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Os braços abertos do acolhimento aos refugiados

19 de Junho de 2018

Num tempo de conflitos armados, de discriminação e discursos de ódio, a atitude que se exige é a do acolhimento, da integração, de apoio, de assistência urgente e de intercâmbio de capacidades.


Em 2017 conheci, em Lisboa, um casal de refugiados. Cristãos, perguntaram-me no fim da primeira reunião onde podiam participar numa eucaristia em inglês, que lhes fazia tanta falta.


Pediram asilo ao nosso país, mas nunca o conseguiram, tais eram os aspectos burocráticos. Fizeram tudo o que podiam até – finalmente – conseguirem juntar o suficiente para abrir um pequeno negócio próprio em Lisboa. Uma loja de produtos da sua região. Uma história de sucesso, mas de um caminho longo, sofrido e solitário e sem o acolhimento fraterno de ninguém.


Os governos europeus são conscientemente cúmplices na tortura e abusos a dezenas de milhares de refugiados e migrantes detidos pelas autoridades de imigração líbias em condições absolutamente chocantes naquele país do Norte de África.


Estão também a falhar na prevenção dos afogamentos no Mediterrâneo.


O acordo de refugiados firmado entre a UE e a Turquia, em Março de 2016, tem igualmente deixado milhares de refugiados e de migrantes em condições de sobrevivência miseráveis e extremamente perigosas. Desde finais de 2016, os Estados-membros da UE puseram em prática uma série de medidas que visam fechar a rota migratória através da Líbia e do Mediterrâneo Central, imitando o acordo com a Turquia.


O acolhimento destas pessoas não seria um problema se todos os países partilhassem a responsabilidade do acolhimento de refugiados, se houvesse rotas seguras e legais por onde pudessem viajar sem se submeterem ao suplício por que passam. No entanto, os líderes mundiais continuam a esquivar-se à responsabilidade pela crise de refugiados, afectando milhões das mais vulneráveis pessoas no mundo.


Portugal recolocou menos requerentes de asilo face ao compromisso assumido no âmbito do Programa de Recolocação da UE – o país recolocou 1518 requentes de asilo que se encontravam na Grécia e Itália, deixando mais de 1400 lugares por preencher de acordo com o compromisso legal feito ao abrigo do Programa de Recolocação da União Europeia. Contudo, as autoridades relataram que dos que foram recolocados mais de 720 pessoas tinham deixado o país no final do ano. São muitas as razões que levam os refugiados a procurarem outros países, nenhuma delas a ingratidão.


O processo burocrático, lento e desesperante, a integração difícil, a dificuldade em obter trabalho, a família longe noutros países da Europa, a quem se querem reunir, são algumas das razões da deslocalização destas pessoas.


Muitos líderes políticos mundiais têm tido um discurso demonizador acerca dos refugiados, chegando a banir a sua entrada. Estes discursos de ódio vão encontrando terra fértil no preconceito, no desconhecimento.


O mundo tem de contrariar esse discurso. O acolhimento, os seus braços abertos são a palavra de ordem. Somos peregrinos neste mundo e no nosso caminho encontramos quem necessite de nós. Passaremos adiante ou deter-nos-emos – como samaritanos – a acolher, de braços bem abertos?


Num tempo em que o mundo vive com tanto ruído e de costas voltadas, é hora de mais amor e menos ódio. É hora de acolhimento, de integração e partilha de vida.


Pedro Neto - Director executivo da Amnistia Internacional Portugal

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