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Palavra de Deus

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Quaresma para partilhar a Palavra e o Pão

I Domingo da Quaresma - Ano C – 14.2.2016


 


Deuteronómio  26,4-10


Salmo  90


Romanos  10,8-13


Lucas  4,1-13


 


Reflexões


«No deserto um homem sabe quanto vale: vale quanto valem os seus deuses» (A. De Saint-Exupéry), isto é, os seus ideais, os seus recursos interiores. «No deserto do mundo», alimentados com o pão da Palavra e fortalecidos pelo Espírito, entrámos a celebrar novamente a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão», para poder vencer – com as armas nunca ultrapassadas do jejum, da oração e da esmola – «as contínuas seduções do maligno» (oração colecta). A Quaresma repropõe os temas fundamentais da salvação, e portanto da missão: o primado de Deus e o seu plano de amor pelo homem, a redenção que nos é oferecida de forma gratuita no sacrifício de Cristo, a luta permanente ao pecado, as relações de fraternidade e respeito com os próprios semelhantes e com a criação… São temas próprios do deserto quaresmal.


As tentações (Evangelho) não foram para Jesus um artifício ou fingimento, foram verdadeiras provas, como o são para o cristão e para a Igreja. «Se Cristo não tivesse experimentado a tentação como verdadeira tentação, se a tentação não tivesse significado nada para ele, homem e Messias, a sua reacção não poderia ser um exemplo para nós, pois não teria a ver com a nossa» (C. Duquoc). Mas precisamente porque foi provado, serve de exemplo e de ajuda a quem se encontra em provação (cf. Heb 2,18; 4,15).


Jesus lutou realmente com satanás acerca da escolha de possíveis métodos e caminhos para realizar a Sua missão de Messias. As três tentações são uma síntese significativa de um longo período de luta contra o mal, sustentada por Jesus nos quarenta dias de deserto (v. 2) e durante toda a sua vida, incluindo a cruz, quando o diabo voltou no «tempo fixado» (v. 13) As tentações representam modelos diferentes de Messias. E para nós também de missão! Para Jesus as tentações eram «três vias de saída para não passar pela cruz» (Fulton Sheen). Eram a subversão da relação com as coisas materiais, com as pessoas e com o próprio Deus. Eram tentações de tornar-se: 1º, um reformador social: converter as pedras em pão para si e para todos teria garantido o sucesso popular; 2º, um messias do poder: um poder baseado no domínio sobre as pessoas e sobre o mundo teria satisfeito o orgulho pessoal e de grupo; 3º, um messias milagreiro: com gestos de espectacularidade e fama.


Jesus supera as tentações: escolhe respeitar o primado de Deus, confia no Pai e no seu plano para a salvação do mundo. Renuncia a instrumentalizar egoisticamente as coisas materiais para proveito próprio (agora não transforma as pedras em pão para si, mas mais tarde multiplicará pães e peixes paras as multidões famintas); recusa dominar sobre as pessoas e prefere servir; mantém sempre uma relação filial com Deus confiando na Sua fidelidade. Aceita a cruz por amor e morre perdoando: só assim, rompe a espiral de violência e retira à morte o seu «veneno»: a morte é vencida pela Vida.


Jesus enfrenta e supera as tentações pela força do Espírito Santo, do qual está cheio (v. 1). É o Espírito do Baptismo (Lc 3,22), da Páscoa e do Pentecostes. E é o Espírito da Missão. Por vezes acreditou-se que poder, dinheiro, domínio, presumida superioridade, super-activismo… fossem caminhos apostólicos. O missionário é muitas vezes tentado por tais ilusões; por isso precisa do Espírito de Jesus, o protagonista da missão (RM 21ss). O Espírito faz-nos compreender que o deserto quaresmal é um tempo de graça (kairós): tempo das coisas essenciais, as únicas que valem; um dom a viver no silêncio, longe da poluição da algazarra, da pressa, do dinheiro, da futilidade; um tempo de partilha missionária! (*)


A Quaresma é um tempo de salvação, centrado na fé em Cristo morto e ressuscitado (II leitura): é Ele o Senhor de todos os povos, que oferece a salvação a todo aquele que invoca o Seu nome, sem distinção de pertenças (v. 12-13). Este primado de Deus manifesta-se também através da oferta das primícias dos frutos da terra (I leitura). Trata-se de um sinal de gratidão e de propiciação. Mas igualmente de uma forma de partilha com os necessitados: a oferta das primícias, de facto, era destinada também ao estrangeiro, ao órfão, à viúva, «para que se alimentem às portas da cidade e fiquem saciados» (v. 10-12). Há aqui uma preciosa indicação de itinerário espiritual e missionário: quem se aproxima de Deus e vive em sintonia com Ele descobre também o próximo, vizinho e distante. E torna-se solidário e generoso!


Palavra do Papa


(*) A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).


Bento XVI


Mensagem para a Quaresma 2013, nº3


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»