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Servir com alegria nas periferias

12 de Outubro de 2017

Os combonianos que vivem na periferia de Salvador da Bahia procuram evangelizar e promover a dignidade e os direitos humanos nas comunidades, integradas na sua maioria por afro-brasileiros.


Por: BERNARDINO FRUTUOSO, Jornalista


Sussuarana, Salvador da Bahia. O clima é quente e húmido nesta região do Nordeste brasileiro. Nas ruas, cheias de gente e veículos motorizados, sente-se o ritmo frenético e caótico de um dia de trabalho. O bairro de Sussuarana (nome indígena que significa «onça parda») tem uma grande extensão territorial. Vislumbram-se pequenas colinas, com poucas árvores, onde se aglomeram construções desordenadas e amontoadas, com difíceis acessos. Nessas casas, vivem mais de 110 mil pessoas, com escassos serviços públicos. O P.e José Manuel Guerra Brites, missionário comboniano português, natural de Torres Novas, recebe-nos em Sussuarana, onde chegou em Dezembro de 2013. É o responsável pela paróquia dedicada a São Daniel Comboni. Na comunidade comboniana vivem também os padres José Boaventura (português), Severino Perini (italiano) e Bernardino Mossi (togolês). Trabalham em equipa com muitos agentes de pastoral e as Irmãs da Providência.


O P.e José Manuel explica-nos que a vida nesta região do país está difícil, apesar da efervescência do turismo. São muitos os estrangeiros e brasileiros que visitam as belas praias que se estendem pela cidade, primeira capital do país, semeada de igrejas históricas e com uma grande riqueza cultural. Terra onde nasceram e vivem muitos escritores e cantores de renome internacional, entre os quais o escritor Jorge Amado.


No bairro Sussuarana, movimentado pelo pequeno comércio, os serviços públicos são escassos e existem poucas oportunidades de trabalho. «Os governantes esquecem-se rapidamente das promessas que fazem nas campanhas eleitorais. A corrupção, uma doença endémica no Brasil, encarrega-se também de desviar recursos e eliminar oportunidades de desenvolvimento», conta-nos. Nessa noite, enquanto estávamos na rua, foi cortada a energia eléctrica. Dizem-nos que é uma situação comum nos últimos tempos. Pouco depois, ecoava o som dos disparos, as pessoas procuravam regressar a suas casas à pressa. Alguns negócios fechavam as portas. Respirava-se um ambiente de tensão. A delinquência e a violência são também males que correm nas ruas do bairro Sussuarana.


O missionário comenta-nos que os Combonianos estão em Salvador da Bahia desde a década de 1980. Assumiram duas paróquias nos bairros periféricos da cidade, densamente povoados. Os habitantes são, na sua maioria, afro-brasileiros. Estes bairros de periferia cresceram, nessa época, pelas constantes ondas de migrantes provenientes do interior da Bahia. Fugiam das situações de precariedade, de pobreza e secas prolongadas, estabelecendo-se nas periferias da capital baiana.


A comunidade comboniana dedica-se ao cuidado pastoral de 11 comunidades cristãs. Com os animadores, catequistas e responsáveis de cada bairro, organiza-se a vida sacramental e litúrgica, o trabalho com os movimentos sociais, a pastoral da criança e a pastoral prisional, pois vivem perto do maior presídio da Bahia onde estão milhares de reclusos. As comunidades cristãs são vivas, acolhedoras, com espirito evangelizador. «Apesar da nossa pobreza e limitações, procuramos ser uma Igreja em saída, como pede o Papa Francisco. Discípulos missionários que sabem ir ao encontro das pessoas e estabelecer pontes com outras culturas e religiões», refere o P.e José Manuel.


 


Pastoral afro-brasileira


Na casa comboniana funciona o Centro de Pastoral Afro Heitor Frisotti (Cenpah). Tem como missão o acompanhamento da pastoral da população afro-brasileira e a promoção da cultura e dos valores do povo negro que nos séculos da colónia foi trazido em situação de escravatura das várias regiões da África. No Cenpah organizam-se cursos e oficinas temáticas. Funciona também uma biblioteca especializada nas questões afro-brasileiras. A aposta principal, explica o P.e José Manuel, é a educação. «A comunidade comboniana possibilita neste espaço a oportunidade aos jovens negros da periferia de se prepararem para o exame de ingresso no ensino superior, pois muitos não têm condições de pagar esses cursos no ensino privado.»


Os missionários e os colaboradores organizam também cursos de cultura afro-brasileira para líderes das comunidades e capacitação étnica para professores das escolas. «Procura-se promover os valores culturais e religiosos dessa população, geralmente marginalizada e esquecida», sublinha o missionário. Para isso, realizam-se, sobretudo para os jovens, ateliês de teatro, de poesia, de direitos humanos, formação para a cidadania.


 


Vida de serviço


O P.e José Manuel Guerra Brites está no Brasil há 18 anos e viveu noutras regiões do país. Além de ter estado à frente de várias paróquias em periferias de outros Estados do Nordeste brasileiro e Amazónia, trabalhou com os jovens, no Centro da Juventude pela Paz em Timon, Maranhão. Essas experiências fizeram crescer a mística do serviço alegre aos pobres. «A vida do missionário, como afirmava São Daniel Comboni, é um misto de alegrias e tristezas. A missão ensinou-me a caminhar ao ritmo das pessoas, a estar ao lado dos mais pobres nas suas lutas, a não desanimar frente às dificuldades, a confiar na força da fé e da oração dos pequenos e simples», refere.


A paróquia, fundada há vinte anos, tem como lema «Mil vidas para a Missão» e aposta na formação dos leigos, na motivação e dinâmica da missão popular. Dentro do território paroquial o compromisso dos missionários com a evangelização segue a metodologia do padroeiro e fundador, São Daniel Comboni, e dos Combonianos: «Salvar a África por meio dos africanos». Em 2016, na linha das Santas Missões Populares, iniciou-se um processo de formação, procurando o maior envolvimento dos cristãos, dos líderes de comunidades e das pastorais. «Esta dinâmica está em sintonia com a mensagem central do Documento de Aparecida, dos bispos americanos. Todos os cristãos estão chamados, em virtude do seu baptismo e em abertura aos desafios da sociedade, a sair ao encontro dos mais sofredores com espírito alegre, solidário e fraterno», sublinha. «Estamos a construir o Centro de Formação Missionária, que será um espaço precioso para a formação missionária», comenta o comboniano português.


Em 2018, será o ano em que o P.e José Manuel completará as bodas de prata sacerdotais. «Dou graças a Deus pela vida missionária e por estes anos em que Ele foi fiel, pois vou cumprir daqui a pouco 25 anos de serviço missionário sacerdotal», refere com um sorriso.

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