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Mundo: Fome aumenta e atinge 821 milhões

11 de Setembro de 2018

Informação é de estudo produzido por cinco agências das Nações Unidas. Situação piorou nos últimos três anos e afeta uma em cada nove pessoas no mundo. Houve melhoras no Brasil e Angola, mas piorou em Moçambique e Guiné-Bissau.


O número de pessoas subnutridas aumentou de 804 milhões em 2016 para cerca de 821 milhões em 2017. O relatório “Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo em 2018”, divulgado esta terça-feira, 11 de setembro, revela que o mundo regressou a níveis registados há 10 anos.


De acordo com a pesquisa, sem mais esforços urgentes, a comunidade internacional não vai cumprir o objetivo de erradicar a fome até 2030.


“É preciso melhorar a coordenação entre os órgãos internacionais e intergovernamentais, visando fortalecer as capacidades dos governos para que eles mesmo definam e implementem as políticas mais adequadas para a sua própria realidade. E é preciso implementar ações que fortaleçam a resiliência dos meios de subsistência e dos sistemas alimentares, inclusive as estratégias que visam a resiliência face aos eventos climáticos extremos”, afirma Anna Kepple, especialista em segurança alimentar e nutrição da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).


Segundo o relatório, a situação está a piorar na América do Sul e em algumas regiões de África. A tendência de descida na Ásia também está a desacelerar de forma significativa. Quanto aos países lusófonos, Anna Kepple diz que a situação é difícil.


“A prevalência de subalimentação, que é o indicador de fome que a FAO usa desde longa data, aponta para quadros piores em Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste. Nesses países, é estimado que entre 24% e 30% da população pode estar sem acesso à energia alimentar suficiente para uma vida sã e ativa.”


Em Angola a situação melhorou, passando de 10,7 para 6,9 milhões, e o mesmo se passou no Brasil, descendo de 8,6 milhões para 5,2 milhões.


Em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, a situação manteve-se, com menos de 100 mil pessoas subnutridas nos dois países. Em Portugal, os números também não mudaram, com menos de 300 mil pessoas nesta situação.


A pesquisa aponta a variação do clima e os eventos climáticos extremos, como secas e cheias, como os principais responsáveis pelo aumento da fome, além dos conflitos e da desaceleração económica.


“Os dados do relatório são um sinal claro de que existe muito trabalho para ser feito para alcançar o objetivo de não deixar ninguém para trás em relação à segurança alimentar e nutrição”, indica comunicado da ONU.

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