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Palavra de Deus

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Anunciar um «Deus na Cruz». Por todos!

Domingo de Ramos - Ano «A» - Domingo 09.04.2017


 


Isaías 50,4-7 Salmo 21


Filipenses 2,6-11


Mateus 21,1-11: para a celebração dos ramos


Mateus 26,14-27,66: Evangelho da Paixão


 


Reflexões


No portal da Semana Santa que hoje tem início (Evangelho), está gravada uma pergunta: “Quem é ele? (Mt 21,10). Assim se interrogava a gente da cidade, em rebuliço, quando Jesus entrou em Jerusalém, entre os aplausos dos simpatizantes, montado não sobre um cavalo de guerra ou de corrida, mas sobre uma burra emprestada... Aquela entrada foi um acontecimento missionário, uma revelação de Jesus à gente. Um momento de triunfo efémero, que durou um só dia; mas serviu pelo menos para provocar a pergunta sobre a identidade de Jesus. A multidão tinha uma resposta já pronta: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré na Galileia” (Mt 21,11). Uma resposta verdadeira, mas na boca deles era, também esta, uma resposta um tanto efémera, a julgar pelo comportamento deles nos dias que se seguiram. Seria necessário, isso sim, um desejo sincero de aprofundar a identidade daquele surpreendente profeta de Nazaré. Tal era o desejo que alguns gregos tinham exprimido, ao chegarem a Jerusalém, quando disseram a Filipe: “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21).


As respostas à pergunta inicial, encontramo-las de maneiras diversas durante esta Semana especial. Uma primeira resposta é o próprio Jesus a dá-la, provocado pelo pedido dos gregos: Ele é o grão de trigo, que cai à terra e morre para produzir muito fruto (cfr Jo 12,24); Ele é o Mestre que convida todos a segui-Lo para partilhar a sua sorte (cfr. Jo 12,26); é o Senhor que pode dizer: “Eu, quando serei elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). O destino universal da sua morte na cruz, elevado da terra, é claramente indicado também nas variantes dos códices antigos: atrairei ‘tudo’, ‘todos os homens’, ‘todo o homem’... A sua salvação é oferecida, como dom, por todos aqueles que, com coração sincero, “hão-de olhar para aquele que trespassaram” (Jo 19,37), isto é, por aqueles que com fé compaixão e amor olham para Cristo elevado sobre a cruz (cfr. Num 21,8; Zac 12,10). Esta é a situação surpreendente do centurião romano e dos outros soldados pagãos que, à vista daquilo que sucedia, diziam: “Verdadeiramente este era Filho de Deus!” (Mt 27,54). “Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, precisamente porque permaneceu sobre a cruz, em vez de descer (Cfr Mt 27,40.42); e enquanto os judeus o recusam, os pagãos reconhecem-no. Os pagãos vêem o que os judeus não conseguem ver” (Bruno Maggioni).


A chave para compreender quem é este Filho de Deus, que se faz grão de trigo, que morre na Cruz para atrair todos a si, é nos oferecida pelo evangelista João na última Ceia de Jesus com os seus discípulos: “Amou-os até ai fim” (Jo 13,1). É a declaração de um amor extremo, universal no espaço e no tempo. Palavras que convidam a viver a Semana Santa com um respiro universal, contemplando e anunciando um Deus na cruz por todos. S. Daniel Comboni tinha compreendido bem quanto era necessário que os seus missionários se formassem nesta contemplação, e recomendava na sua Regra: “Hão-de crescer nesta atitude essencialíssima (espírito de sacrifício) tendo os olhos sempre fixos em Jesus Cristo, amando-o ternamente, e procurando compreender cada vez melhor o que significa um Deus morto na cruz pela salvação das almas”. (Escritos, n.2721)


A longa narração (Evangelho) da condenação e execução de um inocente vai muito mais além da crónica: contém a ‘Boa Nova’ de Cristo Salvador, morto e ressuscitado, que os missionários da Igreja levam por toda a parte no mundo inteiro. Deste núcleo central do Evangelho, derivam escolhas e atitudes fundamentais para os discípulos. Citamos uma entre tantas: a recusa da violência e do uso das armas, como Jesus ensina a Pedro: “Repõe a espada na bainha, porque todos aqueles que usam a espada, de espada morrerão” (v. 52). Uma palavra emblemática para os cristãos que já o apologista Tertuliano (III sec.) comentava assim: “Desarmando Pedro, Jesus tirou as armas das mãos de todos os soldados”.


