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Palavra de Deus

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Pedras não! Deus salva amando

V Domingo da Quaresma: Ano C – 13.3.2016


 


Isaías  43,16-21


Salmo  125


Filipenses  3,8-14


João  8,1-11


 


Reflexões


A «vida nova» é o tema das três leituras deste domingo. Jesus no Evangelho dá novamente a vida à adúltera: «Vai e não tornes a pecar» (v. 11). Já o profeta Isaías (I leitura) falava de vida aos exilados na Babilónia predizendo o regresso à pátria: «Olhai, vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer» (v. 19). A promessa era acompanhada de dois sinais eloquentes: um caminho no deserto e rios de água na terra árida. Para Paulo (II leitura) a vida nova é uma pessoa, Cristo Jesus, o único tesouro, perante o qual tudo o mais é perda e lixo (v. 8). É Ele a única meta a conquistar correndo com todas as forças. Paulo sente esse empenho não como um peso, mas como uma resposta de amor a Cristo que o conquistou (v. 12). Desta experiência nasce o impulso missionário de Paulo.


«Ao raiar do dia» (Evangelho), na esplanada do templo de Jerusalém, teve início a vida nova também para uma mulher «surpreendida em flagrante adultério» (v. 4). Uma mulher a lapidar, segundo a lei, lançada como um farrapo diante de Jesus, a única acusada de uma culpa que, por definição, supõe um cúmplice, que todavia se escapuliu habilmente… Jesus salva-a do apedrejamento com atitudes surpreendentes, que provocam uma mudança absoluta da situação: antes de mais, o silêncio desarmante de Jesus; depois o «escrever com o dedo no chão» (v. 6.8) com sinais que a história não conseguirá decifrar; e por fim o desafio a atirarem-lhe a primeira pedra (v. 7), desmascarando a hipocrisia daqueles acusadores legalistas de coração de pedra.


No fim, a mulher e Jesus ficam sós: «a mísera e a misericórdia», comenta Santo Agostinho. Jesus fala à mulher: nenhum lhe tinha falado, tinham-na arrastado entre empurrões e acusações. Jesus fala-lhe não com os nomes da rua, mas com respeito, reconhecendo a sua dignidade; chama-lhe «mulher», como Ele costuma chamar a sua mãe (Jo 2,4; 19,26). Jesus distingue entre ela – mulher frágil, sem dúvida – e o seu erro, que Ele contudo não aprova: o adultério é e permanece pecado (Mt 5,32), até mesmo no caso de um desejo desonesto (Mt 5,28; e IX Mandamento). Jesus condena o pecado mas não a pecadora; não fica a analisar o passado, mas relança a vida, reabre o futuro. O âmago do relato não é o pecado, mas o coração de Deus que chama e quer que nós vivamos. A imagem de Deus-amor que Jesus quer fazer passar é esta: que a mulher experimente que Deus a ama tal como ela é. Desse modo a mulher, sentindo-se respeitada, amada, protegida, é capaz de acolher o convite de Jesus a «não tornar a pecar» (v. 11). Deus salva amando. Só o amor converte e salva! (*)


Este desconfortável trecho do Evangelho teve uma história atormentada: é omitido em vários códigos antigos, está deslocado noutros. Há quem pense que o autor não seja João mas Lucas, dado o estilo e a mensagem muito semelhante à parábola do pai misericordioso (ver Lucas 15, no Evangelho de domingo passado), com as várias personagens da parábola: a mulher no lugar do filho mais novo; os escribas e fariseus em linha com o filho mais velho; e Jesus no perfeito papel do Pai. Sublinha-o também um conhecido autor moderno: «Texto insuportável, que falta em vários manuscritos. A consciência moral, e também a consciência religiosa dos homens não pode admitir que Cristo recuse condenar a mulher… Ela foi surpreendida em flagrante delito; cometeu um dos pecados mais graves que a Lei conheça… Cristo atrapalha os acusadores recordando-lhe a universalidade do mal: também eles, espiritualmente, são adúlteros; também eles duma maneira ou doutra, traíram o amor. ‘Quem está sem pecado…’. Ninguém está sem pecado, e ele conclui dizendo: “Vai e não tornes a pecar”: uma frase que abre um novo futuro» (Olivier Clément).


O trecho evangélico constitui uma intensa página de metodologia missionária para o anúncio, a conversão, a educação à fé e aos valores da vida. O amor gera e regenera a pessoa, torna-a livre; Jesus educa ao amor vivido na liberdade e na gratuidade. Só mediante estas condições se compreende que é preciso deixar cair das mãos as pedras que gostaríamos de atirar aos outros. E depois o facto de os mais velhos começarem a sair (v. 9), revela neles sentido de culpa, de vergonha, ou de ter aprendido a lição? Por fim resulta claro que quem quer que trabalhe e lute por iguais oportunidades entre mulher e homem, tem em Jesus um precursor ideal, um pioneiro e um aliado.


Palavra do Papa


(*) «Queremos ver Jesus»: estas palavras, como muitas outras nos Evangelhos, vão para além do episódio particular e exprimem algo universal; revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de muitas pessoas que ouviram falar de Jesus, mas ainda não o encontraram. «Eu desejo ver Jesus», assim sente o coração desta Gente».


Papa Francisco


Homilia no V domingo da Quaresma, 22.3.2015


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»