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Leigos Missionários

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Está escrito: Amarás!

Os velhos e crianças órfãs são susceptíveis de serem acusados de bruxaria e de sofrerem, como consequência da acusação, a total discriminação social e a morte.

 

Como outros países africanos, na República Centro-Africana as crenças na feitiçaria ou bruxaria permeiam a sociedade e estão na base de vários problemas sociais.

Aqui, pelo menos por enquanto, a lei já condena os casos de bruxaria, ainda que não consiga explicá-la e extirpá-la. Normalmente são as pessoas idosas e já sem família que são acusadas de bruxaria. E, sem se poderem defender, ou são judicialmente punidas ou são queimadas vivas em praça pública.

Dou-vos o exemplo da Catarina. Uma senhora idosa que se viu expulsa da sua comunidade e excluída da sociedade devido a acusações de bruxaria e que, há pouco mais de um ano, foi acusada e levada a tribunal por ter matado, através da bruxaria, alguém.

Na verdade, o julgamento foi feito aqui em Mongoumba, onde, graças a Deus, neste momento, podemos contar com um bom representante do Ministério Público. Assim, devido à falta de provas e à incoerência dos testemunhos, Catarina foi posta em liberdade. Claro que, para todo o povo, ela é uma bruxa perigosa e só permanece viva graças a este julgamento em que o procurador da República responsabilizou publicamente a família acusadora de tudo o que pudesse acontecer a esta idosa.

Nesta sociedade, deixou-se de ir à bruxa para procurar um remédio caseiro, passou-se a ir à bruxa para encontrar o responsável por algo de mau, seja por uma doença ou por um acontecimento negativo.

Actualmente, tentamos, com a ajuda de alguns (poucos) centro-africanos, lutar pela alteração da lei em vigor e por uma maior sensibilização para este problema entre os meios médico-hospitalares. A nível da Igreja, tentamos sublinhar a cada instante a máxima: Não matarás!

No entanto, a tarefa não é fácil, já que, em todas as áreas, esta raiz cultural parece ser a mãe de todas as formas de pensar. Assim, os obstáculos multiplicam-se no mundo político, jurídico e mesmo religioso. O problema máximo desta crença é que se trata de um alicerce de morte dentro da sociedade. Tudo se justifica com o injustificável. Todos os velhos e crianças órfãs são susceptíveis de serem acusados de bruxaria e de sofrerem, como consequência da acusação, a total discriminação social e a morte.

Unamos, pois, todos os esforços e orações em favor de uma transformação social e cultural inspirada pelo Evangelho e, sobretudo, em favor da Vida.

 

Susana Vilas Boas, LMC