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06 de Dezembro de 2018

O «amigo chinês» ajuda, mas também cobra


As redes sociais na Zâmbia estiveram ao rubro em setembro com um alerta da Africa confidential. A prestigiada publicação londrina dizia que os Chineses iam tomar conta do aeroporto internacional Kenneth Kaunda, em Lusaca, da companhia nacional de electricidade e da radiotelevisão estatal por o Governo não estar a servir a dívida com Pequim. Esses activos foram dados como garantia de empréstimos que ultrapassam 6,3 mil milhões de dólares numa dúzia de anos.


O Governo zambiano desmentiu prontamente a notícia, mas a publicação reafirmou que a Zâmbia corre o risco de perder símbolos importantes da soberania nacional para o controlo chinês por incumprimento. A Frente Patriótica, o partido da oposição, acusou o executivo de estar a vender o país.


A notícia da Africa confidential repõe na praça pública a questão do endividamento dos governos africanos com Pequim. O Governo chinês continua a oferecer crédito sem limites e as dívidas têm de ser pagas. Países com petróleo e outros bens fazem o pagamento em género. Quem não tem matérias-primas tem de se endividar ainda mais para não correr o risco de ver penhoradas as garantias dos empréstimos.


A China emprestou mais de 110 mil milhões de dólares americanos – qualquer coisa como 94 mil milhões de euros – a governos africanos nos últimos dezassete anos. Em setembro, o presidente Xi Jinping anunciou no Fórum de Cooperação China-África um novo fundo de 60 mil milhões de dólares para assistência e empréstimos com juros e sem juros.


Há quem veja na ajuda chinesa sem limites e sem perguntas incómodas uma armadilha que gera uma nova forma de colonialismo. Pequim jura que não é verdade: a China nunca teve colónias na África. Mais: é com a sua cooperação que os africanos se podem libertar dos constrangimentos financeiros do passado colonial.


Contudo, a presença maciça de chineses no continente está a mudar o modo como a ajuda de Pequim é percebida pelo cidadão comum. Os chineses são vistos como competidores privilegiados na economia local, desde a produção até ao retalho, legal e ilegalmente, e misturam-se com as máfias autóctones. Junta-se ainda a questão do racismo de que se queixam os quenianos que trabalham para os chineses na ligação ferroviária entre Nairobi e Mombaça.


Na Zâmbia, noutra vez, gerou-se um grande sururu quando o jornal estatal, editado em inglês, publicou uma história em mandarim para atrair leitores chineses. Os críticos dizem ser mais correcto escrever artigos nas línguas locais zambianas.


Em Juba (Sudão do Sul) vi um método chinês de negócio peculiar: investidores arrendavam a privados – e às igrejas – lotes urbanos por um preço simbólico para construir a expensas próprias e explorar as infra-estruturas durante quinze anos. Nessa altura, vão passar os imóveis e a sua gestão aos donos do terreno a custo zero. Como as técnicas de construção e os materiais usados não dão garantias – vem tudo da China juntamente com a mão-de-obra, e o calor húmido é inclemente, os proprietários vão receber edifícios prontos para demolição. O «amigo chinês», esse recuperou o investimento e voltou para casa, satisfeito. Decididamente não há almoços grátis mesmo na ajuda de Pequim à África.


José da Silva Vieira (MCCJ) – Revista Além-Mar, Dezembro de 2018

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