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O Dalai Lama e o Arcebispo: Alegria

05 de Junho de 2017

Dizem-se almas gémeas, irmãos espirituais, mas aparentemente não poderiam ser mais diferentes: Tenzin Gyatso é o 14º Dalai Lama, monge budista e líder do povo do Tibete no exílio. Desmond Tutu é sul-africano, cristão, arcebispo anglicano do Cabo, na África do Sul.


Dois prémios nobel da paz, dois seres humanos especiais que acreditam na bondade inerente de cada pessoa e na esperança e compaixão como elementos fundamentais para o nosso relacionamento, para a nossa felicidade.


Fazem da humanidade partilhada o ponto de partida para o seu diálogo intenso, feito de palavras, de gargalhadas e de gestos durante uma semana, sobre a alegria, a sua natureza verdadeira, obstáculos e pilares.


Os diálogos decorreram em Dharamsala, no exílio indiano do Dalai Lama.


A ocasião que os juntou foi a celebração dos 80 anos do líder espiritual dos tibetanos.


Trocaram ideias, carinhos, brincadeiras, grandes risadas, exploraram juntos as respetivas tradições religiosas.


O Dalai Lama é um monge budista e não bebe álcool. Mas essa tradição não o impediu de comungar do cálice durante a Eucaristia que o arcebispo celebrou para ele. E de dar dois passos de dança – outro interdito dos monges budistas – instigado pelo arcebispo na grande festa de aniversário.


Essa semana única foi registada em vídeo. Douglas Abrams conduziu os debates, fez as perguntas, trabalhou as gravações. E nasceu O livro da alegria – alcançar a felicidade num mundo em mudança.


Dois homens de duas geografias e teologias tão diversas pensam a uma só voz: o que nos separa é de facto muito pouco.


Algumas frases que guardei:


ALEGRIA/DOR: «Tristemente, muitas das coisas que corroem a nossa alegria e a nossa felicidade são criadas por nós próprios. Muitas vezes, resultam das tendências negativas da mente, da reatividade emocional, ou da nossa incapacidade para apreciarmos e utilizarmos os recursos que existem no nosso interior» (Dalai Lama).


CUIDADO/ALEGRIA: «Cuidar dos outros, ajudar os outros, é, em última análise, a forma de descobrir a nossa própria alegria e ter uma vida feliz» (Dalai Lama).


MEDO: ««Na verdade, o medo faz parte da natureza humana; é uma resposta natural que surge face ao perigo. Mas, com coragem, quando de facto surge o perigo, poderão ser mais destemidos, mais realistas. Por outro lado, se deixarem a vossa imaginação à solta, exacerbam a situação, o que gera mais medo» (Dalai Lama).


MEDO/INFERNO: «Muitas pessoas neste planeta preocupam-se por poderem ir para o Inferno, mas isso vale de nada. Não é preciso ter medo. Enquanto estivermos na terra preocupados com o Inferno, com a morte, com as coisas que podem correr mal, teremos imensa ansiedade e nunca encontraremos a alegria e a felicidade. Se tiverem verdadeiramente medo do Inferno, têm que viver a vossa vida com algum propósito, especialmente ajudando os outros» (Dalai Lama).


PERDÃO/LIBERTAÇÃO: «O perdão é a única forma de sararmos e de nos libertarmos do passado» (Desmond Tutu).


EU/SOFRIMENTO TU/FELICIDADE: «Um pensamento demasiado centrado no eu é uma fonte de sofrimento. Um cuidado compassivo pelo bem-estar dos outros é a fonte da felicidade» (Dalai Lama).


CUIDADO/ALEGRIA: «De facto, cuidarmos dos outros, ajudarmos os outros, é a forma derradeira de descobrirmos a nossa própria alegria e ter uma vida feliz» (Dalai Lama).


MAL/BEM: «Sim, somos capazes das mais horrorosas atrocidades. Podemos fazer uma lista. E Deus chora até que surgem aqueles que dizem querer tentar fazer alguma coisa. É bom lembrar também que temos uma fantástica capacidade para praticar o bem» (Desmond Tutu).


BONDADE: «Sabemos que os seres humanos são basicamente bons. Sabemos que é por aí que temos de começar. Que tudo o resto é uma aberração. Tudo o que se desvie daí é uma exceção – mesmo que de vez em quando possa ser muito frustrante. As pessoas são espantosamente, extraordinariamente boas, incríveis na sua generosidade» (Desmond Tutu)


FELICIDADE/AFETO/GENEROSIDADE: «A única coisa que produzirá felicidade é o afeto e a generosidade. Isso traz realmente força interior e autoconfiança, reduz o medo e desenvolve a confiança, e a confiança traz a amizade» (Dalai Lama).


SOLIDÃO/RAIVA/AMIZADE: «Se estiverem repletos de juízos negativos e raiva, então sentir-se-ão separados das outras pessoas. Sentir-se-ão solitários. Mas, se tiverem um coração aberto e estiverem plenos de confiança e amizade, mesmo que estejam fisicamente sós, mesmo levando uma vida de eremita, nunca se sentirão sozinhos» (Dalai Lama).


José Vieira (MCCJ) - Jirenna

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