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Palavra de Deus

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O rosto «transfigurado» não quer rostos «desfigurados»

II Domingo de Quaresma - Ano A - Domingo 01.03.2015


 


Génesis 12,1-4a


Salmo 32 2


Timóteo 1,8b-10


Mateus 17,1-9


 


Reflexões


Continua o caminho para descobrir a identidade de Jesus e a sua missão. Domingo passado essa identidade revelava-se no episódio das Tentações. No segundo Domingo da Quaresma temos um outro encontro marcado: a Transfiguração de Jesus sobre o monte Tabor (Evangelho). O acontecimento tem lugar “seis dias depois” (v. 1) dos encontros em Cesareia de Filipe (com a profissão de fé de Pedro, a promessa do seu primado, e o primeiro anúncio da paixão: Mt 16,13-28). Cada um destes acontecimentos ajunta elementos significativos para configurar o verdadeiro rosto de Cristo; a antífona de entrada convida-nos hoje a olharmos de novo para esse rosto: “Procurai o seu rosto. O teu rosto eu procuro, Senhor, não escondas de mim o teu rosto” (Sal 26,8-9). A resposta a esta súplica insistente chega-nos de “um alto monte” (v. 1), onde Jesus foi transfigurado diante de três discípulos por ele escolhidos: “O seu rosto brilhava como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (v. 2). A luz não vem do exterior, mas emana de dentro da pessoa de Jesus. Tem razão Lucas, que no texto paralelo sublinha que “Jesus subiu ao monte para rezar e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspecto” (Lc 9,28-29). É do encontro com o Pai que Jesus sai interiormente transformado; a plena identificação com o Pai resplende no rosto de Jesus (cfr Jo 4,34; cfr 14,11).


Longe de buscar para si um momento de auto-glorificação gratificante, Jesus quer que os seus discípulos descubram melhor a sua identidade e a sua missão. Com essa finalidade, sobre o monte realiza-se uma manifestação da Trindade através de três sinais: a voz, a luz e a nuvem. A voz do Pai proclama Jesus como seu “Filho, o bem amado. Escutai-o” (v. 5); a luz emana do próprio corpo do Filho Jesus; a nuvem é símbolo da presença do Espírito. Precisamente naquele contexto de glória, antecipação do seu triunfo final, Jesus fala com Moisés e Elias da “sua partida que se deveria realizar em Jerusalém” (Lc 9,31). Da oração à revelação e contemplação da Trindade, da paixão à glorificação: agora, os discípulos já podem compreender algo mais sobre a personalidade do seu Mestre.


A verdadeira oração nunca é evasão. Para Jesus a oração era um momento forte de identificação com o Pai e de adesão coerente e confiante ao Seu plano de salvação. Tal caminho de transformação interior é o mesmo para Jesus, para o discípulo e para o apóstolo. A oração, vivida com escuta-diálogo de fé e de humilde abandono em Deus, tem a capacidade de transformar a vida do cristão e do missionário; essa é a única experiência que serve de fundamento à missão. A oração tem o seu ponto mais verdadeiro quando desabrocha em serviço ao próximo necessitado. É esta a dimensão missionária da oração, que Bento XVI enfatizou numa sua catequese quaresmal.


O apóstolo vive convencido de que o Deus fiel o acompanha em todas as etapas e acontecimentos da sua vida: nos inícios, nos momentos de Tabor e nos momentos de Getsemani... Disso dão testemunho Abraão e Paulo. Permanecem desconhecidas as motivações que levaram Abrão (I leitura) a deixar terra e parentes para se dirigir a um país desconhecido (v.1). Desde então, Abrão, forte na sua fé monoteísta no verdadeiro Deus, tornou-se pai e modelo para cerca de três biliões de crentes (hebreus, cristãos, muçulmanos). Para ele, ao chamamento de Deus - como toda a vocação missionária - exigiu um partir, um êxodo, um abandonar afectos e seguranças para avançar para metas que Deus lhe havia de indicar. Abrão obedeceu, confiando no Senhor (v.4). Também Paulo deixou o caminho de Damasco par uma nova aventura com Jesus, sem se preocupar com os sofrimentos. Por isso ele podia exortar o seu discípulo Timóteo (II leitura): “Com a força de Deus, sofre comigo pelo Evangelho” (v. 8).


O anúncio do Evangelho de Jesus leva necessariamente a um compromisso tenaz pela defesa e promoção das mais débeis, cuja dignidade humana é frequentemente deturpada e desfigurada com todas as formas de violência, exploração, abandono, fome, doença, ignorância... Toda e qualquer deturpação da dignidade humana é contrária ao projecto original de Deus, o Pão da Vida! O rosto fascinante de Jesus, nosso irmão mais velho, é um prelúdio da sua realidade post-pascal e definitiva; a mesma que nos é prometida também a nós, salvos e chamados com uma vocação santo, segundo o projecto e a graça de Deus (v.9). É sobre esta vocação à vida e à graça que se fundamenta a dignidade de toda a pessoa humana, cujo rosto, por nenhum motivo deve sofrer deturpação. Onde quer que exista um rosto humano deturpado ou desfigurado, é imperiosa e urgente a presença dos missionários do Evangelho de Jesus!


Palavra do Papa


(*)"Deus não é indiferente para connosco. Está interessado em cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Cada um de nós está interessado; amor impede-o de ser indiferente ao que acontece com a gente. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença… Esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.


Papa Francisco


Mensagem para a Quaresma 2015


Nas pegadas dos missionários


- 1/3: Em 1959, nascimento da CLAR (Conferência Latino-americana dos Religiosos), com sede em Bogotá (Colômbia): uma instituição altamente meritória pelo incremento, a coordenação e a inculturação da Vida Consagrada.


- 3/3: BB. Liberato Weis, Samuel Marzorati e Miguel Pio de Zerbo, sacerdotes franciscanos, lapidados e martirizados (†1716) em Gondar (Etiópia).


- 3/3: S. Catarina Drexel (falecida em Filadélfia, USA, 1955), fundadora; dispensou a sua rica herança em favor de indígenas e afro-americanos, abrindo para eles cerca de sessenta escolas e missões.


- 6/3: S. Olegário de Tarragona (Espanha, 1137), bispo de Barcelona e de Tarragona, quanto esta antiga sede foi libertada do domínio dos Mouros.


- 7/3: SS. Perpétua e Felicidade, martirizadas em Cartago (†203), sob o imperador Setimio Severo.


- 7/3: B. José Olallo Valdês (1820-1889), cubano, religioso da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus (os “Fatebenefratelli”), sempre muito atento aos doentes e necessitados.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»