PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

Missionário com bagagem leve

XV Domingo do Tempo Comum: Ano B – 15.7.2018


 


Amós 7,12-15


Salmo 84


Efésio 1,3-14


Marcos 6,7-13


 


Reflexões


Pobres para ser livres e credíveis! É esta em síntese a mensagem de Jesus, que chama e envia os seus discípulos pelo mundo, dois a dois (Evangelho), com uma mensagem de vida: convidar à conversão e a libertar a gente dos espíritos impuros e das doenças (v. 7.12-13). A linguagem de Jesus acerca do modo e dos instrumentos para o anúncio é dura e exigente, até ao paradoxo. O objectivo é claro: fazer compreender a eficácia da missão (de Jesus e dos discípulos) não depende da quantidade dos meios materiais de que se dispõe nem do favor dos poderosos que, eventualmente, a promovem ou protegem. Estes poderes humanos não fazem senão enfraquecer a mensagem evangélica, privando-a da sua força interior e condicionando quer o missionário quer os destinatários do anúncio.


A abundância de meios, a organização, o favor dos poderosos não deve ofuscar a transparência e a credibilidade da mensagem que o profeta/missionário é chamado a anunciar com liberdade. A experiência do profeta Amós é emblemática (I leitura). Amasias, sacerdote do templo de Betel, no reino da Samaria, goza dos favores do rei Jeroboão II (VIII séc. a.C.); é um alto funcionário da corte, mas perdeu a sua liberdade; chega a repudiar Amós, profeta de Deus, proveniente do sul e enviado ao reino do norte: Vai-te daqui, vidente para a tua terra de origem (v. 12). Amasias, cúmplice da estrutura real, não tem mais uma mensagem da parte de Deus e não consegue suportar que Amós, homem rude, pastor e camponês (v. 14), tenha a coragem de atacar asperamente os abusos dos dirigentes, rei incluído, dos proprietários de terras, dos comerciantes… que exploram avidamente os pobres (veja-se os cap. 5,6,8). Ainda por cima Amós não tem medo de denunciar a prática religiosa meramente exterior e incoerente. À hostilidade de Amasias, Amós responde apresentando decididamente as suas credenciais: foi o Senhor que o tirou da guarda do rebanho e dos campos e o enviou a fazer de profeta. Portanto ele não sairá dali.


Jesus está na esteira dos profetas mais radicais. É vigorosa a sua insistência sobre a pobreza (Evangelho), como condição para a missão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro. «É uma pobreza que é fé, liberdade e leveza. Acima de tudo, liberdade e leveza: um discípulo sobrecarregado pelas bagagens torna-se sedentário, conservador, incapaz de colher a novidade de Deus e muito hábil em arranjar mil razões de conveniência para considerar irrenunciável a casa na qual se acomodou e da qual não quer mais sair (demasiadas malas para fazer, demasiadas seguranças a que renunciar). Mas a pobreza é também fé: é sinal de quem não confia em si mesmo, mas se entrega a Deus. A rejeição está prevista (V. 11): a Palavra de Deus é eficaz, mas a seu modo. O discípulo deve proclamar a mensagem e jogar-se completamente nela, mas deve deixar a Deus o resultado. Ao discípulo foi confiada uma tarefa, não garantido um sucesso» (Bruno Maggioni. O sucesso é obra e é evidente ao Espírito, alma da Igreja. (*)


Vem a propósito a reflexão de domingo passado, partindo do testemunho de Paulo: a verdadeira missão realiza-se na fraqueza. Todos os discípulos – cada um de nós – são chamados e enviados a levar o Evangelho de Jesus, mas não como um empreendimento pessoal, e sim como membros da fraternidade nova inaugurada por Jesus (enviou-os «dois a dois»; «onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome…»). Por isso cada discípulo recebeu gratuitamente de Deus o dom maravilhoso de conhecer Jesus Cristo. Paulo (II leitura) confirma-o com uma linguagem altamente teológica: em Cristo o Pai escolheu-nos e abençoou-nos para sermos santos, irrepreensíveis, filhos adoptivos, recompensados, redimidos, perdoados (v. 3-7), com a marca do Espírito: «Em Cristo também vós, depois de ter ouvido a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, e de ter acreditado, fostes marcados pelo Espírito Santo» (v. 13). Deste modo habilitou-nos para a missão ao serviço do plano de Deus (v. 14) para a vida da família humana.


Palavra do papa


 (*) «O Espírito Santo é a alma da Igreja. Sem Ele, ao que se reduziria ela? Sem dúvida, seria um grande movimento histórico, uma instituição social complexa e sólida, talvez uma espécie de agência humanitária. E na verdade é assim que a julgam quantos a consideram fora de uma perspectiva de fé. Na realidade, porém, na sua verdadeira natureza e também na sua mais autêntica presença histórica, a Igreja é incessantemente plasmada e orientada pelo Espírito do seu Senhor. É um corpo vivo, cuja vitalidade é precisamente o fruto do invisível Espírito divino».


Bento XVI


Regina Caeli na solenidade do Pentecostes, 31.5.2009


No encalço dos Missionários


- 15/7: S. Vladimir (†1015), príncipe da Rússia de Kiev, converteu-se (988) e tornou-se fundador do Cristianismo na Ucrânia.


- 15/7: BB. Inácio de Azevedo, sacerdote, e outros 38 companheiros jesuítas espanhóis e portugueses, mortos pelos piratas no mar (perto das Ilhas Canárias, †1570) quando estavam em viagem em direcção ao Brasil.


- 15/7: B. Ana M. Javouhey (1779-1851), francesa, missionária fervorosa, fundadora das Irmãs de S. José de Cluny, para os necessitados e as missões.


- 16/7: Nossa Senhora do Carmo ou do Monte Carmelo, lugar que foi de refúgio ao profeta Elias; tornou-se lugar inspirador da Ordem dos Carmelitas.


- 16/7: BB. André de Soveral, jesuíta brasileiro, e Domingos Carvalho, mortos durante a celebração da Missa (†1645) em Cunhaú, perto de Natal (Brasil).


- 17/7: BB. Teresa de Santo Agostinho (M. M. Claudina Lidoine) e outras 15 religiosas carmelitas descalças, guilhotinadas em Paris (†1794), nos anos da Revolução Francesa. Na mesma época, em diversos lugares da França foram mortos, por motivos anti-religiosos, numerosos sacerdotes e religiosas.


- 18/7: Dia Internacional dedicado pela ONU a Nelson Mandela (nascido a 18-7-1918 + 2013), por sua contribuição a cultura da paz, da liberdade, da democracia internacional e as atividades humanitárias.


- 20/7: S. Apolinar (s. II), primeiro bispo de Classe-Ravena (Noroeste de Itália), evangelizador de Emilia-Romaña e mártir.


- 20/7: S. Frumencio (+380 ca.), fundador da Igreja na Etiópia, primeiro bispo de Axum; foi ordenado por S. Atanasio.


- 21/7: S. Lorenzo de Brindis (1559-1619), capuchino italiano, percorreu muitas regiões da Europa pregando o Evangelho e realizando missões de reconciliação. É doutor da Igreja.


 -  21/7: S. Alberico Crescitelli (1863+1900), sacerdote italiano do PIME, missionário e mártir na China, assassinado de maneira atroz na rebelião dos boxeadores.


- 21/7: Memória de Albert Lutuli (1898-1967), maestro sul-africano, político e pregador religioso, líder da não-violência, activista contra o sistema de apartheid sul-africano. Recebeu o Prémio Nobel da Paz (1960) e o Prémio de Direitos Humanos da ONU, a título póstumo (1968).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»