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Palavra de Deus

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O desafio de ser guias para quem quer «ver Jesus»

V Domingo da Quaresma: Ano B – 22.3.2015


 


Jeremias 31, 31-34


Salmo 50


Hebreus 5, 7-9


João 12, 20-33


 


Reflexões


«Queremos ver Jesus» (Jo 12, 21). O evangelista João indica quem O viu e O fará ver deveras: os apóstolos, que, depois do encontro com o Ressuscitado, afirmam: «Vimos o Senhor!» (Jo 20, 25). Nestas duas frases de João está encerrado todo o curso da Missão. Na iminência daquela Páscoa tão especial para Jesus, a chegada de alguns peregrinos gregos a Jerusalém (Evangelho) tem o efeito de uma explosão luminosa sobre o mistério que se aproxima. Aqueles peregrinos eram de língua e cultura helénica, convertidos ou simpatizantes do judaísmo. Eram as primícias dos povos pagãos, chamados também eles a pôr-se a caminhoem direcção a Jerusalém, para aprender os caminhos do Senhor, como tinha anunciado o profeta (Is 2, 3).


Aqueles peregrinos manifestam um desejo que tem um vasto significado missionário: «Queremos ver Jesus» (v. 12). O pedido vai muito para além da curiosidade de conhecer a estrela do momento. Eles vêm de longe, pertencem a um outro povo, a viagem foi certamente cansativa, puseram-se a caminho por motivos espirituais… Querem ver Jesus: não para um cumprimento fugaz, mas para conhecer a sua autêntica identidade, apreender a sua mensagem de vida. Na cena há ainda outros pormenores vocacionais e missionários: para chegar até Jesus, muitas vezes são precisos guias, acompanhantes. Aqueles peregrinos procuram intermediários da sua cultura, Filipe e André, que têm nomes gregos.


Jesus capta a densidade e a importância daquele momento: a sua hora, a hora de ser glorificado (v. 23), a hora da oferta da sua vida, a hora de ser elevado da terra para atrair todos a si (v. 32), para que todos os povos cheguem à vida em plenitude. A vida verdadeira, que consiste em conhecer – isto é amar, aderir, contemplar – o único verdadeiro Deus e aquele que Ele enviou, Jesus Cristo (cf. Jo 17, 3). Não chega pois ter uma ideia vaga ou alguma teoria sobre Jesus; é preciso a compreensão amorosa do mistério do grão de trigo, que morre para dar muito fruto (v. 24). Há aqui um dado biográfico: o grão que morre para dar vida é o próprio Jesus. Ele está a falar de si e mostra o único caminho que conduz à vida: um caminho que passa pela morte. (*)


O momento culminante do grão que morre é descrito com paixão na carta aos Hebreus (II leitura): aceitando a morte com amor, Jesus torna-se causa eficaz e exemplar de salvação «para todos aqueles que lhe obedecem» (v. 9). Desse modo, no sacrifício pascal de Cristo e na efusão do Espírito Santo, realiza-se a aliança nova (I leitura): é superada a antiga aliança, assente nos pilares da Lei, e abre-se o espaço à nova, radicada no coração e na vida (v. 33) das pessoas que se deixam conduzir pelo Espírito.


Aqueles peregrinos gregos que pedem para ver Jesus assumem para nós um significado emblemático: representam as pessoas e os povos que aspiram a um caminho de vida, que procuram Deus de coração sincero… Algumas vezes tal desejo é explícito, muitas outras é um desejo silencioso, intuitivo, indescritível, por vezes confuso e contraditório, mas é sempre um desejo ou um suspiro que nasce do profundo da vida. São verdadeiros SOS do espírito, ou mensagens do tipo sms… Mais do que as palavras, muitas vezes falam os gestos, as situações, os sofrimentos, as tragédias, os silêncios…


Quem dará resposta a tantas expectativas? É preciso gente disponível. A resposta é confiada a homens e mulheres de cada tempo, que somos nós cristãos. Não será suficiente uma resposta teórica ou a repetição de uma fórmula; a resposta missionária tem de partir do conhecimento amoroso, da conversão e adesão ao Senhor Jesus. Os cristãos, os missionários, têm de ter visto o Senhor, ter dele um conhecimento íntimo; devem poder afirmar, como os apóstolos depois da ressurreição: «Vimos o Senhor!» (Jo 20, 25). «O apóstolo é um enviado, mas, antes disso, um conhecedor de Jesus» (Bento XVI). Também ele tem de se tornar grão de trigo que morre para dar vida. Só assim poderá anunciar o Evangelho com credibilidade e eficácia.


A transmissão missionária da experiência cristã assume formas diferentes, segundo os tempos, as pessoas, a criatividade, as tecnologias. Olhando para o calendário dos santos e evangelizadores de cada semana (ver abaixo), encontramos modelos e estilos diferenciados de anunciar o Evangelho… Hoje usam-se também técnicas novas. Em muitos ambientes e países, sobretudo entre os jovens, a Missão corre também por via sms, mensagens de correio electrónico e outros. Chegam a muitas pessoas, mesmo não cristãs, versículos do Evangelho, pensamentos espirituais, notícias relativas à Igreja… Quando o fogo da missão arde no coração, procuram-se caminhos novos para dar uma resposta a todos os que querem ver Jesus.


Palavra do Papa


(*) «Não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não O conhecer, não é a mesma coisa caminhar com Ele ou caminhar tacteando, não é a mesma coisa poder escutá-Lo ou ignorar a sua Palavra, não é a mesma coisa poder contemplá-Lo, adorá-Lo, descansar n’Ele ou não o poder fazer. Não é a mesma coisa procurar construir o mundo com o seu Evangelho em vez de o fazer unicamente com a própria razão. Sabemos bem que a vida com Jesus se torna muito mais plena e, com Ele, é mais fácil encontrar o sentido para cada coisa. É por isso que evangelizamos.»


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium – (2013) n. 266


No encalço dos Missionários


- 22/3: Dia Mundial da Água, instituído pela ONU (1993).


- 23/3: S. Turibio Alfonso de Mogrovejo (1538-1606), nascidoem Espanha: Eraainda leigo quando foi nomeado arcebispo de Lima (Peru); foi incansável defensor dos «índios». É o patrono do Episcopado latino-americano.


- 24/3: Memória da morte de Mons. Óscar Arnulfo Romero (†1980), arcebispo de São Salvador (El Salvador). – Dia de oração e jejum pelos Missionários Mártires.


- 25/3: Anunciação do Senhor, por meio do anjo Gabriel a Maria. (Este ano a celebração é transferida para segunda-feira (26/3).


- 26/3: Aniversário da publicação da encíclica «Populorum Progressio» de Paulo VI (1967), sobre o desenvolvimento integral da pessoa e o desenvolvimento solidário dos povos.


- 27/3: S. Ruperto († ca. 718), de origem irlandesa, foi grande evangelizador da Baviera e bispo de Salisburgo.


- 28/3: B. Cristóvão Wharton († 1600); 29/3: B. João Hambley († 1587); 31/3: B. Cristóvão Robinson († 1597) e outros sacerdotes ingleses martirizados sob Isabel I, rainha de Inglaterra.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»