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Palavra de Deus

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O desafio de descobrir e anunciar o Desconhecido

III Domingo de Advento: Ano B: 14.12.2014


 


Isaías 61, 1-2.10-11


Salmo Lc 1, 46-54


1Tessalonicenses 5, 16-24


João 1, 6-8.19-28


 


Reflexões


«Quem chega primeiro à fonte bebe a água mais pura». Este provérbio da Tanzânia tem o sabor da água fresca das fontes de montanha, desperta a alegria típica do Advento, quando se o vive na expectativa e vigilância. Neste domingo ‘gaudete’, o convite litúrgico à alegria é insistente: ele encontra-se na antífona de entrada, oração colecta, I e II leituras, salmo responsorial… São Paulo explica o motivo da alegria cristã: «O Senhor está perto!» (Fil 4,4-5). Para Paulo (II leitura) a alegria alimenta-se na oração e na fidelidade ao Espírito (v. 17-19). Muito oportunamente João Paulo II inclui, entre as características da espiritualidade missionária, «a alegria interior que vem da fé» (RMi 91).


O profeta (I leitura) convida à alegria o povo libertado da escravidão: existe «a boa notícia» para os pobres e os atribulados, existe a libertação para os prisioneiros, um ano de graça para todos (v. 1-2)… O povo pode alegrar-se plenamente no Senhor (v. 10), porque Ele é capaz de renovar o mundo com novos germes (v. 11). A este hino de alegria faz eco Maria, a primeira crente, com o seu cântico de louvor pelas «grandes coisas» que o Omnipotente realiza nos seus servos (salmo responsorial). Em Maria encontra-se a voz da Igreja peregrina e missionária entre alegrias e tribulações. Encontra-se a voz de cada um de nós! Encontra-se sobretudo a voz de Jesus, que na sinagoga de Nazaré fez seu o programa do profeta, sentindo-se consagrado e enviado a realizá-lo (Lc 4,18-21).


João Baptista (Evangelho) tem consciência de ser «enviado por Deus» (v. 6) para «endireitar o caminho do Senhor» (v. 23); reconhece ser apenas a «voz» de um Outro, que é maior do que ele. De facto, Deus é a Palavra; João é apenas a sua voz, porque não tem uma mensagem própria. Ele sabe que o poder reside na Palavra, não no porta-voz. Tal como o poder está na semente, não em quem a semeia. João é testemunha deste dinamismo da missão, que o ultrapassa. Ele alegra-se com isso, feliz de diminuir, porque sabe ser apenas «o amigo do esposo», e é preciso que seja Ele, o esposo, a crescer (Jo 3,29.30). Perante a comissão oficial de investigação chegada da capital, tal como noutras situações, João Baptista revela-se um modelo inspirador para os missionários, até ao martírio. (Explica-o muito bem o teólogo A. Rétif, no seu livro “Giovanni Battista missionario di Cristo”, Seuil-EMI, 1960).


Na realidade da missão, o poder de transformação vem de Deus, a Palavra é Sua. O missionário é chamado a ser a sua voz, a lançar a sua semente nos sulcos do mundo. O apóstolo é chamado a dar testemunho, mas ele não é nem a Palavra, nem a semente, nem o campo. O missionário é apenas a voz, enviado a anunciar.


Como João Baptista, o missionário «é simplesmente uma voz que anuncia, testemunha que chama a atenção para Alguém que é mais importante. A verdadeira testemunha indica o Senhor, mas logo se põe de parte. Tem receio de roubar espaço ao Senhor… João é testemunha de um Deus que já está aqui, no meio de nós. Mas é uma presença a descobrir; nem todos a vêem, e por isso é preciso um profeta que a aponte» (Bruno Maggioni).


O desafio missionário para cada cristão e para a comunidade dos crentes consisteem descobrir Cristoque está no meio de nós, muitas vezes desconhecido (Jo 1,26), e indicá-lo a todos já presente no mundo. Presente não só na Palavra revelada e nos Sacramentos, mas nos pobres, nos migrantes, nos que sofrem, nos últimos e oprimidos, que são o próprio Cristo: «a mim o fizestes!» (Mt 25,40). Presente também nas aspirações de quem não é cristão, no coração de quem diz não acreditar em nada, na vida de quem trabalha pela paz…(*). O missionário é consagrado e «enviado a levar a boa notícia» (Is 61,1), com a vida e a palavra, como afirma o apóstolo Paulo: «Ai de mim se não anunciasse o Evangelho» (1Cor 9,16). Mesmo se o mensageiro não é o dono do coração dos que acolhem o anúncio. Como João Baptista, também o cristão missionário faz um caminho de progressiva maturação interior: primeiro descobre a Palavra, alimenta-se dela, e depois torna-se sua testemunha e mensageiro. Em toda a parte! Ultrapassando as barreiras humanas e geográficas!


Palavra do Papa


“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos”.


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013), nº 1


No encalço dos Missionários


- 14/12: S. João da Cruz (1542-1591), sacerdote carmelita espanhol, místico e doutor da Igreja, reformador da Ordem Carmelita juntamente com Santa Teresa de Ávila.


- 14/12: S. Nimatullah Youssef Kassab Al-Hardini (1808-1858), sacerdote maronita libanês, homem asceta, dedicado ao estudo e à actividade pastoral.


- 16/12: B. Filipe Siphong Onphitak (1907-1940), pai de família e catequista, proto-mártir da Tailândia. Quando o pároco foi expulso, escolheram-no a ele como guia da sua comunidade e mais tarde foi assassinadoem Mukdahan. Na Tailândiacontam-se ainda outros mártires (2 religiosas - ver 26/12 - e 4 leigos…), além do B. Nicolau Bunkerd (12/1).


- 17/12: S. João de Matha (1154-1213), sacerdote francês, fundador da Ordem dos Trinitários, para a libertação dos escravos.


- 18/12: Dia Internacional dos Trabalhadores Migrantes (ONU, 1990).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»