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Palavra de Deus

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O «coração sincero»: berço do culto verdadeiro

III Domingo da Quaresma: Ano B – 8.3.2015


 


Êxodo 20, 1-17


Salmo 18


1Coríntios 1, 22-25


João 2, 13-25


 


Reflexões


A consciência laica e o estado laico encontram legitimidade e conteúdos na I leitura de hoje. Os 10 Mandamentos têm as suas raízes na própria natureza do ser humano, ainda antes de Deus os proclamar tais. Não são uma invenção da Igreja, mas o resultado de uma reflexão puramente humana. Devemos dizer «felizmente», visto que eles constituem a base da ética humana universal. Um património partilhado entre as nações. Uma plataforma comum para o encontro de todos os povos!


Culto e ética, credo religioso e prática moral são dois elementos constitutivos do quadro espiritual de cada pessoa humana, que emergem da Palavra de Deus proclamada hoje. No que diz respeito ao culto, a vinda de Jesus trouxe mudanças radicais face ao Antigo Testamento. Quem quer que reflicta com realismo sobre o facto de Jesus expulsar do templo, a chicote, mercadores e cambistas, bois, ovelhas e pombas (Evangelho), fica surpreendido com a energia e a coragem com que Ele ousa enfrentar categorias de pessoas ligadas mais ao dinheiro e aos negócios do que ao culto e à religião. Uma intervenção de Jesus que será um dos motivos de acusação no julgamento que o levará à morte.


O significado deste gesto insólito (quase incorrecto) em Jesus «manso e humilde de coração» (Mt 11,29), vai bastante para lá da irritação de um momento pela desfaçatez de terem feito «da casa do meu Pai casa de comércio!» (v. 16). Aquele gesto é um sinal de que finalmente terminou o tempo de um culto ligado ao sacrifício dos animais e à oferta de coisas para aplacar Deus. Aquele gesto e o facto de «o véu do templo se rasgar em dois, de alto a baixo» (Mc 15,38) são sinais da superação definitiva da religião judaica. A partir de então, o único templo é o corpo de Cristo, crucificado e ressuscitado: de facto, «Ele falava do templo do seu corpo» (v. 21).


O contacto com Ele – o único Salvador – acontece não mais através de afunilamento de muralhas, sangue de animais, cumprimento mecânico, quase mágico, de ritos exteriores, mas no íntimo do coração de cada pessoa «em espírito e verdade» (Jo 4,23). Para o cristão, em particular, o contacto tem lugar na fé e nos sinais sacramentais. O único culto agradável a Deus parte do coração contrito, como no publicano (Lc 18, 13-14), e de um coração reconciliado: «vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para apresentar a tua oferta» (Mt 5, 24). Com razão, portanto, Paulo exorta os cristãos «a oferecer os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; é este o vosso culto espiritual» (Rm 12, 1). Esta mensagem abre frutuosas perspectivas para a Missão, para o diálogo interreligioso e para a inculturação do Evangelho. As vias para o contacto salvífico com Cristo Salvador não são reservadas apenas a alguns, mas são abertas a todas as gentes: a quem quer que procure Deus de coração sincero. (*)


Para além da fé e do culto, podemos ler, em perspectiva missionária universal, também os compromissos da vida moral. Os 10 Mandamentos (I leitura) têm o seu fundamento na lei natural, que é anterior à revelação de Deus na Bíblia e na Igreja. Esta verdade tem uma importância extraordinária para o diálogo entre os povos e para o trabalho dos missionários. Os Mandamentos são património espiritual e ético de toda a humanidade, embora a Revelação cristã venha trazer-nos uma maior certeza e plenitude na compreensão da mesma lei natural.


É o que ensina o Catecismo da Igreja Católica. «Os 10 Mandamentos pertencem à Revelação de Deus. Ao mesmo tempo ensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Põem a descoberto os deveres essenciais e, portanto, indirectamente, os direitos fundamentais inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo contém uma expressão privilegiada da lei natural: «Desde as origens, Deus inscrevera no coração dos homens os preceitos da lei natural. Depois limitou-se a apelar para eles. Foi o Decálogo» (Santo Ireneu de Lion). Apesar de acessíveis à simples razão, os preceitos do Decálogo foram revelados. Para chegar a um conhecimento integral e certo das exigências da lei natural, a humanidade pecadora precisava desta revelação: «Uma completa exposição dos mandamentos do Decálogo tornou-se necessária na condição de pecado, porque a luz da razão se tinha obscurecido e a vontade se tinha desviado» (São Boaventura). Nós conhecemos os mandamentos de Deus através da Revelação divina que nos é proposta na Igreja, e por meio da voz da consciência moral» (CCC, nn. 2070-2071).


São José (estamos próximos da sua festa) entrou de modo singular no mistério pascal de Jesus, de Maria e da Igreja, da qual é Patrono Universal. Ele é modelo insigne de procura, escuta e fidelidade a Deus, ao qual ofereceu o culto do seu coração sincero na exemplaridade de vida.


Palavra do Papa


(*) «Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença».


Papa Francisco


Mensagem para a Quaresma 2015


No encalço dos Missionários


- 8/3: S. João de Deus (1495-1550), religioso português, fundador da Ordem Hospitaleira dos Irmãos de S. João de Deus (os “Fatebenefratelli”), protector dos hospitais, patrono dos doentes e dos enfermeiros.


- 8/3: Dia Internacional da Mulher; foi instituído em 1910 e tornou-se Dia da ONU em 1975.


- 9/3: SS. Quarenta Soldados da Capadócia, martirizados em Sebaste (Arménia, †320).


- 9/3: S. Domingos Savio, rapaz educado por S. João Bosco e falecido aos 14 anos (†1857).


- 10/3: B. Elias do Socorro Nieves del Castillo, sacerdote mexicano, agostiniano, martirizado em Cortázar (México, †1928)), juntamente com outros durante a perseguição.


- 12/3: S. Luís Orione (1872-1940), sacerdote piemontês, fundador da Pequena Obra da Divina Providência e de algumas Congregações religiosas para a assistência aos mais necessitados.


- 13/3: Aniversário da eleição do Papa Francisco (2013); 19/3: início solene do Pontificado.


- 13/3: B. Dulce Lopes Pontes de Souza Brito (Salvador de Bahia, 1914-1992), religiosa brasileira, que consagrou toda sua vida ao serviço dos pobres e dos trabalhadores.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»