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Palavra de Deus

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O esforço e a alegria de se abrir ao amor e à Missão

VI Domingo de Páscoa: Ano B – 10.5.2015


 


Actos  10,25-26.34-35.44-48


Salmo  97


1João  4,7-10


João  15,9-17


 


Reflexões


Duas questões de sempre: qual é o amor maior? Onde encontrar a alegria plena? A resposta de Jesus é clara e definitiva (Evangelho): no ser fiel a Deus e no dar a vida pelos outros (v. 11.13). São palavras de Jesus na sua Páscoa grande, que, segundo o evangelho de João, se abre com o «lava-pés» (13,1ss), gesto que tem um significado sacramental e eucarístico. Estamos no início do “Livro de Despedida”, que compreende os capítulos 13-17 de João, nos quais o evangelista condensa temas muito caros à sua teologia: fala com insistência do serviço e do mandamento do amor, explica o significado pascal e escatológico do êxodo de Jesus, revela as relações de Jesus no seio da vida trinitária, fala de Jesus que mostra o rosto do Pai e do Espírito Consolador, reúne a intensa oração de Jesus ao Pai… Para Jesus são horas densas de confidências e de desabafo com os seus amigos (v. 15), aos quais se revela como «caminho-verdade-vida», oferece a sua paz, convida-os a ter confiança, porque «eu venci o mundo» (Jo 16,33).


Em tal contexto de despedida, rico de significado e de emoções, adquire um especial relevo o ensinamento de Jesus sobre o amor em todas as dimensões.


- Fala antes de mais da fonte primeira do amor, o amor do Pai, o amor fontal (como afirma o decreto conciliar Ad Gentes 2) no seio da Trindade: «como o Pai me amou…»;


- do Pai o amor derrama-se no Filho, com a abundância do Espírito Santo;


- dos discípulos o amor irradia em direcção a todos: «que vos ameis uns aos outros» (v. 12.17).


Jesus mesmo se oferece como medida, modelo, inspiração para o amor maior: lava os pés dos seus discípulos, dá «a sua vida pelos seus amigos» (v. 13), perdoa e ama até os seus inimigos. (*)


O amor de que Jesus fala tem claras dimensões missionárias, como se vê em duas frases que é preciso ler em paralelo: o amor é missão, a missão é amor.


- «como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor» (v. 9);


- «como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós… recebei o Espírito Santo» (Jo 20,21-22).


Amor e missão estão estreitamente unidos: o amor leva à missão, a missão nasce do amor. Tudo isso no rasto e com a força do Espírito de amor. João (II leitura) reforça o mesmo ensinamento, apelando à origem divina do amor: «amemo-nos… porque o amor vem de Deus… porque Deus é amor… Foi Ele que nos amou» (v. 7.8.10).


Amar até dar a vida pelos outros! É o amor maior, é o amor dos mártires. E de muitos cristãos, missionários e não missionários. Um dos 7 monges trapistas, mortos em Tibhirine (Argélia, Maio de 1996) por alguns fundamentalistas islâmicos, deixou escrito este testemunho: «Se chegar o dia – e poderia ser hoje mesmo – em que cair vítima do terrorismo, que parece querer engolir todos os estrangeiros que vivem na Argélia, gostaria que a minha comunidade, a minha Igreja, a minha família, se recordassem que a minha vida é oferecida a Deus e a este País» (Christian de Chergé).


O amor de Deus é para todos; portanto a Missão dos cristãos deve ser aberta a todos os povos. Esta universalidade da acção missionária da Igreja surge em toda a história da conversão do centurião pagão Cornélio (I leitura), como explica muito bem Augusto Barbi, teólogo biblista. Com esforço a Igreja abriu-se para acolher os pagãos. No Livro dos Actos, o episódio de Cornélio constitui uma viragem decisiva em tal abertura. O espaço dedicado a este episódio (66 versículos!) e a repetição de algumas partes da narração mostram a sua importância, mas também o esforço com que se dá a progressiva integração dos pagãos na Igreja. Pedro desenvolve reflexões basilares próprias da teologia missionária sobre o tema da salvação para qualquer pessoa: «Deus não faz acepção de pessoas, mas acolhe aquele que o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença» (v. 34-35). Para lá das belas reflexões de Pedro e companheiros, quem resolve verdadeiramente o problema é o Espírito Santo, que desce sobre todos os presentes: fiéis e pagãos (v. 44-45), abrindo assim também a estes últimos a porta do baptismo (v. 47-48).


As resistências da primeira comunidade cristã – e as hesitações do próprio Pedro – são devidas à diversidade cultural-religiosa dos interlocutores e à cristalização de preconceitos ligados à estranheza e aos medos. Não é difícil ver nos personagens e nos acontecimentos da história de Cornélio um paradigma e uma orientação significativa para o hoje da Igreja, que se vê com frequência a ter de enfrentar os desafios da diversidade étnica-cultural-religiosa dos povos e a ter de se abrir continuamente à universalidade e à missão, com o empenho do acolhimento, integração e evangelização de novos grupos humanos. Migrantes e não. Aceites, ou recusados e afastados!


Palavra do papa


(*) «Toda a actividade da Igreja é manifestação dum amor que procura o bem integral do ser humano: procura a sua evangelização por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heroico nas suas realizações históricas; e procura a sua promoção nos vários sectores da vida e da actividade humana. Portanto, é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos seres humanos»


Bento XVI


Encíclica Deus Caritas est (25.12.2005), n. 19


No encalço dos Missionários


- 10/5: S. João de Ávila (1500-1569), dedicado às missões populares no sul de Espanha, amigo e sócio dos grandes reformadores do seu tempo; é o patrono dos sacerdotes diocesanos espanhóis.


- 10/5: B. Ivan Merz (1896-1929), leigo da Croácia, humanista, empenhado na vida social.


- 11/5: B. Zeferino Namuncurá (1886-1905), nascido na Argentina, membro da etnia Mapuche da Araucania, e falecido em Roma; jovem aspirante da família salesiana, modelo de virtudes cristãs.


- 11/5: Evocação do P. Mateus Ricci (1552-1610), jesuíta italiano, missionário na China: viveu, morreu e foi sepultado em Pequim. Foi pioneiro de uma nova forma de presença missionária e cristã na China.


- 13/5: Aniversário das aparições de Nossa Senhora de Fátima (Portugal, 1917).


- 13/5: Evocação da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, inaugurada (2007) em Aparecida (Brasil) pelo Papa Bento XVI.


- 14/5: S. Matias, Apóstolo, chamado a fazer parte do grupo dos Doze Apóstolos (Actos 1, 15-26).


- 14/5: S. Teodora (Ana Teresa) Guérin (1798-1856), religiosa, fundadora, missionária desde a França a Indianópolis (USA).


- 15/5: S. Isidoro, agricultor (Madrid, cerca de 1080-1130), esposo da B. Maria dela Cabeza: foi exemplo de trabalho e de confiança na Providência.


- 15/5: Dia Internacional da Família, instituída pelas Nações Unidas em 1994.


- 16/5: B. Simão Stock (†1265), eremita inglês, entrou na Ordem dos Carmelitas, dando impulso à devoção mariana e à consolidação da Ordem; morreu em Bordeaux (França).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»