PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

O perdão regenera a pessoa e a sociedade humana

XXIV Domingo do T.C. Ano A - Domingo 17.9.2017


 


Sirácide 27,30 – 28,9


Salmo 102


Romanos 14,7-9


Mateus 18,21-35


 


Reflexões


O tema central dos cinco textos bíblicos de hoje, incluso o Pai Nosso, é o perdão: a necessidade cristã de perdoar até “setenta vezes sete”, isto é sempre, como Jesus ensina no texto do Evangelho, que continua e conclui o discurso eclesial (Mt 18) sobre o relacionamento entre as pessoas. Trata-se de um ensinamento insistente de Jesus, começando com “felizes os misericordiosos…” no sermão da montanha, até ao Calvário: Mt 5,7; 6,14-15; 9,2-6; 12,31-32; 18,21-35; 26,28; e depois da palavra vem o exemplo de Jesus na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). É o máximo.


Na Bíblia nota-se um progresso na compreensão e na prática da lei do perdão. Nos tempos primitivos, o brutal Lamec, filho de Caím, conhece somente a represália cruel, a vingança sem limites, até ‘setenta vezes sete’ (cf Gen 4,23-24). Uma reacção mais equilibrada vem mais tarde, com a lei antiga do talião: “olho por olho, dente por dente, mão por mão…” (Ex 21,24). O que não deve ser interpretado como um incitamento pagar o mal com o mal, mas como um limite que se coloca para não exagerar na resposta a quem ofende. Chega-se enfim ao ponto mais alto do Antigo Testamento com o convite a recusar a vingança e o rancor, e a amar o próximo como a nós mesmos (cf Lev 19,18); o texto de hoje, do livro de Sirácide (27-28) refere-se a esta posição. No tempo de Jesus, os Rabinos limitavam o perdão até três vezes. Pedro estende-se até às sete vezes (Mt 18,21), mas Jesus não aceita limites: até setenta vezes sete; o perdão há-de ser sem medida, como infinita è a misericórdia do Pai (Lc 6,36).     As leituras apresentam vários fundamentos do perdão. A parábola de Jesus (Evangelo) evidencia a distância imensa que existe entre o coração de Deus, que perdoa sempre tudo (Salmo responsorial), e o coração do homem que frequentemente é áspero e mesquinho (Mt 18,33). Sirácide (I leitura) lembra com severidade: “Recorda-te do teu fim… recorda-te da morte” (v. 6.7). A agressividade dilui-se então na reflexão sobre os limites da vida humana. “Pode parecer um chavão banal, mas tem a sua profundidade psicológica: recusar a morte é a raiz da violência… não aceitar o nosso próprio limite significa colocar na raiz da nossa vida as premissas de todos os desvios” (E. Balducci).


Paulo (II leitura) convida à tolerância e à compreensão colocando ao centro da vida, não o eu egoísta, mas Cristo que morreu e ressuscitou por todos, o único que dá valor e sentido à nossa vida e à nossa morte. Vivendo para o Senhor (v. 7), descobrimos a universalidade e a missão que se abe a todos.


O perdão regenera interiormente a pessoa e as comunidades, a todos os níveis; torna-as semelhantes a Deus, à sua imagem e semelhança; liberta-nos das tensões e da agressividade que por vezes inquinam o relacionamento interpessoal e social; interrompe a cadeia de vinganças; revela a grandeza de ânimo da pessoa e das instituições. Para além do espaço interpessoal e doméstico, o perdão cristão aplica-se sobretudo ao nível dos grupos, sociedades e nações. O papa João Paulo II referiu-se com frequência a este tema particularmente nas suas mensagens para o Dia Mundial da Paz e apresenta-o como critério para resolver as tensões entre os povos. Uma das pessoas que mais tem reflectido sobre a dimensão mundial do perdão e da paz è certamente o card. Carlo M. Martini: “O perdão também tem um valor civil e político. Até que não se consiga renunciar a alguma coisa a que teoricamente se teria direito, até que se queira a todo o custo aquilo que nos compete, aquilo que è de direito, e se continue simplesmente a fazer a lista das próprias razões, nunca se chegará à paz, porque não estamos dispostos a pagar o seu preço. Sim, porque a paz tem um preço… A paz, neste mundo marcado pelo pecado, exige uma vontade constante de perdoar: nas famílias, dentro das comunidades, entre as Igrejas, e ainda mais no contexto civil”.  A paz e o perdão são uma mensagem prioritária na missão.


A palavra do Papa


“Oferece o perdão, recebe a paz” (1997).


“Não há paz sem justiça; não há justiça sem perdão” (2002).


“Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem” (2005).


João Paulo II - Mensagens para o Dia Mundial da Paz


Nas pegadas dos missionários


- 18/9: BB. João Baptista e Jacinto de los Angeles, leigos casados e catequistas, martirizados no México († 1700).


- 20/9: SS. André Kim Taegon, primeiro sacerdote coreano, Paulo Chong Hasang, leigo, e outros 101 companheiros mártires na Coreia, martirizados entre 1837-1867, canonizados em Seul em 1984. Entre eles: 93 coreanos (P. Kim e 92 leigos) e 10 missionários estrangeiros (3 bispos e 7 sacerdotes).


- 21/9: Dia Internacional da Paz.


- 21/9: S. Mateus, apóstolo e evangelista; depois da ascensão de Jesus, evangelizou, segundo a tradição, na Pérsia, Síria, Etiópia.


- 23/9: S. Pio de Pietrelcina (Francisco Forgione, 1887-1968), sacerdote capuchinho, dotado de dons espirituais especiais, dedicado ao ministério da reconciliação e da caridade. A sua santidade e o seu carisma continuam a exercer uma forte irradiação missionária em todo o mundo.


- 23/9: BB. Cristóvão, António e João, jovens de Tlaxcala (México), martirizados nos inícios da evangelização (1527-1529).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»