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Palavra de Deus

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Partilhar a cruz, escolha missionária de Cristo

XXII Domingo do Tempo Comum - Ano A - Domingo 03.9.2017


 


Jeremias 20, 7-9


Salmo 62


Romanos 12, 1-2


Mateus 16, 21-27


 


Reflexões


Foi esplêndida a afirmação de Pedro: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo!» (Mt 16,16: Evangelho de domingo passado). Mas não é ainda tudo sobre a identidade de Jesus. É importante afirmar a divindade de Jesus Cristo, mas talvez seja ainda mais difícil afirmar a sua humanidade, com a consequente possibilidade de sofrer e de morrer (Evangelho). Por isso, Jesus, depois de ter obtido dos seus discípulos a primeira profissão de fé explícita no seu messianismo, dá início a uma nova fase na sua pregação: «Jesus começou a explicar aos seus discípulos…» (v. 21). Precisamente como no início da sua vida pública, depois da fase preparatória (baptismo no Jordão e tentações no deserto), Mateus escreve: «A partir de então Jesus começou a pregar e a dizer “convertei-vos”…» (Mt 4, 17). No baptismo e no deserto, Jesus tinha feito escolhas bem precisas acerca do modo de realizar a missão recebida do Pai para a salvação da humanidade: a escolha de ser e de viver como filho e irmão, a escolha de renunciar aos meios fáceis e ilusórios do poder, a glória e o bem-estar… Fiel às suas escolhas, feitas segundo o coração de Deus, Jesus avança com determinação para a sua hora, disposto às consequências extremas. Fala disso com os discípulos e amigos, mas não aceita acomodações, revisões ou subtracções da parte de quem pensa apenas à maneira humana, segundo a carne e o sangue (v. 17.23). Jesus revela com clareza o conflito, a incompatibilidade entre o pensar segundo Deus e o pensar segundo os homens (v. 23).


Com base nestas premissas, o Evangelho de hoje prossegue a revelação da identidade de Jesus com novos aprofundamentos: Ele não é só o Messias-Cristo, o Filho de Deus (v. 16), mas é também o servo, que tem de «sofrer muito… ser morto e ressuscitar» (v. 21) Jesus considera que, na nova família acabada da anunciar, que é a Igreja (cf. Evangelho de domingo passado), também os seus discípulos deverão partilhar as suas escolhas, percorrer o mesmo caminho, se quiserem continuar a missão. Por isso, Jesus fala abertamente aos seus discípulos da necessidade de renegar a si mesmos, tomar cada um a sua cruz e segui-lo, perder a própria vida por sua causa (v. 24-25), fazer-se samaritanos e cireneus dos mais fracos, como o Papa Bento XVI ensinou aos jovens na recente Jornada Mundial da Juventude em Madrid, convidando-os a insurgir-se contra o conformismo, a indiferença, o individualismo que escravizam, e a optar, em vez disso, por Cristo e pelo anúncio do Evangelho, dom da vida e da liberdade. (*)


Longe de ser uma exortação moral e ascética a aceitar com paciência e resignação as tribulações, as doenças e a morte, estas palavras exigentes são um convite para o discípulo a identificar-se com o projecto de Jesus e a partilhar as suas escolhas e caminho. «A leitura do Evangelho segundo os homens é uma exortação à resignação e Jesus não foi, de forma alguma, um resignado, diz aliás: “é preciso que eu seja condenado”. Porque é necessário? É necessário porque a escolha que eu fiz no dia em que disse a Satanás “afasta-te de mim”, em que renunciei ao domínio, à sedução do bem-estar físico e ao milagre – as três renúncias de Jesus no deserto – leva inevitavelmente à minha condenação!» (Ernesto Balducci).


