PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

Apostar na caridade: «foi a mim que o fizestes!»

Solenidade de Cristo Rei – XXXIV Domingo do T.C. – Ano A – Domingo 23.11.2014


 


Ezequiel 34,11-12.15-17


Salmo 22


1Coríntios 15,20-26.28


Mateus 25,31-46


 


Reflexões


A solenidade de Cristo Rei, último domingo do ano litúrgico, contém uma mensagem unitária de recapitulação, que se projecta no passado, no presente e no futuro da vida humana. Nela está sempre presente Cristo Salvador, o Emanuel (Deus connosco): apareceu em Belém em carne humana (Mateus 1, 23), caminha connosco no dia a dia (Mateus 28, 20), virá na etapa final como rei-pastor e juiz (Evangelho de hoje). A sua presença é sempre marcada pelo amor: é portadora de conforto no sofrimento e é motivo de esperança na expectativa do juízo final. Aquele último momento é descrito no Evangelho com palavras severas (vv. 41-46), que, todavia, não estão em contradição com o Jesus bom, «amigo de publicanos e pecadores» (Lc 7,34), feito homem para «procurar o que estava perdido» (Lc 19,10). Emblematicamente, logo depois da cena do juízo, Mateus apresenta Jesus que «será entregue para ser crucificado» (Mt 26,2).


Jesus, o Pastor bom que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10), incarna o projecto de Deus, rei-pastor, do qual Ezequiel (I Leitura) exalta o amor extremoso pelas ovelhas: procura-as, cuida delas, passa-as em revista, reúne-as, orienta-as, apascenta-as… O salmista canta a sua segurança e felicidade, porque o pastor está a seu lado (Salmo). Para Paulo (II Leitura) todo o mal, incluindo a morte, será vencido.


Segundo a literatura bíblica (Dn 7) e extra-bíblica, as cenas de juízo não têm como objectivo descrever o que irá acontecer, mas ensinar como se comportar hoje. Mais do que informar sobre o futuro, indicam um programa a viver hoje. À luz do juízo final, Jesus revela a qualidade que devem ter as nossas acções; ensina-nos como orientar a vida de modo a não se enganar, mas a acertar no caminho. O único caminho é o Seu: o amor e serviço aos necessitados. De facto, «no entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor» (S. João da Cruz).


O amor pelos últimos abre as portas do Reino de Deus: «Vinde, benditos de meu Pai…» (v. 34). Jesus indica o caminho para lá chegar: por bem quatro vezes enumera seis obras de amor para com as pessoas necessitadas: famintos, sedentos, peregrinos, despidos, doentes, prisioneiros. Ajudar tais pessoas é tarefa de cada cristão e parte do trabalho quotidiano dos missionários. E é-o também para os seguidores de todas as religiões. Estas obras de amor constituem um espaço de encontro com todas as pessoas de boa-vontade. Uma lista de tais obras está presente em Isaías 58,6-7. Mas já no Antigo Egipto (2º milénio a.C.), o Livro dos mortos (cap. 125) punha nos lábios do defunto estas palavras: «Eu fiz aquilo que faz exultar os deuses. Dei pão ao faminto, dei água ao sedento, vesti o que estava nu, ofereci uma viagem ao que não tinha barco». A estas obras, Jesus confere uma novidade decisiva: Ele identifica-se com os mais fracos e pequenos, a ponto de dizer: «foi a mim que o fizestes» (v. 40). Os últimos são na verdade os destinatários privilegiados das escolhas do Senhor. Portanto, a opção preferencial pelos pobres não é uma alternativa de livre escolha, mas uma obrigação para a Igreja, como afirmava energicamente João Paulo II já quase no final da sua vida, convidando os cristãos a «apostarem na caridade». Uma opção em que está em jogo a própria fidelidade da Igreja ao seu Senhor! (*)


É forte o testemunho missionário de Carlos de Foucauld, que viveu intensamente a presença de Cristo nos pobres entre os quais escolheu viver, os beduínos do deserto, todos muçulmanos. Alguns meses antes da sua morte, escrevia: «Julgo que não haverá outra palavra do Evangelho que tanto tenha tocado e transformado a minha vida, como esta: “o que fizeres a um dos mais pequenos, é a mim que o fazes”. Se se pensar que estas palavras são da Verdade incarnada, as palavras dos lábios que disseram: “Este é o meu Corpo… Este é o meu Sangue”, com que intensidade não se é levado a procurar e amar Jesus nestes pequenos, pecadores, pobres!». Carlos, o irmão universal, soube reconhecer a presença de Cristo, de modo igual, seja na Eucaristia seja nos pobres, incluindo os não cristãos. Foi um verdadeiro missionário!


Palavra do Papa


(*) «Devemos saber vê-lo (Cristo) sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo se quis identificar: “Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; estava nu e destes-me de vestir; adoeci e visitastes-me; estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25,35-36). Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projecta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo…. Segundo as inequivocáveis palavras do Evangelho, há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles».


João Paulo II


Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte (06.01.2001), n. 49


No encalço dos Missionários


- 23/11: S. Columbano, abade (†615), nascido na Irlanda, missionário itinerante em França, Suiça e Itália, fundador de numerosos mosteiros.


- 23/11: B. Miguel Agostinho Pro (1891-1927), jesuíta mexicano, martirizado durante a perseguição contra a Igreja. Juntamente com ele, recordam-se muitos outros mártires do mesmo período.


- 24/11: S. André Dung-Lac (†1839), sacerdote, e vários outros companheiros mártires no Vietname. João Paulo II canonizou 117 deles: bispos, sacerdotes e leigos assassinados em vários lugares, modos e tempos.


- 24/11: BB. Pedro Kibe Kasui (1587-1639), jesuíta japonês, e 187 companheiros mártires, assassinados entre 1603 e 1639; destes, quatro eram sacerdotes e todos os outros leigos, entre os quais também mulheres e crianças. É o terceiro grupo de mártires japoneses (depois dos de 1597 e 1622) e foram beatificados em Nagasaki em 2008.


- 26/11: S. Leonardo de Porto Maurício (1676-1751), sacerdote franciscano, itinerante, dedicado às missões populares. É o inventor da prática da Via Crucis.


- Beato Tiago Alberione (1884-1971), fundador da Família Paulina (com uma dezena de instituições), para difundir o Evangelho com os meios de comunicação social e para promover as vocações.


- 26/11: Evocação do Card. Charles Lavigerie (1825-1892), bispo francês de Argel, fundador dos Missionários de África (Padres Brancos).


- 27/11: 1º Domingo de Advento, tempo missionário para recordar os povos que ainda esperam o primeiro anúncio de Cristo Salvador.


- 29/11: (e dias chegados): BB. Eduardo Burden (†1588), Jorge Errington (†1596), e companheiros; S. Cutberto Mayne (†1577), SS. Edmundo Camnpion (†1581) e companheiros; B. Ricardo Langley (†1586) e muitos outros sacerdotes e leigos martirizados em Inglaterra durante o reinado da rainha Isabel I.


- 29/11: BB. Dionísio Berthelot e Redento Rodríguez, religiosos carmelitas, feitos escravos e depois martirizados por muçulmanos (†1638) em Aceh (Sumatra, Indonésia).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»