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Palavra de Deus

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O abraço do Pai misericordioso regenera pessoas e sociedades

IV Domingo da Quaresma: Ano C – 06.3.2016


 


Josué 5,9a. 10-12


Salmo 33


2Coríntios 5,17-21


Lucas 15,1-3.11-32


 


Reflexões


Bela notícia! «A festa na casa do Pai mal começou… Vinde todos!» É o convite de Jesus (Evangelho), para explicar o amor sem limites de Deus pai e mãe, por meio da extraordinária página, conhecida como a «parábola do filho pródigo». Um título parcial, na medida em que tem em conta apenas o filho mais novo e descura o mais velho, que é igualmente, ou ainda mais, merecedor de censura. O título mais adequado seria: «parábola do pai misericordioso», visto que é ele o protagonista: o seu amor está no centro da narração. O livro de Lucas é já conhecido como o «Evangelho da misericórdia», mas nele o capítulo 15 (com as três parábolas) é definido «um evangelho no Evangelho». A notícia mais bela!


Desta parábola muito conhecida e comentada, basta pôr em evidência apenas alguns aspectos. Muito oportunamente, o trecho evangélico escolhido para a liturgia deste domingo inclui os primeiros versículos de Lucas 15, onde se vê o contexto da parábola: Jesus acolhe publicanos e pecadores e come com eles. Aparecem também os destinatários: os fariseus e os escribas que murmuram (v. 1-3). Os destinatários aparecem novamente no fim na figura do irmão mais velho.


De sublinhar os cinco verbos, com os quais Lucas descreve o amor efusivo do pai pelo filho que volta: vê-o (ao longe) e comovido corre ao seu encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o (v. 20). Seguem as cinco ordens do pai para autenticar a plena reabilitação do filho reencontrado: a túnica nova (sinal da dignidade em família), o anel no dedo (o poder), as sandálias nos pés (sinal do homem livre). E depois o vitelo gordo (para as ocasiões solenes) e a grande festa para todos (v. 22-23). A festa parece ser precisamente o elemento que aborrece o filho mais velho que regressa do campo (v. 25.29.30). O pai sai para o ajudar a entender a razão de tanta alegria: era preciso fazer festa, o teu irmão voltou! (v. 23).


Em cada um de nós convivem os dois irmãos, o mais novo e o mais velho, ambos com atitudes reprováveis e igualmente necessitados de conversão. Para Jesus, o modelo sobre o qual comparar-se é o Pai misericordioso: acolhe todos sem limites, perdoa com gratuidade, quer que todos vivam em sua casa. Relativamente a este itinerário de conversão, Henri J. M. Nouwen escreveu um livro esplêndido de meditações – «O regresso do filho pródigo» – partindo do famoso quadro de Rembrandt. Eis uma das fortes mensagens: «Estou destinado a ocupar o lugar do meu Pai e oferecer aos outros a mesma compaixão que Ele me ofereceu a mim. O regresso ao Pai é em última análise o desafio a tornar-se o Pai».


A parábola de Jesus permanece aberta, sem conclusão. Não é dito que o irmão mais velho tenha entrado na festa; não sabemos se o mais novo deixou de fazer asneiras; o que sabemos é que naquela casa há lugar para todos e que há ainda muitos lugares para ocupar… Uma coisa é certa: sobre o amor do pai não há dúvidas para ninguém, filhos e servos! Agora todos sabem que Ele gosta de ter em sua casa filhos, não escravos; pessoas que partilham o seu projecto de amor, não apenas as coisas a fazer (v. 31). Só vivendo na casa do Pai é que encontramos vida e felicidade, porque Ele quer o nosso verdadeiro bem, a nossa realização, e ensina-nos como e onde encontrá-la. Não somos nós os criadores e arquitectos do nosso destino. Não encontraremos vida e felicidade procurando o sucesso pessoal longe da casa do Pai; encontrá-lo-emos colocando-nos com simplicidade no seguimento do Senhor. Com todo o coração, juntamente com tantos irmãos e irmãs, na Igreja (*).


Na casa daquele bom pai inaugurou-se o novo modo de viver, não mais como escravos mas como filhos. Uma experiência semelhante à do povo de Israel (I leitura) que, depois de 40 anos de deserto, e atravessado o rio Jordão, toma posse da terra prometida, onde não comerá mais com a precariedade do estrangeiro, mas se alimentará com os frutos de casa, cultivados por ele mesmo. S. Paulo recorda que toda a boa experiência deve ser partilhada com outros (II leitura). Quem fez a experiência da bondade misericordiosa de Deus e começou a viver com Ele uma relação nova como filho e amigo (v. 17), sente necessidade de envolver outros na mesma experiência de vida e de reconciliação (v. 18-19). Nisto consiste a missão: partilhar a experiência e levar outros a acolher na sua vida o amor misericordioso e regenerador do Pai! Missão é anunciar a misericórdia do Pai e trabalhar para que a misericórdia se torne o tecido de relações novas entre as pessoas e entre os povos, como afirmava João Paulo II: «O mundo dos homens pode tornar-se cada vez mais humano somente se introduzir no âmbito das relações interpessoais e sociais, juntamente com a justiça, o amor misericordioso que constitui a mensagem messiânica do Evangelho» (encíclica Dives in Misericórdia, nº14). Este é um serviço missionário de qualidade para o crescimento de uma humanidade nova.


Palavra do Papa


(*) A Igreja propõe-nos, em primeiro lugar, o forte apelo que o profeta Joel dirige ao povo de Israel: «Mas agora diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos» (2, 12). Começo por sublinhar a expressão «de todo o coração», que significa a partir do centro dos nossos pensamentos e sentimentos, a partir das raízes das nossas decisões, escolhas e acções, com um gesto de liberdade total e radical. Mas, este regresso a Deus é possível? Sim, porque há uma força que não habita no nosso coração, mas emana do próprio coração de Deus. É a força da sua misericórdia. Continua o profeta: «Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (v. 13). A conversão ao Senhor é possível como «graça», já que é obra de Deus e fruto da fé que depomos na sua misericórdia. Esta conversão a Deus só se torna realidade concreta na nossa vida, quando a graça do Senhor penetra no nosso íntimo e o abala, dando-nos a força para «rasgar o coração». O mesmo profeta faz ressoar, da parte de Deus, estas palavras: «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes» (v. 13). Com efeito, também nos nossos dias, muitos estão prontos a «rasgarem as vestes» diante de escândalos e injustiças – naturalmente cometidos por outros – mas poucos parecem dispostos a actuar sobre o seu «coração», a sua consciência e as próprias intenções, deixando que o Senhor transforme, renove e converta. Além disso, este «convertei-vos a mim de todo o coração» é um apelo que envolve não só o indivíduo, mas também a comunidade. Na primeira Leitura, ouvimos também dizer: «Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, juntai os anciãos, congregai os pequeninos e os meninos peito. Saia o esposo dos seus aposentos e a esposa do seu leito nupcial» (vv. 15-16). A dimensão comunitária é um elemento essencial na fé e na vida cristã. Cristo veio «para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11, 52). O «nós» da Igreja é a comunidade na qual Jesus nos congrega na unidade (cf. Jo 12, 32): a fé é necessariamente eclesial. É importante recordar isto e vivê-lo neste Tempo da Quaresma: cada qual esteja consciente de que não empreende o caminho penitencial sozinho, mas juntamente com muitos irmãos e irmãs, na Igreja.


Bento XVI, Homilia da Quarta feira de Cinzas, 13 de Fevereiro de 2013


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»