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Palavra de Deus

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Partilhar com os muitos «Lázaros» que povoam o planeta

XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano A – Domingo 3.8.2014


 


Isaías 55,1-3


Salmo 144


Romanos 8,35.37-39


Mateus 14,13-21


Reflexões


O projecto de Deus é claro: que todos tenham vida em abundância! (Jo 10,10)). Nas leituras de hoje tudo fala de abundância, de gratuidade. Tal é a salvação que o nosso Deus nos oferece generosamente. A todos! O profeta (I leitura) convida todos a beber água, vinho e leite em abundância, «sem dinheiro, sem pagar» (v. 1); promete coisas boas e vinhos suculentos. O Salmo responsorial insiste sobre a ternura e bondade do Senhor, que é paciente e misericordioso para com todos, sacia a fome de todo o ser vivo e está próximo de quantos o procuram de coração sincero. O apóstolo Paulo (II leitura) afirma com entusiasmo que criatura alguma «poderá separar-nos» do amor de Cristo, pois «somos mais que vencedores graças Àquele que nos amou» (v. 37). Um sinal tangível de tal abundância é a multiplicação dos pães (Evangelho), graças à qual muitas pessoas comem até à saciedade pão e peixe, que ainda sobram. A situação inicial de dificuldade (lugar deserto, falta de alimento, quantidade de gente…) é superada pela compaixão de Jesus para com a multidão (v. 14). Ele renuncia inclusive ao tempo de luto pela morte do amigo-parente João Baptista (v. 13), põe em acto o Seu poder miraculoso e a partilha, para que o alimento chegue a todos, com superabundância.


Para resolver o problema da gente faminta, os discípulos pensam em duas soluções: mandá-los embora ou comprar… Jesus opõe-se a estas propostas. «Jesus não manda embora as multidões, nunca mandou embora ninguém. Os discípulos falam em comprar, Jesus falaem dar. Abreum novo modo de ser: dar sem calcular, dar sem pedir, generosamente, gratuitamente, sendo primeiros. Quando o meu pão se torna o nosso pão, o dom é semente de milagre» (Ermes Ronchi). Jesus envolve os discípulos e implica-os na solução do problema: «Dai-lhes vós de comer» (v. 16). O milagre começa a partir do pouco que os discípulos oferecem: cinco pães e dois peixes, que nas mãos de Jesus se tornam muitos; melhor, superabundam. O comprar é substituído pelo compartilhar. O sistema do comprar cria afortunados e desafortunados: há quem pode e quem não pode. Segundo o Evangelho a palavra de ordem é: partilhar!


Jesus quer que os discípulos tomem consciência e discirnam com criatividade e audácia as possíveis soluções. Sem delongas! Só na lógica da partilha é que é possível superar grandes problemas como a fome no mundo, as doenças endémicas… Sem a partilha prevalece a lógica da acumulação, pelo que até as mais ingentes multiplicações dos bens acabariam sempre nas mãos de poucas pessoas. Sem a partilha, vigora o império do egoísmo. São frequentes os apelos dos Papas à solidariedade e à partilha, em documentos, em cimeiras da FAO, do G8 e noutras circunstâncias, erguendo a voz contra o escândalo da fome e a favor dos pobres da terra, especialmente da África, continente muitas vezes negligenciado e particularmente necessitado. (*)


Sobre as areias de Villa El Salvador, na periferia a sul de Lima (Peru), na manhã de 5 de Fevereiro de 1985, o Beato João Paulo II encontrou-se com um milhão de pobres. Durante a liturgia da Palavra, foi proclamado o Evangelho da multiplicação dos pães e o Papa fez a sua exortação missionária. No final do encontro, visivelmente impressionado, fez uma vigorosa síntese da sua mensagem com estas palavras: «Hambre de Dios, SÍ. Hambre de pan, NO» (Fome de Deus, SIM. Fome de pão, NÃO). Esta síntese doutrinal deu imediatamente a volta ao mundo e ficou gravada no monumento que no local recorda aquela visita do Papa. É uma síntese que explica e apoia o trabalho missionário: um empenho sério para incrementar a fome de Deus e debelar a fome de pão.


A multiplicação dos pães tem uma referência intrínseca e tradicional à Eucaristia, entendida sobretudo como banquete do Pão que se parte e se divide por todos. Também a missão é pão repartido para a vida do mundo. Desse modo, Eucaristia, missão e partilha constituem um trinómio indivisível. A Eucaristia é o banquete dos povos: a missão convoca todas as gentes para este banquete da Vida da graça; e estimula à partilha fraterna e solidária, para que haja pão sobre a mesa para todos. Nós cristãos, que nos alimentamos com o pão da Palavra e da Eucaristia, nós que muitas vezes estamos saciados do pão sobre a mesa, somos seriamente interpelados ao empenho pela missão e desenvolvimento dos pobres. Oremos «para que o pão multiplicado pela vossa Providência seja repartido na caridade» e para que nos abramos «ao diálogo e ao serviço para com todos os homens» (Oração colecta). Para que todos tenham Vida em abundância.


Palavra do Papa


(*) «Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do «descartável», que aliás chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, «sobras».


Papa Francisco


Exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013), nº 53


No encalço dos Missionários


- 4/8: S. João Maria Vianney (1786-1859), sacerdote francês, durante 40 anos «Cura de Ars», evangelizador, confessor e catequista, promotor das missões populares; é modelo e patrono do clero paroquial.


- 4/8: B. Frederico Janssoone /1838-1916), franciscano francês, missionário na Terra Santa e depois no Canadá; organizou peregrinações e ajudas para os pobres da Palestina.


- 6/8: Festa da Transfiguração do Senhor: «Que o Vosso rosto, Senhor, brilhe diante de todos os povos». – Evocação do Servo de Deus, o Papa Paulo VI (1897-1978), falecido no entardecer deste dia.


- 6/8: B. Ana M. Rubatto (1844-1904), religiosa italiana, missionária na América Latina e fundadora; faleceu em Montevideu. É a primeira beata do Uruguai.


- 6/8: Evocação do cardeal Guilherme Massaja (1809-1889), missionário capuchinho italiano, pioneiro na evangelização dos Galla, na Alta Etiópia.


- 6 e 9/8/1945: Aniversários das terríveis explosões das bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki (Japão), respectivamente, por obra do exército norte-americano.


- 7/8: BB. Agatangelo Nourry e Cassiano Vaz López-Netto, missionários capuchinhos na Síria, Egipto e Etiópia, onde foram martirizados (Gondar, †1638).


- 8/8: S. Domingos de Gusmão (1170-1221), sacerdote espanhol, missionário itinerante e evangelizador entre os heréticos em França, fundador da Ordem dos Pregadores (os Dominicanos).


- 8/8: S. Maria E. MacKillop (Sidney †1909), religiosa e fundadora. É a primeira Santa australiana.


- 9/8: S. Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, 1891-1942), alemã de origem hebraica; convertida ao cristianismo, fez-se freira carmelita e morreu em Auschwitz (Polónia). É co-padroeira da Europa.


- 9/8: Dia Internacional dos Povos Indígenas (instituído pela ONU em 1995).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»