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Palavra de Deus

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O Cireneu, homem de África: da recusa ao serviço

Domingo de Ramos: Ano B – 29.3.2015


 


Marcos 11, 1-10 (procissão)


Isaías 50, 4-7


Salmo 21


Filipenses 2, 6-11


Marcos 14, 1-15.47


 


Reflexões


A entrada na Semana Santa, a semana grande do amor até ao extremo (Jo 13, 1), é marcada este ano pelo relato da paixão e morte de Cristo, narrada pelo evangelista Marcos (Evangelho). Aquela Passio não é apenas história do passado: os mesmos acontecimentos repetem-se hoje. As personagens de então (Caifás, Herodes, Pilatos, fariseus, sacerdotes, Pedro, Judas, Cireneu, mulheres piedosas, soldados, Centurião, José de Arimateia…) são emblemáticas do que acontece hoje face a Jesus e aos sofredores, com os quais Ele se identifica (Mt 25, 35s). Cada pessoa pode encontrar-se a ser, no bem e no mal, uma ou outra das personagens da paixão de Jesus. Cada um pode ser, por exemplo, como o Cireneu, personagem cara ao evangelista Marcos, o qual apresenta deste modo o seu encontro com aquele estranho Condenado de relevo: «Obrigaram a levar a sua cruz a um homem que regressava do campo, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo» (v. 15,21). A partir de então o Cireneu (de Cirenaica, na África do norte, actual Líbia) tornou-se um ícone do homem que, por instinto, recusa o fardo de outrem, sobretudo de um condenado; mas, logo que descobre o rosto e o coração daquele Desconhecido, dele se apaixona juntamente com a família.


O Cireneu torna-se, desse modo, irmão do Bom Samaritano, da Verónica e dos seus seguidores, que, nos inúmeros caminhos da dor humana, se desvelam, por puro amor, ao lado das vítimas das injustiças de todos os tempos. Duas vozes autorizadas e coincidentes chegam de África, ambas dos Camarões, a comentar o ícone do Cireneu: são o P. Mveng e Bento XVI. A voz do P. Engelbert Mveng, jesuíta camaronês, teólogo, poeta e artista, assassinado em 1995, integrada na sua Via-Sacra, «Se alguém…» (Ed. Mame, Tours 1961; Ed. Nigrizia, Bolonha 1963), embelezada com os típicos desenhos do seu atelier de arte africana. Na V estação da Via-Sacra, o P. Mveng apresenta com paixão e fraterna admiração o Cireneu «um homem de África»:


«Um pobre homem cansado; regressa do campo; é um homem de África!


E dentro da sua cabeça, o cansaço do dia esboça um longo refrão, a opressão do dia pesa como um bólide sobre os seus passos vacilantes, sobre os seus lábios que se mexem, sobre o sufoco do seu coração que não aguenta mais…


Um pobre homem de África…


Não é Deputado; não é Conselheiro; não é um Notável escutado nos ambientes tradicionais, e os soldados, diante dele, não dispararão sobre os perfilados!


Nem os passantes lhe dirão: «boa tarde, Senhor!»…


É um pobre homem de África, cujo passo é inseguro, e que carrega sobre si quase um firmamento de mistério…


Um daqueles homens que ninguém compreende, que não se compreendem sequer eles mesmos, que carregam sobre si um enredo de silêncio onde Deus canta melodias desconhecidas aos outros homens…


E eis que se atiram sobre ele, que o sacodem, o arrastam, eis que o obrigam a levar a Cruz do Condenado…


E Jesus, de pé, esperava-o como um irmão…


Este pobre homem de África que não compreendia muito bem, que estava cansado e não queria saber da Cruz de um condenado…


Jesus esperava-o como um irmão, e no seu coração inteiramente a sangrar de cansaço e de amor, a sua mão assinava o grande pacto do Apelo ao entrelaçamento das suas duas vidas…


No horizonte do olhar de Simão, homem de Cirene, homem de África, erguia-se a alba da redenção do mundo.


Meu Jesus, Tu me esperas também a mim: com Simão, o homem de Cirene, eis-me aqui» (E. Mveng).


Palavra do Papa


«Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos.»


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium


No encalço dos Missionários


- 30/3: B. Ludovico de Casoria A. Palmentieri (1814-1885), franciscano, educador; juntamente com outros trabalhou activamente pelo resgate de jovens africanos da escravatura.


- 30/3: S. Leonardo Murialdo (1828-1900), sacerdote de Turim, educador, fundador do Instituto dos «Josefinos» para a formação de jovens abandonados.


- 31/3(1767: Expulsão dos Jesuítas da Espanha, de Portugal e das outras colónias na América Latina. Seis anos mais tarde (1773), deu-se a supressão da Companhia de Jesus.


-1/4: B. Ludovico Pavoni (1784-1848), sacerdote de Brescia, pioneiro no campo social, fundador, dedicado à educação humana, cristã e profissional dos jovens.


- 2/4: S. Francisco de Paula (1416-1507), eremita de vida austera, fundador da Ordem dos Mínimos.


- 2/4: BB. Diego Luís de San Vitores (1627-1672), sacerdote jesuíta espanhol, e Pedro Calungsod (1654-1672), nascido nas Filipinas, catequista leigo; ambos foram mortos por ódio à fé cristã e lançados ao mar na ilha de Guam (Marianne, Oceânia).


2/4: B. Maria Laura Alvarado (1875-1967), nasceu e viveu na Venezuela, fundadora, dedicada ao cuidado dos órfãos, idosos e pobres.


- 2/4: Aniversário da morte (2005) do Beato João Paulo II.


4/4: S. Isidoro (ca. 570-636), bispo de Sevilha e doutor da Igreja, hábil nas ciências e na organização, reconhecido como último Padre da Igreja latina.


- 4/4: S. Bento Massarari, chamado o “Negro”, descendente de escravos africanos (Sicília, 1526-1589), religioso franciscano, o primeiro africano negro a ser canonizado (1807). É co-patrono de Palermo.


- 4/4: S. Vicente Ferrer (1350-1419), sacerdote dominicano espanhol, um dos maiores pregadores e missionários itinerantes na Europa ocidental.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»