Portanto a cruz não é meramente um fardo a carregar com resignação, mas o resultado necessário de uma escolha livremente feita por Jesus no deserto. Ele está seguro da sua escolha, rejeita os protestos de Pedro, novo satanás (v. 22.23), e remete-o ao seu lugar de discípulo: «Vai-te daqui, Satanás» (v. 23). Pedro não é chamado a regular os passos do Mestre, mas a segui-lo. Caso contrário a «pedra de construção» (v. 18) torna-se pedra de tropeço, ocasião de escândalo (v. 23). Pensar segundo Deus é condição fundamental para realizar com fidelidade e eficácia a missão que Jesus confia à sua Igreja.


 


O missionário, tal como o profeta que muitas vezes se torna incómodo e incomodativo (I leitura), se vive identificado com o seu Mestre, tem dentro de si «um fogo ardente» (v. 9) que o impele a superar os desânimos e as adversidades. E a oferecer-se de corpo e alma (II leitura) «como sacrifício vivo», como «culto espiritual» (v. 1), renovando a sua forma de pensar, «para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito» (v. 2). A própria natureza da missão impõe àqueles que anunciam o Evangelho que colham inspiração do único Mestre e Salvador: Cristo. A história das missões está repleta de apóstolos apaixonados por Cristo e pela humanidade: Francisco de Assis, Teresa de Ávila, Daniel Comboni, Teresa de Calcutá, Francisco Xavier… que optaram por Cristo em vez de ganhar o mundo inteiro (Mt 16,26). E bem assim, os numerosos mártires de cada tempo. A fidelidade radical a Cristo é condição indispensável de eficácia apostólica. E de verdadeira felicidade no serviço missionário.


Palavra do Papa


(*) «A paixão de Cristo impele-nos a carregar sobre os nossos ombros o sofrimento do mundo, com a certeza de que Deus não é alguém distante ou alheado do homem e das suas vicissitudes. Pelo contrário, ele fez-se um de nós para poder com-padecer com o homem, de maneira muito concreta, em carne e sangue… Queridos jovens, que o amor de Deus por nós aumente a vossa alegria e vos leve a permanecer próximos dos menos favorecidos. Vós que sois muito sensíveis à ideia de partilhar a vida com os outros, não passeis ao lado do sofrimento humano, onde Deus vos espera para que ofereçais o melhor de vós mesmos: a vossa capacidade de amar e de compadecer-vos».


Bento XVI


Durante a Via-Sacra, na Jornada Mundial da Juventude, Madrid, 19/8/2011


No encalço dos Missionários


- 3/9: S. Gregório Magno (540-604), monge, papa e doutor da Igreja, organizador da vida monástica e litúrgica: enviou S. Agostinho e outros 40 monges a evangelizar a Inglaterra (a. 597).


- 4/9: Evocação do Dr. Albert Schweitzer (1875-1965), médico francês, músico, filósofo, teólogo martirizado; viveu durante 45 anos entre os leprosos em Lambaréné (Gabão); Prémio Nobel para a Paz (1952).


- 5/9: B. Madre Teresa (Agnese Gonhxa B.) de Calcutá (1910-1997), religiosa macedónia, dedicada à assistência aos mais abandonados, na Índia e no mundo; fundadora das Missionárias e dos Missionários da Caridade.


- 7/9: B. João Baptista Mazzucconi (1826-1855), sacerdote missionário italiano do PIME, martirizado na ilha de Woodlark (Oceânia).


- 8/9: Festa da natividade da Virgem Santa Maria, cujo nascimento anunciou a alegria ao mundo inteiro.


- 8/9: B. Frederico Ozanam (1813-1853), francês, exemplo de caridade e santidade laical; fundador da Confraria-Sociedade de S. Vicente de Paulo, para a assistência aos pobres.


- 8/9: Dia Mundial da Alfabetização (instituída pela ONU-UNESCO, 1972).


- 9/9: S. Pedro Claver (1580-1654), missionário jesuíta espanhol, durante mais de 40 anos ao serviço dos escravos africanos que chegavam a Cartagena (Colômbia).


- 9/9: B. Tiago Desiderio Laval (1803-1864), médico francês e sacerdote da Congregação do Espírito Santo, missionário entre os africanos libertados em Port-Louis (Ilhas Maurícias, Oceano Indico).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»