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Palavra de Deus

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O escândalo vencedor do Profeta

XIV Domingo do Tempo Comum: Ano B – 5.7.2015


 


Ezequiel 2,2-5


Salmo 122


2Coríntios 12,7-10


Marcos 6,1-6


 


Reflexões


«Eu envio-te a um povo rebelde que se revoltou contra Mim… a filhos de cabeça dura e coração obstinado… uma casa de rebeldes» (Ez 2,3-5). Com uma linguagem, que hoje seria imediatamente considerada “politicamente incorrecta”, o Senhor enviou o jovem Ezequiel (I leitura) a ser profeta entre os israelitas (VI séc. a.C.) deportados como escravos para a Babilónia. A linguagem dura indica a difícil missão de ser profeta. Era difícil então; foi-o para Jesus (Evangelho) e para Paulo (II leitura). Ser profeta de Deus, portador do Evangelho de Jesus, foi sempre uma missão árdua em cada época e latitude. Sem a tentação de procurar auréolas de heroísmo, a história oferece provas copiosas de tais dificuldades. As três leituras deste domingo convidam a reflectir sobre o “escândalo do profeta”, apresentando a sua vocação e missão.


O profeta não é nunca um auto-candidato, mas um chamado por Deus, que o envia. Muitas vezes a chamada de Deus acontece por etapas, que ajudam a compreender o sentido e o alcance de uma vocação. Assim aconteceu com Abraão, Moisés, o próprio Jesus, os Doze apóstolos, Paulo e muitos outros. A chamada de Ezequiel tem pelo menos três momentos: em primeiro lugar, a visão do «carro do Senhor» numa cenografia rica de imagens de não fácil compreensão (Ez 1). Segue-se a chamada propriamente dita, expressa em termos directos (I leitura): é Deus que intervém e habita no profeta (v. 2); este põe-se de pé, escuta a voz de Deus que o envia (v. 3.4) àqueles «filhos de cabeça dura e coração rebelde» (v. 4). Mas o profeta – e é o terceiro momento da vocação – não deve ter medo, não se deve deixar abalar por aquela raça de rebeldes, que são como cardos, espinhos, escorpiões… (v. 6-7). Ele apresenta-se a eles, fortalecido pela Palavra que comeu: o rolo da Palavra torna-se a seu paladar doce como o mel. O profeta terá uma «cabeça dura»: não dirá palavras suas, mas apenas as que tiver escutado do Senhor e que tiver acolhido no seu coração. Deste modo ele será sentinela fiel e corajosa no transmitir as mensagens de Deus. Quer o escutem ou não! (Ez 3).


Paulo é modelo de profeta, escolhido pelo Senhor para uma missão de primeiro anúncio do Evangelho aos pagãos. Uma missão que ele realizou com determinação, generosidade, amplitude de horizontes geográficos e culturais, no meio de provações de todo o género, como relata nos textos que precedem o trecho de hoje (II leitura). Foi uma missão corajosa, mas vivida, ao mesmo tempo, na humildade e fraqueza, com um espinho na carne (v. 7). Suplicou insistentemente para que fosse libertado desse espinho, mas por fim compreendeu que a graça do Senhor estava nele (v. 8-9). E mais ainda, que a missão é mais forte e mais autêntica quando se realiza na fraqueza: nas afrontas, dificuldades, perseguições, angústias sofridas por Cristo (v. 10). Porque desse modo, manifesta-se claramente que missão e vocação são obra de Deus e não invenções humanas. (*) A experiência histórica dos missionários e das Igrejas por eles fundadas e sustentadas dão provas deste paradoxo, no qual só o mistério de Cristo lança um pouco de luz.


