PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

A Santíssima Trindade: nascente de misericórdia e de missão

Domingo da Santíssima Trindade - Ano A - Domingo 15.6.2014


 


Êxodo  34,4-6.8-9


Salmo: 3,52-56


2Coríntios  13,11-13


João  3,16-18


 


Reflexões


Como é Deus em si mesmo? Como vive? O que faz?. Onde habita?... São perguntas sobre o mistério de Deus, que todo o seu humano se coloca, pelo menos em alguns momentos da sua vida. A estas e outras perguntas responde, sobretudo para nós cristãos, a festa hodierna da Santíssima Trindade. É a festa do ‘Deus um em três pessoas”, como ensina o catecismo. Com estas palavras já tudo fica dito, mas na verdade ainda fica tudo por explicar e compreender, para o acolher com amor e o adorar na contemplação. Este tema tem uma importância central para a missão. Na verdade, afirma-se com facilidade que todos os povos - mesmo os não cristãos - sabem que Deus existe, nomeiam-no e invocam-no de várias maneiras; e facilmente todos concordam em dizer que também os pagãos acreditamem Deus. Estaverdade partilhada - mesmo se com diferenças e reservas - torna possível o diálogo entre as religiões, e em particular o diálogo entre os cristãos e os membros de outras religiões. Na base de um Deus comum a todos, é possível tecer a compreensão entres os povos em vista de acções organizadas em comum: em favor da paz, na defesa dos direitos humanos, para realizar projectos de desenvolvimento humano e social, como se está a fazerem muitos lugares. Recentementevimos gestos corajosos de concórdia e colaboração, promovidos por João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI. Mas pelo que concerne a acção evangelizadora da Igreja, estas iniciativas, muito louváveis, são somente uma parte da mensagem cristã a anunciar. A família humana encontra recursos inesgotáveis para poder transformar-se: partindo e aderindo à novidade de Cristo.


Para o cristão, não basta fundar a própria vida espiritual sobre a existência de Deus único, e muito menos o pode fazer um missionário consciente da extraordinária riqueza que é o dom de Jesus Cristo, que nos introduz no mistério de Deus uno e trino. O Evangelho que o missionário leva ao mundo, além de enriquecer a compreensão do monoteísmo, abre ao imenso e sempre surpreendente mistério de Deus, que é comunhão de três Pessoas. A palavra mistério, não deve aqui ser entendida no sentido de verdades escondidas, difíceis de entender, mas sim no sentido de verdades sempre novas, a descobrir. Neste campo, é melhor deixar que falem os místicos. Para S. João da Cruz “ainda há muito a aprofundar sobre Cristo. Ele é, na verdade, como uma mina rica de imensos veios e tesouros , dos quais, por muito que se aprofunde, nunca se chega ao fim; antes, em cada cavidade se descobrem novos filões de riqueza”. E dirigindo-se à Trindade, S. Catarina de Sena exclama: “Tu, Trindade eterna, és como o mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de te procurar. És insaciável; e a alma, saciando-se no teu abismo, não se sacia, porque ficam sempre com fome de ti, sempre te deseja cada vez mais, o Trindade Eterna”.


A revelação do Deus uno e trino tem (no seu sentido correcto) consequências imediatas e surpreendentes para a missão do crente: oferece parâmetros novos sobre o mistério de Deus, sobre a maneira de articular o relacionamento entre as pessoas humanas, sobre a relação do homem com a criação... Também o diálogo com as religiões se enriquece com novos horizontes, como indicam expressões como as seguintes.


Um anónimo transmitiu o seguinte diálogo, esquemático mas essencial, entre um muçulmano e um cristão:


- Dizia um muçulmano: “Para nós, Deus é um; como poderia ter um filho?”


- Respondia o cristão: “Para nós, Deus é amor; como poderia viver só?”


O desafio é encontrar a maneira de continuar este diálogo: tanto no plano doutrinal como no da vida concreta.


