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Igreja em Myanmar vive momento histórico com o Papa

30 de Novembro de 2017

“A vida dos católicos em Myanmar jamais será a mesma”, foram estas as palavras que o Cardeal-Arcebispo de Yangun, Charles Bo, utilizou para resumir a visita de quatro dias do Papa ao país.


Como havia anunciado o próprio Francisco antes de partir, a finalidade principal era confirmar os irmãos na fé em meio às provações e aos desafios de um país que, aos poucos, tenta deixar para trás quase 60 anos de ditadura militar.


E as expectativas, seja da parte da comunidade católica local, seja da parte do Pontífice, foram amplamente confirmadas. As 16 dioceses do país se mobilizaram para acolher o seu pastor. Os fiéis não pouparam esforços para estar presentes na única missa pública em Yangun, o que comoveu o Papa Francisco. Sincero foi o encontro com os Bispos. Vibrante, com os jovens.


Com uma população de maioria budista em Myanmar, a viagem do Pontífice tinha certamente uma conotação inter-religiosa. Um evento extraoficial reuniu 17 líderes na sede do Arcebispado para ressaltar a “unidade na diversidade” e reunião com o Conselho Supremo dos monges reafirmou a colaboração e o respeito mútuo.


A diplomacia não ficou de fora. Francisco foi pego de surpresa ao receber a visita do general Min Aung Hlaing assim que chegou a Yangun. O Chefe das Forças Armadas alterou o programa estabelecido e adiantou seu encontro com o Papa, inicialmente previsto para o último dia, 30 de novembro. Com a Conselheira de Estado, Aung San Suu Kyi, o Pontífice reafirmou seu apoio ao processo de transição e reconciliação, no respeito de todas as etnias do país, justamente num momento que a líder histórica se encontra acuada entre a oposição no seu próprio país e as críticas da comunidade internacional. "O futuro de Myanmar é a paz", disse o Pontífice.


A visita também incluiu o tema do respeito do meio ambiente diante das riquezas naturais de Myanmar, que são também fonte de conflito e devastação e, consequentemente, de sofrimento para a população.


Agora a visita prossegue em Bangladesh, com outros temas e desafios, sendo um deles os efeitos da globalização da indiferença.


Francisco aterrou esta quinta-feira, 30 de novembro, no aeroporto internacional de Daca. Após a cerimónia de boas-vindas, o Santo Padre visitou o Memorial Nacional dos Mártires, em Savar, para uma homenagem ao Pai da Pátria no Bangabandhu Memorial Museum e assinatura no Livro de Honra.


A seguir, haverá a visita de Cortesia ao Presidente no Palácio Presidencial e, por fim, o encontro com as Autoridades, com a Sociedade Civil e com o Corpo Diplomático.

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