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Pastoral Vocacional Juvenil

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Felizes os puros

"Felizes os puros de coração, porque verão a Deus".  Mt 5, 11

 

Olá, jovem!

Nestes dias, sem nenhuma razão aparente, recordei-me da minha peregrinação e visita a Belém nos finais de 2004. Entre as várias imagens recordo a visita à Basílica da Natividade com a sua entrada principal, a única aberta, de apenas 1,2 m.

Dizem que foi construída assim para impedir os salteadores de entrarem na basílica a cavalo, aterrando e decapitando os fiéis em oração. Para mim hoje, o significado é outro. Lembro um comentário no grupo de visitantes: aqui só se entra com um gesto de humildade, curvando-se. De uma certa maneira, é o mesmo gesto de Deus, ao encarnar e nascer no meio de nós, o Emanuel.

 

Chegar a Deus

A Deus só se pode chegar de duas maneiras: ou sendo criança, ou abaixando-se muito. Não empinando-se, mas inclinando-se; não esticando-se, mas encolhendo-se. São as duas maneiras que Deus adoptou para chegar a nós: fez-se criança e abaixou-se até ao extremo (Fil 2, 6-11). Porque Deus não é maior do que nós, mas muito mais jovem. Ou melhor, porque Deus é muito maior do que nós, pela simples razão de que é mais verdadeiro, mais misericordioso, muito mais louco e menino do que nós.

Se Deus se abeirou dos homens pelo caminho do fazer-se pequeno, não será porque é esse também o único caminho pelo qual os homens se aproximam de Deus? As coisas de Deus são assim: só têm entrada pela pequenez.

Por isso o Natal é, em primeiro lugar, um mistério de infância. Por isso é tão sagrado. Por isso só se pode falar dele dando a palavra à criança que fomos. Por isso só podemos entrar verdadeiramente nele no encontro com o menino da gruta, da manjedoura.

 

Coração puro

Já repararam como é que as crianças aguardam o Natal? Já não podem aguentar, ardem-lhes os olhos e as almas. Porque as crianças nunca se perguntam se o que virá no dia de Natal é bonito ou feio, magnífico ou terrível. Sabem que o que virá é indiscutivelmente formoso. Só não sabem é que tipo de formosura.

É uma esperança gozosa porque é certa. As crianças sabem que são amadas. Só querem saber como será manifestado esse amor. É a pureza de coração (Mt 5, 8) no estado mais evangélico e cristão que se possa imaginar. É o estado «puro» da pureza. É a ausência de inveja, de desconfiança. É total abandono, confiança e amor.

Às crianças basta um raio de Sol para as alegrar. Nós, precisamos de um Sol inteiro para que o coração gelado de um adulto possa descongelar.

 

Apertar nos braços

O homem não sabe esperar. E espera o que não deve. Por isso não compreendemos Deus quando ele chegou. Esperávamos nas suas mãos o poder e vimos a pobreza; esperávamos a cólera destruidora dos inimigos e vimos grande misericórdia; esperávamos misteriosas revelações e veio uma criança que, com muitos esforços, aprende a dizer papá e mamã.

É que - suprema loucura - Deus queria ser amado. Sabia muito bem que nós, humanos, não sabemos amar outra coisa que não possamos apertar nos braços. Deus quis ser apertado por braços humanos. Ao Deus dos exércitos podíamos temer. Ao Deus dos filósofos podemos admirar. Só o amaríamos se se fizesse menino.

 

Vidas puras

Por isso a infância é imortal. Ao menino que fomos não podem matá-lo. O menino que nós fomos ainda aí está, dentro de nós, vivo. Não se resigna a morrer, grita, esperneia dentro de nós. Dostoievski dizia que «o homem que guarda muitas recordações da sua infância está salvo para sempre».

Natal é tempo para descobrir como estamos loucos; que é muito melhor um cabelo despenteado que um pente para homens que não têm cabelo; que a água vale mais que os cheques; que uma criança é mais importante que um imperador; que a fé é a melhor lotaria.

Cabem aqui as palavras do grande jornalista e escritor francês Georges Bernanos às crianças de uma escola: «Nunca esqueçais que este mundo odioso se mantém de pé pela doce cumplicidade - sempre combatida, sempre a renascer - dos santos, dos poetas, e das crianças. Sedes fiéis aos santos! Sedes fiéis aos poetas! Sedes fiéis à infância! E nunca vos convertais em adultos.»