O Deus cristão é trinitário, é um mas não é solitário. Esta revelação enriquece também o monoteísmo hebraico, muçulmano e das outras religiões. De facto, o Deus revelado por Jesus (Evangelho) é Deus-amor, Deus que deseja a vida do mundo, Deus que oferece salvação a todos os povos (v. 16-17); cf. 1Jo 4,8). Ele revela-se desde sempre como “Deus misericordioso e cheio de piedade... rico de amor e de fidelidade” (I leitura, v. 6);”Deus rico de misericórdia” (Ef 2,4).


“Onde é que Deus habita?” O catecismo responde: “Deus está no céu, ma terra e em todo o lugar”. É verdade, mas existe uma resposta mais vital e mais pessoal. Um dia, o Rabino Mendel de Kotzk perguntou a alguns dos seus hóspedes cultos: “Onde é que Deus habita?” Eles retorquiram sorrindo: “Mas tu não sabes? Não é verdade que o mundo está cheio da sua glória?” Mas o rabino replicou: “Deus habita onde o deixam entrar”. Deus busca o encontro pessoal, a amizade, com cada um de nós. Não para o seu bem, evidentemente, mas para o nosso bem. Porque esta amizade é a única garantia de vida e de alegria que podemos ter. Ele está à porta do nosso coração e bate; a quem lhe abre a porta ele promete: “Virei a ele, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Com uma intimidade que aquece o coração e renova a vida, desabrocha em missão.


Todos os povos têm o direito e a necessidade de conhecer este verdadeiro rosto de Deus, revelado por Jesus. Os missionários são os seus portadores. Por isso, afirma o Concílio: “a Igreja peregrina é missionária por sua própria natureza, porque tem a sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o projecto de Deus Pai” (Ad Gentes, 2). Nos primeiros números deste mesmo Decreto, o Concílio explica a origem e o fundamento trinitário da missão universal da Igreja, oferecendo, entre outros elementos, uma das mais elevadas sínteses teológicas de todo o Concílio.


A Palavra  do Papa


(*) «A Santíssima Trindade não é produto do raciocínio humano, é o rosto com o qual Deus mesmo se revelou, não do alto de um trono, mas caminhando com a humanidade. É Jesus que nos revelou o Pai e nos prometeu o Espírito Santo. Deus caminhou com seu povo na história do povo de Israel e Jesus caminhou sempre conosco e nos prometeu o Espírito Santo que é fogo, que nos ensina tudo o que não sabemos, que dentro de nós nos conduz, nos dá boas ideias e boas inspirações. Hoje louvamos a Deus não por um mistério particular, mas por Ele mesmo, “por sua imensa glória”, como diz o hino litúrgico. Louvamos a Ele, rendemos graças a Ele porque Ele é amor e porque nos chama a entrar no abraço da sua comunhão, que é a vida eterna».


Papa Francisco


Angelus na Festa da Santíssima Trindade, 26 de Maio de 2013.


No encalço dos Missionários


- 15/6: B.Luís Maria Palazzolo(Bérgamo, 1827-1886), pregador de missões populares, fundador das «Irmãs Pobrezinhas» para a educação, a assistência e as missões.


- 16/6: B. María Teresa Scherer (1825-1888), religiosa suíça, co-fundadora das Religiosas da Caridade da Santa Cruz, que tiveram uma difusão.


- 17/6: Dia Internacional contra a Desertificação e a Seca, instituído pela ONU (1995).


- 20/6: B.Francisco Pachecoe outros oito companheiros mártires jesuítas, condenados à fogueira no Japão (Nagasaki, 1626).


- 20/6: Dia Mundial do Refugiado, instituído pela ONU (2000).


- 21/6: S. Luís Gonzaga (1568-1591), religioso jesuíta italiano, falecido em Roma, com 23 anos de idade, no serviço de assistência às vítimas da peste. É patrono da juventude estudantil.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»