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Palavra de Deus

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Fé e amor para relançar a Missão

XII Domingo do Tempo Comum - Ano B - 21.6.2015


 


Job 38,1.8-11


Salmo 106


2Corínrios 5,14-17


Marcos 4,35-41


 


Reflexões


Uma pergunta insistente percorre todos os 16 capítulos do Evangelho de Marcos, desde o início ao fim: «Quem é Jesus?» Também no trecho do Evangelho de hoje, Marcos põe nos lábios dos discípulos a pergunta: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?» (v. 41) Os numerosos milagres de cura e a doutrina nova, ensinada com autoridade por um Mestre tão surpreendente (1,27), confluem em dois momentos salientes, com a profissão de fé em Jesus por parte de duas testemunhas coincidentes. De facto, a meio do Evangelho de Marcos, temos a afirmação solene do discípulo Pedro: «Tu é o Cristo» (8,29); e no fim, o centurião pagão, aos pés da cruz, declara: «Na verdade este homem era o Filho de Deus» (15,39). Uma afirmação que recebe confirmação imediata no acontecimento da ressurreição! (16,6).


O Evangelho de Marcos, embora na sua brevidade e concisão, é uma resposta cabal àquela pergunta inicial sobre a identidade de Jesus, com uma mensagem global e envolvente. «O catecúmeno no Evangelho de Marcos - o cristão hoje, cada um de nós - é convidado a compreender que Deus está para tomar posse da sua vida e vai ao seu encontro com uma misteriosa iniciativa, que ele é chamado a aceitar» (Carlos Maria Martini). Marcos, na sua temática evangelizadora, dedica pouco espaço aos discursos e às parábolas de Jesus, preferindo dar relevo aos episódios da vida e aos milagres, que ele sabe relatar sempre com vivacidade de imagens e emoções.


Vê-se isso claramente no milagre da tempestade acalmada (Evangelho): a grande tormenta, a barca já cheia de água, o grito desesperado dos discípulos, Jesus que dorme tranquilamente com a cabeça na almofada, a popa... Mas a Jesus basta uma palavra para fazer cessar o vento. Acaba o medo dos discípulos, mas permanece o «grande temor» (v. 41) por ter visto uma manifestação do Senhor. A narração, rica de elementos para a catequese, culmina com a oração aflita dos discípulos ao Mestre e com a sua profissão de fé n'Ele, ao qual até o vento e o mar obedecem (v. 41). Desse modo, reconhecem-lhe o poder divino, próprio d'Aquele que fixou um limite ao mar (I leitura) e quebrou o orgulho das suas ondas (v. 11).


Na cultura de muitos povos, o mar (com a sua pujança, os cetáceos, dragões marinhos...) é visto muitas vezes como antagonista da divindade, símbolo de forças negativas, inimigas do homem. Contrariamente, o Deus da Bíblia é mais poderoso que o mar, domina-o. Por isso, a cena evangélica de hoje continha quer uma mensagem de consolação para as primeiras comunidades cristãs que começavam a experimentar a perseguição, mas também um convite aos catecúmenos a confiar em Cristo e na sua nova proposta de vida. Ele é sempre o Emanuel, Deus connosco, mesmo no meio das provações e tempestades de todo o género. Até mesmo quando dorme - o sono do corpo ou o sono da morte - Ele partilha connosco as situações de perigo, entrou e permanece na barca dos discípulos. Não será nunca vencido: tem sempre a palavra última de vida. Significativamente, Marcos usa aqui, duas vezes, o verbo grego típico da ressurreição (egheiro), para indicar que Jesus acordou, despertou (v. 38.39).


A narração do milagre da tempestade acalmada é também uma página de teologia bíblica sobre o mistério do sofrimento no mundo, que faz apelo à presença providente e omnipotente de Deus. Perante o sofrimento, as lógicas humanas falham. A figura de Job (I leitura) permanece emblemática. A única âncora é confiar em Deus e gritar-lhe, ainda que de forma rude mas confiante, o nosso desespero, como o salmista, como os discípulos: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (v. 38). Com a certeza de que - como e quando Ele o sabe! - Ele tem sempre reservada para o mar a palavra: «Cala-te e está quieto!» A experiência do sofrimento, a angústia pela morte de inocentes, a indignação pelas violências e injustiças, obrigam-nos a elevar o olhar para a Cruz, para o Coração trespassado de Cristo, e a «relançar o espírito missionário». (*) De facto, «o nosso grito em direcção a Deus deve ser um grito que trespasse o nosso próprio coração, para que se desperte em nós a presença oculta de Deus, para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo» (Bento XVI, no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, 28.5.2006). Em síntese, Paulo (II leitura), com uma expressão enérgica e de difícil tradução, afirma que «o amor de Cristo crucificado nos impele» (v. 14): nos empurra, aperta, domina, parte o coração, chama à conversão e à missão.


Palavra do Papa


Aprendamos com os Santos que nos precederam e enfrentaram as dificuldades próprias do seu tempo. Com esta finalidade, proponho-vos que nos detenhamos a recuperar algumas motivações que nos ajudem a imitá-los nos nossos dias. A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos de nos deter em oração para Lhe pedir que volte a cativar-nos. Precisamos de o implorar cada dia, pedir a sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial.


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013) nº 263 e 264


No Encalço dos Missionários


- 21/6: S. Luís Gonzaga (1568-1591), religioso jesuíta italiano, falecido em Roma, com 23 anos de idade, assistindo pessoas atingidas pela peste. É o patrono da juventude estudantil.


- 22/6: S. Paulino de Nola (353-431), bispo e poeta latino, nascido em França, evangelizou sobretudo a Campania (Itália).


- 22/6: SS. João Fisher, bispo de Rochester, e Tomás Moro, magistrado: intrépidos defensores da fé católica contra as pretensões de Henrique VIII, martirizados em Londres (†1535). À volta desta data recordam-se os numerosos outros mártires de Inglaterra, assassinados em épocas e lugares diferentes.


- 24/6: Nascimento de S. João Baptista, Precursor do Messias: anunciou a vinda de Jesus e preparou-lhe o caminho, dando testemunho d'Ele até ao martírio. É modelo dos missionários.


- 24/6: B. Maria Guadalupe Garcia Zavala (1878-1963), de Gadalajara (México), fundadora dedicada ao serviço dos pobres e doentes.


- 25/6: Memória do servo de Deus Mons. Melchior de Marion Brésillac (1813-1859), francês, que fundou em Lion a Sociedade para as Missões Africanas (SMA).


- 26/6: S. Vigilio (†405), terceiro bispo de Trento (Itália), evangelizador da região com a ajuda de três missionários provenientes da Capadócia (actual Turquia); morreu mártir em Val Rendena.


- 26/6: S. José Maria Escrivá de Balaguer (1902-1975), sacerdote espanhol, fundador do Opus Deis, para promover o ideal da santificação na vida ordinária e no trabalho.


- 26/6: Dia Mundial de Apoio às Vítimas da Tortura (ONU, 1987).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»