e dramáticas, atormentam as pessoas no corpo, na psique e no espírito. É sabido que algumas manifestações atribuídas ao diabo, eram, e são ainda hoje, simplesmente doenças, mesmo se pouco conhecidas. Este facto porém não deve justificar as dúvidas sobre a existência do espírito maligno ou sobre a acção negativa que tal espírito tem sobre as pessoas. Negá-lo seria ingenuidade, que serviria apenas para favorecer a expansão do mal no mundo. Os Evangelhos apresentam-nos numerosos milagres de Cristo sobre pessoas que eram vítimas de males estranhos de natureza psicossomática. A acção sanativa de Jesus abarca a pessoa de modo integral: Ele cura, simultaneamente, o corpo, a psique e a alma.


Para fazer frente ao mal, ao destino e às forças negativas em geral, todos os povos fizeram recurso a meios como o espiritismo, a adivinhação, o ocultismo, confiando-se a magos, bruxos, astrólogos, feiticeiros, videntes, adivinhos, horóscopos, etc… Deus tinha já proibido estas práticas ao seu povo (Dt 18,10-11). Porque se trata, demasiadas vezes, de um obscuro mundo de fraudes, que explora – em troca de chorudas compensações económicas – os receios, a ingenuidade, a credulidade das pessoas, a ignorância sobre Deus, gerando falsas consolações, seguidas rapidamente por frustrações e desespero. Segundo a experiência comum dos missionários que operam em várias partes do mundo, medos e enganos são sinais típicos de paganismo. Mas são realidades que continuam a serpentear entre os cristãos, quando estes não estão totalmente convertidos interiormente: quando não aprenderam, por um lado, a aceitar alguns limites conaturais à vida humana e, por outro, a confiar na orientação amorosa e providente do Pai da Vida. Frequentemente alguns resíduos de paganismo continuam a conviver em pessoas crentes, por vezes também em pessoas de vida consagrada.


O caminho de conversão é necessário para todos e dura toda a vida, porque cada pessoa humana nasce pagã, isto é, não cristã. Uma pessoa não nasce cristã: torna-se cristã. O caminho de conversão recomeça com cada pessoa que nasce: de facto, o Baptismo não é senão o início de um processo de crescimento espiritual. A conversão cristã consiste na progressiva libertação dos medos, dos ídolos e das múltiplas formas de falsidade. Expondo-se sem véus à verdade do Evangelho, cada pessoa faz experiência e dá testemunho da liberdade interior que brota da adesão a Cristo. Os santos são pessoas que, com a graça divina, atingiram um maior grau de libertação das formas de paganismo. De facto, a adesão a Cristo gera liberdade, porque só Ele é a verdade que torna livres (Jo 8,32; 14,6). Porque Jesus, com o seu sofrimento ajuda-nos a dar sentido ao nosso sofrimento e a enfrentar as provações com serenidade. (*)


A pregação evangelizadora, embora sempre benévola e compreensiva para com as pessoas que erram ou são doentes, deve ser vigorosa e acutilante contra o mal. O facto que o endemoninhado do Evangelho, esteja primeiro tranquilo na sinagoga e, depois do ensinamento autorizado de Jesus, comece a rebelar-se e a gritar contra Ele (v. 22-24), convida a reflectir sobre a força e autenticidade da nossa pregação. Esta não pode ser indulgente ou branda para com o mal, por medo de incomodar, mas deve sacudir as consciências, estimular as pessoas a uma mudança de vida e indicar o caminho que conduz ao encontro verdadeiro com Deus e com os irmãos, na comunidade dos crentesem Cristo. Sóassim o anúncio missionário do Evangelho de Jesus exerce o seu poder libertador e salvador: expulsa os demónios, cura as feridas, renova e transforma as pessoas desde dentro.


Palavra do Papa


(*) «O sacerdote é chamado a aprender isto, a ter um coração que se comove. Os presbíteros — permiti que use esta palavra — «ascetas», aqueles «de laboratório», completamente limpos e bonitos, não ajudam a Igreja. Hoje podemos pensar a Igreja como um «hospital de campo». Isto, perdoai-me se repito, porque o vejo assim, porque o sinto assim: um «hospital de campo». É necessário curar as feridas, e elas são numerosas. Há tantas chagas! Existem muitas pessoas feridas por problemas materiais, por escândalos, até na Igreja... Pessoas feridas pelas ilusões do mundo... Nós, sacerdotes, devemos estar ali, próximos destas pessoas. Misericórdia significa, antes de tudo, curar as feridas».


Papa Francisco


Discurso aos párocos da Diocese de Roma – 6 de Março de 2014


No encalço dos Missionários


28/1: S. Tomás de Aquino, doutor da Igreja; a sua Suma contra Gentiles é um dos primeiros manuais para missionários entre os não cristãos, em particular os muçulmanos.


- 29/1: S. José Freinademetz (1852-1908), da Sociedade do Verbo Divino.


- 30/1: Memória de Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como «Mahatma» (alma grande) da Índia (1869-1948), líder da «não-violência-activa», assassinado em Deli.


- 31/1: S. João Bosco (1815-1888), fundador da família Salesiana; enviou os primeiros missionários salesianos para a Argentina.


- 31/1: B. Candelária de S. José (Susanna Paz-Castillo Ramírez). Nasceu e viveu na Venezuela (1863-1940) e fundou uma congregação ao serviço dos doentes e necessitados.


- 1/2: B. Luís Variara (1875-1923), missionário salesiano italiano, que viveu entre os leprosos e morreu em Cúcuta (Colômbia).


- 2/2: Apresentação do Senhor Jesus, proclamado como «salvação oferecida a todos os povos, luz para se revelar às nações» (Lc 2, 31-32). – Dia da Vida Consagrada.


- 2/2: S. João Teofano Vénard (1829-1861), sacerdote da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris, mártir em Hanoi (Vietname). As suas cartas inspiraram também Santa Teresa de Lisieux no amor e dedicação às missões.


- 3/2: B. Maria Helena Stollenwerk (†1900): juntamente com S. Arnoldo Janssen (15/1) e a B. Josefa Stenmanns (20/5) fundou em Steyl (Holanda) as Missionárias Servas do Espírito Santo.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»