O cântico do Servo (I leitura) e sobretudo o hino cristológico da Carta aos Filipenses (II leitura) cantam o ciclo completo daquele Deus-homem na cruz: a preexistência divina, o esvaziamento de si mesmo, a humilhação até à cruz, a glorificação com o nome de Senhor, perante o qual todos são convidados à adoração, “para a glória de Deus Pai” (v. 11). A glória do Pai é a meta para a qual tende toda a acção missionária da Igreja. Além da obediência filial, o hino de Filipenses “mostra também o aspecto da solidariedade com os irmãos: Cristo tornou-se semelhante aos homens, assumiu a nossa condição humilde; mais ainda, fez-se solidária com as pessoas mais criminosas, com os condenados à morte de cruz” (A. Vanhoye).


A mensagem da Paixão, mesmo se permanece sempre uma estrada em subida, consegue realizar o prodígio de transformar o coração e a vida das pessoas, como oportunamente afirma o Papa. De facto, diante da paixão de Jesus, ninguém pode ser um mero espectador. Todos são actores, desempenham um papel, hoje, na Paixão que Jesus continua a viver no seu Corpo místico, na família humana.


Deixando de lado os papéis dos personagens negativos (Judas, Pilatos, os chefes dos sacerdotes, o sinédrio, a multidão que se deixa manipular...), podemos escolher o papel de Simão de Cirene (v. 32), da mulher de Pilatos (v. 19), do centurião (v.54), das pias mulheres, Madalena, Maria, de João, José de Arimateia, Nicodemos... O papel mais apropriado ao cristão, e em particular ao missionário, é o do Cireneu, solidário com os crucificados da história, portador da salvação realizada por Jesus.


Palavra do Papa


(*) «Penso também com admiração sobretudo nos numerosos sacerdotes, religiosos e fiéis leigos que, no mundo inteiro, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro até à custa da própria vida. O seu testemunho exemplar recorda-nos que a Igreja não tem necessidade de burocratas, nem de funcionários diligentes, mas de missionários apaixonados, devorados pelo ardor de anunciar a todos a palavra consoladora de Jesus e a sua graça. Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não receber este fogo, ou se não o deixar entrar em si, tornar-se-á uma Igreja arrefecida, ou apenas tíbia, incapaz de dar vida porque feita de cristãos frios e mornos».


Papa Francisco


Angelus no Domingo, 14.08.2016


Nas pegadas dos missionários


-9/4: Jornada Mundial da Juventude: O Todo-poderoso fez em Mim maravilhas.


-9/4: Beato Tomás de Tolentino (1260-1321), sacerdote missionário franciscano, que chegou até à China e acabou por ser martirizado na Índia.


9/4: Memória de Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), teólogo luterano alemão, símbolo da resistência ao nazismo, morto no campo de concentração de Flossenburg.


- 11/a: Memória de Tertuliano de Cartago (Tunísia, 155-220), apologista e teólogo: demonstrou a injustiça e a absurdidade das perseguições contra os cristãos. É sua a frase: «o sangue dos mártires é semente de cristãos».


- 11/a: Santo Estanislau, bispo de Cracóvia e mártire, morto (+1079) enquanto celebrava a Santa Missa. É padroeiro da Polónia.


- 12/4: São Zeno, originário da África do norte e bispo de Verona (+372). Combateu o paganismo, o arianismo e outras heresias e «conduziu a cidade ao baptismo de Cristo».


- 12/4: Santa Teresa de Jesus (Joana Fernandez Solar, 1900-1920), natural de Los Andes, no Chile, irmã carmelitana, morta de febre tifóide, aos 20 anos de idade.


- 13/4: Beato Scubilion (João Bernardo) Rousseau (1797-1867), religioso francês, irmão das Escolas Cristãs, missionário «catequista dos escravos» na ilha de Reunião, no Oceano Índico.


- 15/4: São Damião de Veuster (1840-1889), da Congregação dos Sagrados Corações, apóstolo dos Leprosos, morto de lepra na ilha de Molokai (Ilhas Hawai, no Pacífico).


- 15/4: Memória do presidente nerteamericano Abraão Lincoln, promotor da integração racial e defensor da emancipação dos escravos, assassinado em 1865.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»