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A "peregrinação da gratidão" do Papa a Genebra

19 de Junho de 2018

Na conferência de imprensa de 15 de maio passado, na qual participaram em nome da Igreja Católica Mons. Andrzej Choromanski, do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (em substituição ao Presidente Kurt Koch, doente) e o bispo católico de Lausanne-Genebra-Fribourg, Charles Morerod, o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Olav Fykse Tveit, definiu a ida do papa «um marco histórico» para os cristãos, «para a cooperação das Igrejas na busca da unidade» e «para um mundo de paz e de justiça».


A visita de Francisco também será um dos destaques da sessão do Comité Central do CMI, que está a decorrer de 15 a 21 de junho. Constituirá – conforme afirmou Fykse Tveit – «uma oportunidade única para a troca mútua de presentes». E acrescentou: «Nós estamos infinitamente gratos ao Papa Francisco, que aceitou o convite para visitar a sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra».


Com esse encontro será possível partilhar uma visão baseada na fé cristã, que «coloca as Igrejas em condição de realizar muitas coisas juntas a serviço do mundo». Isso corresponde a um dos fundamentos do movimento ecuménico: fazer juntos o que já é possível fazer – disse Fykse Tveit. Por isso foi fácil encontrar um lema comum para a visita do Papa: «Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos».


Nas comemorações também estará presente o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla.


Um serviço comum para o mundo


A visita do Papa Francisco acontece num momento em que forças poderosas procuram dividir e polarizar a família humana, acrescentou Fykse Tveit. Algumas dessas ações provocativas têm como base conflitos de interesses, outras são inclusive alimentadas pela pretensão de uma justificação religiosa. Por isso, é ainda mais importante colocar sinais de esperança, que reconheçam em cada ser humano a imagem de Deus, e oferecer a todos a garantia de estar envolvido nos processos que promovam a justiça e a paz.


A visita do Papa Francisco mostra o quanto os cristãos têm em comum e o que eles podem fazer juntos para um mundo melhor. As diferenças que ainda permanecem, em vista da boa cooperação das Igrejas, não deveriam constituir um obstáculo ao serviço comum para o mundo.


Por sua parte, Mons. Andrzej Choromanski salientou, durante a conferência de imprensa, que «o ecumenismo do sofrimento, do testemunho do sangue para o Evangelho é um sinal dos tempos», que une todos os cristãos para além de todas as diferenças.


O Papa Francisco com a viagem a Genebra pretende justamente participar nas comemorações do 70.º aniversário do Conselho Mundial das Igrejas para expressar diante do Comité Central o reconhecimento pela contribuição especial que o CMI oferece ao movimento ecuménico no plano mundial.


A viagem para Genebra assume assim também os traços de uma "peregrinação de gratidão" para esse tributo ao CMI e em vista da promoção da unidade dos cristãos, dado o bom relacionamento entre o CMI e a Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II.


Entre Roma e Genebra


Por várias razões – explicou Mons. Choromanski – a participação direta da Igreja Católica no Conselho Mundial de Igrejas não é possível num futuro próximo; no entanto, existe uma ampla colaboração entre Roma e Genebra. Entre outras coisas, a Igreja Católica é membro pleno da Comissão Fé e Constituição (Faith and Order) e da Missão Mundial e Evangelismo (World Mission e Evangelism), e existe um grupo de trabalho misto sobre os problemas da paz e da migração.


O Papa Francisco irá, portanto, para caminhar juntos, rezar por uns e pelos outros e, no campo do ‘ecumenismo da ação’, fazer juntos tudo o que é possível fazer juntos. Sem dúvida, também o diálogo teológico é importante, mas as Igrejas podem fazer muito ao serviço da humanidade «mesmo se não estiverem visivelmente unidas».


Quanto ao ecumenismo do sangue poderíamos perguntar-nos se os perseguidores às vezes compreendem melhor a unidade dos cristãos do que os crentes: «Os perseguidores não perguntam a filiação confessional, mas porquê levamos uma cruz ou temos nas mãos uma Bíblia.»


Na mesma conferência de imprensa, o bispo católico de Lausanne-Genebra-Fribourg, Charles Morerod, afirmou que a visita do papa é um convite «a não fechar-se, mas permanecer abertos aos outros». Genebra é a cidade de Calvino, uma cidade internacional, uma das sedes das Nações Unidas, uma cidade «acostumada ao diálogo, porque no curso da nossa história, reconhecemos a necessidade de falar uns com os outros». A experiência da convivência, do encontro que ao longo do tempo se tornou irmandade, é uma característica de Genebra.


O programa da visita


O Papa Francisco aterra em Genebra a 21 de junho, às 10h10. No aeroporto haverá um encontro com o Presidente Federal suíço Alain Berset. Às 11h30, será realizado um culto ecuménico no Centro de Oecumenique do Conselho Mundial de Igrejas, durante a qual o papa fará uma homilia. O almoço será no Instituto Ecuménico de Bossey.


Na parte da tarde haverá um encontro ecuménico no qual o Francisco proferirá um discurso programático, novamente no Center Oecumenique.


Às 17h30, o Papa celebrará a Eucaristia no Centro de Exposições e das Conferências Palexpo. A saudação de despedida terá lugar às 19h45 no aeroporto. Às 20h00, o papa retoma a Roma.


O Comité Central do CMI


A visita do Papa Francisco faz parte da sessão do Comité Central do CMI (agendada de 15 a 21 de junho).


O Comité é composto por 150 membros e reúne-se a cada dois anos. É responsável pelas atividades do Conselho Mundial de Igrejas entre as assembleias plenárias (a última foi realizada em 2013, em Busan, na Coreia do Sul).


A presente assembleia comemora o 70.º aniversário do CMI, mas também aborda os desafios do próximo ano programados para responder ao “convite pela unidade", à missão, à justiça e à paz.


Um papel central será representado pelo conceito de "peregrinação" e "comunhão viva" (living fellowship), desenvolvido nos últimos anos, para imprimir às atividades do Conselho Mundial de Igrejas um novo impulso.


Em 17 de junho, destacou-se o serviço litúrgico ecuménico realizado na Catedral da Igreja Reformada de Genebra, St. Pierre, no qual a homilia foi proferida pelo patriarca ecuménico Bartolomeu I.


Reportagem de settimananews.it


Tradução de Luisa Rabolini

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