PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

Em mar aberto: amplitude e profundidade da Missão

V Domingo do Tempo Comum - Ano C – 7.2.2016


 


Isaías 6,1-8


Salmo 137


1Coríntios 15,1-11


Lucas 5,1-11


 


Reflexões


«Fazei-vos ao largo e lançai as redes… Deixaram tudo e seguiram-no» (Evangelho, v. 4.11). Foi assim com Pedro e os seus companheiros. Como foi com Isaías, Paulo… e todos aqueles que, ao longo dos séculos, acolheram o convite do mesmo Senhor a partirem missão. São multíplices as vocações e as missões, diferentes nas formas, percursos e circunstâncias, mas idênticas na sua origem e finalidade. As três leituras deste domingo apresentam três vocações emblemáticas: Isaías, Paulo, Pedro, as quais, embora sendo pessoais e específicas, têm multíplices elementos comuns, entre os quais os cinco que se seguem.


-1. A iniciativa de Deus é o ponto de partida de toda a vocação-missão. É Ele que chama e envia. Isaías, no meio de uma manifestação divina extraordinária (I leitura), capta o apelo de Deus que procura alguém para enviar (v. 8). A Paulo é o próprio Cristo ressuscitado que aparece (II leitura) e lhe revela o que deve anunciar (v. 3.8). Lucas descreve detalhadamente a cena: Jesus prega a partir do barco de Pedro (Evangelho), convida-o a fazer-se ao largo, a lançar as redes, e faz dele um pescador de homens (v. 4.10).


- 2. Na aventura da vocação-missão é fundamental a experiência de Deus, visto como grande e santo face à pobreza e indignidade do apóstolo. Não se trata de ter visões, mas de experiências interiores, que são diferentes em cada um, mas necessárias a todos. Diante d’Aquele que é o Três-vezes-santo, Isaías sente-se perdido, homem de lábios impuros, depois purificado (v. 3.5.7). Por sua vez, Paulo declara-se último, indigno e perseguidor (v. 8-9). E Pedro, tocado primeiro pela palavra de Jesus (v. 3) e depois estupefacto com a pesca miraculosa, reconhece-se pecador, lança-se aos pés de Jesus pede-lhe para se afastar dele (V. 8-9). Mas é já evidente que Deus decidiu servir-se de instrumentos frágeis para realizar a sua salvação: purifica-os, e encoraja-os a serem seus obreiros (v. 10).


- 3. O Senhor chama para uma missão. A tarefa pode não ser sempre clara desde o início, far-se-á concreta a seguir. O que importa é a disponibilidade incondicional por parte da pessoa chamada; é preciso uma assinatura em branco! É o caso de Isaías (v. 8). Para Paulo há um Evangelho a anunciar: Cristo morto e ressuscitado (v. 3-4.11). Pedro e os seus companheiros são chamados a fazerem-se ao largo, a pescar homens num mundo vasto e complexo (v. 4.10).


-4. A resposta é a sequela: uma resposta que altera a vida do apóstolo chamado à missão. «Eis-me aqui, podeis enviar-me!» responde Isaías (v. 8). Paulo está feliz por ser o que é, e por ter-se esforçado e pregado (v. 10-11). Pedro e os seus colegas deixaram tudo e seguiram o novo Mestre (v. 11).


-5. A força da missão vem de Deus, não do apóstolo. O fogo purificador queimou todas as resistências e Isaías ganha coragem e vai, enviado pelo Senhor (v. 8). Paulo reconhece que actua «por graça de Deus» (v. 10). Pedro não se importa de se expor ao risco de mais uma pesca infrutífera, ou ao ridículo de pescar em pleno dia. Confia em Cristo: «na sua palavra…» (v. 5). Contra toda a lógica humana, está disposto a pescar mesmo ao meio-dia!


O «duc in altum» (faz-te ao largo, v. 4) é a ordem audaz de Jesus a Pedro: mergulhar no vasto mar do mundo, enfrentar o poder do mal e as suas forças mortíferas. Procurar as pessoas onde quer que se encontrem, levando-lhes uma mensagem da salvação, reconduzi-las à vida, como explicava santo Ambrósio: «Os instrumentos da pesca apostólica são como as redes: de facto as redes não matam quem quer que fique preso nelas, mas conservam-no para a vida, tiram-no dos abismos para a luz e conduzem do profundo à superfície aquele que aí estava submerso». O projecto global de Deus é para a vida, para reforçar, acrescer a vida. Cristo não tira os seus pescadores do mundo, quer que estejam presentes nele, mas protege-os do Maligno (Jo 17,15).


A operação do «Duc in altum» (grego “eis to bathos”) indica a vastidão, a dispersão pelos caminhos do mundo, mas sobretudo a profundidade a que é chamada a missão. Jesus não confia a Pedro e aos seus amigos um trabalho simples, de superfície, mas de alto mar. Indica-se aqui a obra da evangelização na sua complexidade, que compreende metas vitais, como: anúncio de Cristo, condução da comunidade, inculturação, promoção humana, etc. Uma missão exigente, aberta a todos os povos e culturas.


O «duc in altum» é um estímulo a empreendimentos corajosos. João Paulo II estabeleceu sobre o «duc in altum» o programa missionário da Igreja para o Terceiro Milénio. Um programa a realizar com «olhar perspicaz» e «coração grande»! (*) Se se pretende chegar longe, é preciso olhar ao largo. Sem mediocridades, nem receios. O Espírito impele a Igreja missionária a ir sempre mais além! A todos!


Palavra do Papa


(*) «Sigamos em frente, com esperança! Diante da Igreja abre-se um novo milénio como um vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda de Cristo. O Filho de Deus, que encarnou há dois mil anos por amor do homem, continua também hoje em acção: devemos possuir um olhar perspicaz para a contemplar, e sobretudo um coração grande para nos tornarmos instrumentos dela… Agora Cristo, por nós contemplado e amado, convida uma vez mais a pormo-nos a caminho: “Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). O mandato missionário introduz-nos no terceiro milénio».


João Paulo II


Carta Apostólica Novo Millenio Ineunte (6.1.2001), n. 58


No encalço dos Missionários


- 10/2: B. Luis Stepinac (1898-1960), arcebispo de Zagábria (Croácia), defensor da fé, liberdade religiosa e dignidade humana sob o regime comunista na Jugoslávia.


- 10/2: Memória do Papa Pio XI (Achille Ratti, †1939), que deu um grande impulso à actividade missionária, com numerosas iniciativas e importantes documentos.


- 11/2: Nossa Senhora de Lurdes (aparições em 1958). – XXI Dia Mundial do Doente, com o tema: «Vai, e faz o mesmo tu também!» (Lc 10, 37).


- 11/2: Aniversário da criação do Estado da Cidade do Vaticano (1929).


- 12/2: SS. Saturnino, sacerdote, e 48 leigos norte-africanos mártires (†304, em Abitínia, Cartago), que declararam diante do procônsul romano: «Sem o domingo não podemos viver».


- 13/2: Quarta-feira de Cinzas e início da Quaresma: desde sempre a Igreja convida a viver as obras do jejum, oração e esmola com gestos de solidariedade e de missão.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»