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Palavra de Deus

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A vocação como «paixão» pela Missão

II Domingo do Tempo Comum - Ano B – 18.01.2015


 


1 Samuel 3,3-10.19


Salmo 39


1Coríntios 6,13-15.17-20


João 1,35-42


 


Reflexões


No Evangelho deste domingo continua a série de epifanias, isto é, manifestações de Jesus. Depois da estrela dos magos e do baptismo no Jordão, é ainda João Baptista que aponta com insistência a presença de Jesus como «o cordeiro de Deus» (v. 36). João cresceu, gradualmente, no seu conhecimento de Jesus: antes não o conhecia (Jo 1,31.33), ou conhecia-o provavelmente apenas como primo, mas agora proclama-o como cordeiro, isto é servo sofredor, Messias (v. 29) e declara-o presente: ‘ei-lo’, diz duas vezes (v. 29.36).


João Baptista fita o olhar em Jesus (v. 36), olha-o no seu interior (diz o verbo grego), descobre a sua interioridade e proclama-o «cordeiro de Deus». Trata-se de uma identidade carregada de significado, que reevoca: o cordeiro pascal da noite do Êxodo (Ex 12,13); o Servo de Javé sacrificado como cordeiro conduzido ao matadouro (Is 53,7.12); o cordeiro sacrificado em substituição, associado ao sacrifício de Abraão (Gn 22). Além da identidade do cordeiro, o trecho do Evangelho de hoje apresenta outros títulos de Jesus: Rabi (mestre), com o qual os dois candidatos a discípulos, André e João, desejam ficar, não tanto para saber onde mora, mas para compreender quem é realmente. Jesus convida a ficar com Ele: «vinde ver» (v. 39). Aquele encontro tem efeitos explosivos e contagiantes em cadeia: André leva a Jesus o seu irmão Simão (v. 41-42), Filipe fala dele ao amigo Natanael (v. 45ss), etc. Surgem ainda outros títulos de Jesus: Messias, Cristo (v. 41), o anunciado pelos profetas, Filho de Deus, rei de Israel (v. 45.49).


Ao encontrar Simão, Jesus fita o seu olhar sobre ele (v. 42), olha-o no seu interior, no coração, e muda-lhe o nome: «Chamar-te-ás Pedro». Confere-lhe assim uma nova identidade, define a sua missão. Como se vê, os textos deste domingo têm um claro conteúdo vocacional, a começar pela vocação-missão do jovem Samuel (I leitura), incluindo o forte apelo de Paulo aos cristãos de Corinto (II leitura) a viver de maneira digna da sua dignidade de membros de Cristo (v. 15), de templo do Espírito (v. 19), de pessoas resgatadas a caro preço (v. 20).


Falando de vocação e de missão da parte de Deus, os textos de hoje dão algumas orientações para o discernimento vocacional e a formação:


- Deus continua a chamar, em cada época, mesmo nas instáveis, como ao tempo de Samuel.


- Deus chama pelo nome (veja-se Samuel, Pedro e muitos outros casos: Is 49,1; Ex 33,12; Evangelhos).


- É indispensável ficar-morar com o Senhor, para compreender a sua identidade. Jesus convida: «vinde ver», foram, viram e ficaram com ele (v. 39). ‘Apaixonaram-se’.


- É preciso pessoas capazes de ajudar a descobrir a voz de Deus, como o sacerdote Eli fez com Samuel (1Sm 3,8-9), João Baptista com os dois discípulos (Jo 1,35-37), Ananias com Paulo (Act 9,17)…


- A vocação não é um prémio por obras ou fidelidade humanas, mas sempre e apenas eleição gratuita de Deus. A resposta à chamada, vive-se na alegre fidelidade ao projecto de Deus, tem como resultado a realização plena de si mesmos, que se concretiza no serviço à missão.


A Igreja continua a apontar Jesus com as palavras de João Baptista. Fá-lo na Eucarisita-comunhão: «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado…»; e fá-lo no anúncio e serviço próprios da missão. A mensagem missionária da Igreja será tanto mais eficaz e credível quanto mais for – como no caso de João Baptista – fruto de liberdade, austeridade, coragem, profecia, expressão de uma Igreja serva do Reino. Só assim, como acontece com João Baptista, a palavra do missionário terá força para um contágio vocacional, estará na origem de novos discípulos de Jesus (v. 37).


Palavra do Papa


(*) «O apóstolo é um enviado, mas, antes ainda de ser enviado, é um ‘perito’ de Jesus. É exactamente este aspecto que é posto em evidência pelo evangelista João desde o primeiro encontro de Jesus com os futuros Apóstolos… À pergunta: “que procurais?”, eles respondem com uma outra pergunta: “Mestre, onde moras?”. A resposta de Jesus é um convite: “Vinde e vereis” (cf. Jo 1,38-39). Vinde para poder ver. A aventura dos Apóstolos começa assim, como um encontro de pessoas que se abrem reciprocamente. Começa para os discípulos um conhecimento directo do Mestre. Vêem onde mora e começaram a conhecê-lo. Eles de facto não terão de ser anunciadores de uma ideia, mas testemunhas de uma pessoa. Antes de ser enviados a evangelizar, terão de “permanecer” com Jesus (cf. Mc 3,14), estabelecendo com Ele uma relação pessoal. Assim, a evangelização do outro não será senão um anúncio daquilo que se experimentou e um convite a entrar no mistério da comunhão com Cristo».


Bento XVI (Audiência geral, quarta-feira, 22.3.2006)


No encalço dos Missionários


- 18/1: Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. – Tema para 2015: «Igreja sem fronteiras, mãe de todos».


- 18-25/1:Semana de oração pela Unidade dos Cristão, sob o tema sustentado no apelo feito por Jesus à mulher samaritana: «Dá-me de beber!» (João 4,7).


- 20/1: B. Cipriano Michele Iwene Tansi (1903-1964), sacerdote diocesano de Onitsha (Nigéria) e depois monge trapista, iniciador de tal vida contemplativa para a África.


- 20/1: Evocação do P. Alessandro Vaglignano (1539-1606), missionário na Ásia e superior provincial dos jesuítas no Extremo Oriente (Índia, China, Japão…), falecido em Macau.


- 22/1: S. Vicente Pallotti (1795-1850), fundador dos Pallottinos/as, promotor das missões e do apostolado dos leigos, chamado por Pio XI «Precursor da Acção Católica».


- 22/1: B. Laura Vicuña, nascida no Chile e falecida na Argentina com 13 anos de idade (†1904). Ofereceu a sua vida pela conversão da mãe.


- 23/1: S. Ildefonso, bispo de Toledo (607-667), escritor sagrado; conferiu solidez à Igreja em Espanha, promovendo a liturgia e a devoção mariana.


- 23/1: B. Mariana Cope (1838-1918), religiosa franciscana alemã, emigrou para os USA e foi missionária durante décadas entre os leprosos das ilhas Havai e Molokai.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»