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Palavra de Deus

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Espírito de misericórdia, paz, unidade e missão

Domingo de Pentecostes - Ano A - Domingo 4.6.2017


 


Actos 2, 1-11


Salmo 103


1Coríntios 12, 3-7.12-13


João 20, 19-23


 


Reflexões


O Pentecostes é uma festa de maravilhas! «Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus». A surpresa impressiona a gente de Jerusalém e os próprios Apóstolos, naquela manhã de Pentecostes (I leitura). Tantos povos diversos (são nomeados bem 17 povos), com línguas diferentes, falam uma linguagem comum: estão todos sintonizados na proclamação das grandes obras de Deus (v. 8-11). O Espírito Santo, que acaba de descer sobre a comunidade reunida no Cenáculo, é o autor desta maravilha: isto é, a superação da Babel e a passagem a uma vida de comunhão fraterna. De facto, em Babel a confusão das línguas tinha provocado a dispersão dos povos que, com atitude orgulhosa e egoísta, queriam construir para si uma cidade e tornar-se famosos (Gn 11, 1-9); ao passo que em Jerusalém, quando o Espírito desce, povos diferentes conseguem compreender-se e comunicar as grandes obras de Deus. Em Babel falavam todos a mesma língua, mas ninguém conseguia compreender o outro. No Pentecostes falam diversas línguas, e no entanto todos se compreendem como se falassem uma única língua. O Espírito desloca o centro de interesse, no coração das pessoas: já não é mais a procura egoísta de si mesmos ou de tornar-se famosos, mas é o viver em Deus e narrar as suas obras, em benefício de toda a família humana.


A festa hebraica do Pentecostes tornou-se progressivamente um memorial das grandes alianças de Deus com o seu povo (com Noé, Abraão, Moisés, Jeremias, Ezequiel…). Agora, no cume do Pentecostes (v. 1) está o dom do Espírito, que nos foi dado como definitivo princípio de vida nova: é Espírito de unidade, de fé e de amor, na pluralidade de carismas e de culturas. A primeira e a segunda leituras conjugam muito bem a unidade e a diversidade, que são dois dons do próprio Espírito: povos diversos que compõem o mapa do mundo entendem uma linguagem comum a todos. S. Paulo atribui claramente ao Espírito a capacidade de tornar a Igreja unida e multíplice na pluralidade de carismas, ministérios e serviços (v. 4-6). O Espírito quer uma Igreja rica de dons diferentes, mas unida; uma Igreja que não anula, mas sabe valorizar as diferenças. Porque são uma riqueza! O Espírito torna possível a coexistência das diferenças: não as anula e não as corrobora, mas purifica-as, enriquece-as, harmoniza-as, conserva-as.


O Espírito Santo é o fruto maior da Páscoa na morte (Jo 19,30) e ressurreição de Jesus (Evangelho), que O sopra sobre os discípulos: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados» (v. 22-23). É o Espírito da misericórdia de Deus para o perdão dos pecados. E portanto é o Espírito da paz: com Deus e com os irmãos. É o Espírito da unidade na pluralidade. É o Espírito da missão universal, melhor, é o protagonista da missão que Jesus confia aos apóstolos e aos seus sucessores (cf. RM cap. III; EN 75s): «Como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (v. 21). São palavras que vinculam para sempre a missão dos apóstolos e dos fiéis cristãos com a vida da Trindade, porque o Filho é o primeiro missionário enviado pelo Pai a salvar o mundo, pelo amor (Jo 15,9). (Sobre estes aspectos, podem ver-se também os comentários dos domingos II e VI de Páscoa).


O sopro de Jesus sobre os Apóstolos na tarde da Páscoa (v. 22) é já, para João, o Pentecostes, e evoca a nova criação que é obra do Espírito, como explica um conhecido exegeta: «O gesto da insuflação simboliza o surgimento de uma humanidade nova; todavia os apóstolos, para os quais o gesto é dirigido, são considerados por Jesus não como ponto de partida desta nova criação, mas sim como cooperadores de Cristo e do Espírito Santo na realização deste plano grandioso: é normalmente através da sua mediação que os homens são arrancados do domínio do pecado e recebem a vida nova» (A. Feuillet). De maneira autêntica, ainda que por caminhos a nós invisíveis, o Espírito dispõe o coração das pessoas, mesmo não cristãs, para o necessário encontro salvífico com Cristo, como ensina o Concílio. (*)


Estreitamente unida à obra criativa e renovadora do Espírito é também a Sua acção capaz de corrigir e curar a alma e o corpo das pessoas. Trata-se de uma energia real e eficaz, face à qual existe uma particular sensibilidade no mundo missionário, embora nem sempre fácil de discernir. A acção curativa atinge por vezes também o corpo, mas muito mais frequentemente toca o espírito humano, curando as suas feridas interiores e derramando o bálsamo da reconciliação e da paz. Num campo tão sensível, a acção missionária da Igreja deveria mover-se com mais ímpeto e criatividade. Deixando de lado medos excessivos, confiando mais no Espírito.


Palavra do Papa


(*) «Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo. No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua. Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contra-corrente. Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração.


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013), nº 259


No encalço dos Missionários


- 4/6: Solenidade do Pentecostes: o Espírito Santo «fala» em todas as línguas e culturas dos povos.


- 4/6: Recordação de Afonso Mwembe Nzinga, rei do Kongo (séc. XV), primeiro soberano africano a receber o Baptismo (1491). Em 1518 o seu filho Henrique tornou-se o primeiro bispo negro da África subsariana.


- 5/6: S. Bonifácio, bispo e mártir (675-754), monge britânico, grande evangelizador da Alemanha, bispo de Magonza, sepultado em Fulda.


- 6/6: S. Norberto (1080-1134), bispo de Magdeburgo (Alemanha), fundador dos Premostratentes, missionário em França e Alemanha.


- 6/6: S. Marcelino Champagnat (1789-1840), francês, fundador dos Pequenos Irmãos de Maria (Irmãos Maristas), para a educação dos jovens.


- 6/6: S. Rafael Guízar Valencia (México, 1878-1938), bispo de Veracruz, que, apesar da perseguição, exerceu incansavelmente o ministério episcopal, sofrendo o exílio e outras penas.


- 8/6: B. Tiago Berthieu (1838-1896), sacerdote jesuíta francês, missionário durante mais de 20 anos em Madagáscar; morreu mártir em Ambiatibé.


- 8/6: B. Maria Teresa Chiramel Mankidiyan (1876-1926), religiosa carmelita do Kerala (Índia), fundadora das Irmãs da Sagrada Família, dedicadas a jovens e a necessitados.


- 9/6: B. José de Anchieta (1534-1597), sacerdote jesuíta espanhol, nascido nas ilhas Canárias, missionário e apóstolo no Brasil, fundador da cidade de S. Paulo.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»