Pareceria lógico que pelo menos a missão profética do Filho de Deus em carne humana fosse clara para todos, aceite sem rejeições nem contestações. Pelo contrário, precisamente na sua pátria, entre os seus, Jesus foi incompreendido (Evangelho) e, mais tarde, na cidade santa de Jerusalém foi eliminado numa conspiração urdida pelos seus adversários religiosos e políticos. Em Nazaré a gente, admirada (v. 2), oscila entre várias interpretações: põe-se pelo menos cinco interrogações acerca da identidade de Jesus (v. 2-3), passando da estupefacção ao escândalo, à inveja e até à rejeição daquele concidadão, que se mostra demasiado divino (sabedoria, prodígios…), mas, ao mesmo tempo, demasiado humano (carpinteiro, um entre os demais, de família bem conhecida…). Dada a incredulidade de muitos, Jesus, contra a sua vontade, é obrigado a conter-se: cura apenas alguns doentes (v. 5).


Apesar do fechamento e da incompreensão daqueles habitantes, Jesus responde com um duplo sinal: 1. percorre as aldeias em redor, comove-se ao ver as gentes, ensina-lhes muitas coisas (v. 6 e 34); 2. chama os Doze e envia-os dois a dois, dando-lhes também «poder sobre os espíritos impuros» (v. 7). Também os Doze, chegado o tempo da sua vocação plena pelos caminhos do mundo, viverão as mesmas experiências do seu Mestre: encontrarão reconhecimento e aceitação, mas, muitos mais frequentemente, incompreensões e perseguições, suspeições e desprezo, juntamente com enfermidades e defeitos pessoais. São as alternas vicissitudes da vida dos missionários, chamados a seguir os passos de Jesus, que tinha predito: «Se me perseguiram a mim, também vos perseguirão a vós; se observaram a minha palavra…» (Jo 15,20). E sempre com a certeza de Paulo: o poder de Cristo e do seu plano de salvação «manifesta-se plenamente na fraqueza» (2Cor 12,9). Deus quer que, através da fraqueza dos instrumentos humanos, se manifeste mais claramente o seu poder. É este o escândalo do profeta; é o escândalo vencedor da cruz.


Palavra do Papa


(*) «A missão percorre a mesma estrada (de Cristo), com o seu ponto de chegada aos pés da Cruz. Ao missionário pede-se que “renuncie a si mesmo e a tudo aquilo que antes possuía como seu, e se faça tudo para todos”: na pobreza que o torna livre para o Evangelho, no distanciar-se de pessoas e bens do seu ambiente originário para se fazer irmão daqueles a quem é enviado, levando-lhes Cristo salvador».


João Paulo II


Encíclica «Redemptoris Missio» (7.12.1990), n. 88


No encalço dos Missionários


- 5-13/7: Viagem apostólica do Papa Francisco a América Latina – Equador, Bolívia e Paraguai.


- 6/7: B. Maria Teresa Ledóchowska (1863-1922), empenhou-se pela libertação dos escravos africanos e fundou as Irmãs Missionárias de S. Pedro Claver.


- 6/7: B. Nazaria I. March Mesa (1889-1943), espanhola, emigrou para o México; missionária na Bolívia e Argentina; fundadora.


- 7/7: B. Pedro To Rot (Papua-Nova Guiné, 1912-1945), leigo catequista, casado, assassinado pelos japoneses, com uma injecção letal, no final da II Guerra Mundial.


- 7/7: B. Maria Romero Meneses (1902-1977), salesiana da Nicarágua, dedicada às obras de caridade.


- 9/7: SS. Agostinho Zhao Rong (†1815) e numerosos companheiros mártires na China, que em lugares e tempos diferentes (entre 1648 e 1930) deram testemunho do Evangelho de Cristo com a palavra e com a vida.


- 9/7: S. Paulina (Amabile Wisintainer) do Coração Agonizante de Jesus (1865-1942), italiana, emigrou para o Brasil, onde se dedicou ao cuidado dos doentes e pobres, a bem dos quais fundou uma congregação.


- 10/7: BB. Emanuel Ruiz e 10 companheiros mártires (8 missionários franciscanos e 3 leigos maronitas, irmãos de sangue), mortos pela fé, por muçulmanos, em Damasco (Síria) em 1860.


- 11/7: S. Bento de Núrsia (480-547), abade, «Padroeiro da Europa», fundador, patriarca dos monges no Ocidente.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»