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Senhora da África

10 de Maio de 2018

A Mãe de Deus é evocada como Nossa Senhora da África.


Bento XVI terminou a exortação apostólica Africae munus – o Serviço da África – com uma oração à Mãe de Deus: «A bem-aventurada Virgem Maria, Mãe do Verbo de Deus e Nossa Senhora da África, continue a acompanhar toda a Igreja com a sua intercessão» (n.º 175).


A devoção africana à Mãe de Jesus perde-se nas brumas da memória cristã. Os frescos das antigas igrejas núbias, no que é hoje o Sudão, são testemunho silencioso desse passado de fé. Os três reinos núbios formaram um enclave cristão entre os séculos VI e XV até serem tragados pelo Islão. A Virgem tem um lugar preeminente nessa iconografia antiga de que hoje restam alguns frescos nos museus de Cartum e Varsóvia.


A devoção etíope a Nossa Senhora é expressão dessa herança. Maria é comummente chamada «Kidane Mehret», literalmente «Aliança de Misericórdia». A Igreja Ortodoxa celebra-a no dia 16 de cada mês. A festa anual é a 16 de Abril. O ícone da Virgem Mãe com o Menino ao colo guardada por dois anjos repete-se por inúmeras igrejas ortodoxas e católicas. A mesma devoção está presente entre os coptas do Egipto.


O título Nossa Senhora da África ou Virgem de África tem marca portuguesa. O infante Dom Henrique ofereceu a imagem por ele assim chamada à cidade de Ceuta em 1421. No século XIX, o culto chegou a Argel, na Argélia. A construção da imponente basílica em estilo neobizantino começou em 1858 numa colina sobre o Mediterrâneo e foi consagrada em 1872. O templo é também frequentado por muçulmanos.


A Basílica de Yamoussoukro, na Costa do Marfim, é outro lugar mariano africano dedicado à Nossa Senhora da Paz. O templo, construído entre 1985 e 1989, é uma cópia da Basílica de São Pedro, mas em maior.


Os países africanos de expressão portuguesa além da língua também herdaram a devoção mariana. A padroeira de Cabo Verde é a Senhora das Graças e a da Guiné-Bissau é a Senhora da Candelária. Angola tem em Muxima um santuário nacional dedicado à Senhora da Conceição, que é padroeira de Moçambique.


África é lugar de aparições marianas: Ngome, na África do Sul, e Kibeho, no Ruanda, são dois centros reconhecidos. Mas a Senhora de Fátima também está presente no continente desde 1942 quando foi inaugurado o Santuário de Namaacha, em Moçambique. O cardeal John Onaiyekan, arcebispo de Abuja (Nigéria), explicou que a mensagem de Fátima é muito importante para África, porque «é um apelo à paz».


Hoje, há pelo menos 57 paróquias dedicadas à Senhora de Fátima no continente. Moçambique está à frente com 16. Angola tem 11. O lugar de culto mais deslumbrante é o altar de Nossa Senhora de Fátima no cume nevado do monte Kilimanjaro, na Tanzânia, a 5895 metros de altitude.


A devoção mariana com rosto africano é sobretudo corporizada na Legião de Maria. A organização nasceu na Irlanda em 1921. Milhares e milhares de mulheres católicas dedicam-se de alma e coração ao serviço das suas comunidades desde o cuidado dos templos e da ordem nas celebrações ao serviço aos mais necessitados inspiradas na Virgem de Nazaré.


José da Silva Vieira (MCCJ) – Revista Além-Mar, Maio e 2018

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