PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

Para um Natal partilhado e missionário

III Domingo de Advento: Ano C – 13.12.2015


 


Sofonias 3,14-17


Salmo: Isaías 12,2-6


Filipenses 4,4-7


Lucas 3,10-18


 


Reflexões


À primeira vista, estamos perante duas mensagens contrastantes: o convite insistente à alegria (I e II leitura), e o apelo exigente a uma mudança de vida, à conversão (Evangelho). O contraste é só aparente, como se pode depreender dos textos de hoje. Aliás, alegria e conversão andam juntas, porque o Senhor é a raiz das duas: a conversão ao Senhor gera alegria e fraternidade.


A linguagem de João Baptista (Evangelho) é dura, parece antiquada, inaceitável hoje: ousa fazer advertências severas às forças da ordem, aos cobradores de impostos, a todos… Chama todas as categorias de pessoas a mudar o seu modo de viver. João aparecera no deserto, nas margens do rio Jordão, «pregando um baptismo de conversão e de perdão dos pecados» (Lc 3,3). O evangelista Lucas refere, sem tirar nem pôr, a linguagem dura do Precursor, que sacode os seus ouvintes, chamando-lhes «raça de víboras»: convida-os a dar «frutos dignos da conversão», a dar bons frutos, para não acabar lançados no fogo (Lc 3,7-9). O que é esta conversão? Quais os frutos?


No domingo passado o apelo à conversão prendia-se sobretudo com o regresso a Deus (pode falar-se de uma dimensão vertical da conversão), dispondo o coração a acolher a Sua salvação. Hoje João dá indicações precisas e concretas para uma conversão que toca directamente as relações com os outros (dimensão horizontal). Lucas alude a três grupos de pessoas que, tocadas pela fúria profética do Precursor, lhe perguntam: «Que devemos fazer?» (v. 10.12.14). É uma pergunta cara a Lucas, o qual a refere noutros relatos de conversão: as multidões no Pentecostes, o carcereiro de Filipos, o próprio Paulo no caminho de Damasco (cf. Actos 2,37; 16,30; 22,10). A pergunta indica uma disponibilidade à mudança de vida: é a atitude fundamental em cada conversão e, ao mesmo tempo, é o apelo a uma outra pessoa que saiba responder em nome de Deus. Tal pessoa, habitualmente, dá pelo nome de missionário: seja ele sacerdote, leigo, religioso, professor, catequista…


Os três grupos de pessoas que vão ter com João Baptista são: as multidões (pessoas nem sempre definidas), os publicanos (cobradores de impostos, portanto os odiados colaboracionistas com o império estrangeiro), os soldados (pessoas avessas aos modos duros). São categorias muitas vezes consideradas irrecuperáveis… O Baptista não tem medo delas, acolhe-as e dá-lhes respostas atinentes e concretas, todas relativas às relações com os outros, com o próximo: a partilha das vestes e do alimento (v. 11), a justiça nas relações com os outros (v. 13), o respeito e a misericórdia para com todos (v. 14). Trata-se de relações baseadas no quinto e no sétimo mandamentos.


João vai para além da sua pregação e da sua pessoa, apontando para a intervenção qualitativa do Espírito Santo (v. 16), que será derramado como baptismo de fogo no Pentecostes (Actos 2). Então o Espírito fará novas todas as coisas, renovará sobretudo o coração das pessoas e unirá povos diferentes na única linguagem do amor. Então será possível compreender que a conversão a Cristo exige justiça e compaixão para com todos, comporta a partilha com todos os que têm necessidades. Era assim que João – modelo para os missionários de cada tempo – «anunciava ao povo a Boa Nova» (v. 18). O missionário, por fidelidade a Cristo, é chamado a anunciar esperança, solidariedade. (*)


A adesão pessoal a Cristo e o anúncio do seu Evangelho comportam sempre a alegria, como resulta dos insistentes convites de Sofonias e de Paulo (I e II leitura), e de outros textos litúrgicos. Acima de tudo, porque Deus rejubila de alegria por nós, renova-nos com o seu amor, faz festa connosco e alegra-se por nós com gritos de alegria. Por isso o profeta grita: «Não temas, não desfaleçam as tuas mãos», porque o Senhor é um salvador poderoso (v. 16-18). Paulo volta com insistência ao motivo da alegria do crente: porque o Senhor está próximo, está presente (v. 4-5). Não há motivos para se angustiar, porque podemos sempre recorrer a Ele na oração, que reforça a nossa alegria (v. 5-7).


A alegria do Natal só é verdadeira se partilhada com gestos concretos a favor dos que sofrem. Eis um exemplo actual de entre muitos outros. Numa aldeia do interior, uma família de marroquinos (muçulmanos), foi atingida por uma dupla desgraça (a morte da mãe e de uma criança). O pároco não hesitou em convidar os fiéis a uma recolha de fundos para aquela família (pai e outros filhos órfãos). É uma iniciativa concreta, imediata, eficaz, em vista de um Natal partilhado, verdadeiro, missionário. Só assim há Natal cristão! No coração dos fiéis que aderem a iniciativas deste género renasce verdadeiramente Jesus. Só assim, a fé se reforça e se difunde! Celebrar o Natal quer dizer descobrir que o verbo necessário para construir uma humanidade nova é “dar”: não há maior amor do que dar a vida…; há mais alegria em dar do que em receber… São palavras do Menino que nasce em Belém, dom do Pai, que amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu Filho… Para que o mundo tenha vida em abundância!


Palavra do Papa


(*) «O mundo contemporâneo tem necessidade sobretudo de esperança: têm necessidade de esperança os povos em vias de desenvolvimento, mas também os povos economicamente evoluídos. Cada vez mais nos apercebemos de que estamos no mesmo barco e que temos de salvar-nos juntos. Apercebemo-nos sobretudo, ao ver ruir tantas falsas seguranças, que temos necessidade de uma esperança credível, e esta só se encontra em Cristo, o qual, como diz a Carta aos Hebreus, “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (13,8). O Senhor Jesus veio no passado, vem no presente, e virá no futuro. Ele abraça todas as dimensões do tempo, porque morreu e ressuscitou, é “o Vivente” e, ao mesmo tempo que partilha a nossa precariedade humana, permanece para sempre e oferece-nos a própria estabilidade de Deus. É carne como nós e é rocha como Deus… Podemos portanto afirmar que Jesus Cristo não diz respeito só aos cristãos, ou só aos crentes, mas a todos os homens, porque Ele, que é o centro da fé, é também o fundamento da esperança. E de esperança todo o ser humano tem constantemente necessidade».


Bento XVI


Angelus do I Domingo do Avento, 29.11.2009


No encalço dos Missionários


- 14/12: S. João da Cruz (1542-1591), sacerdote carmelita espanhol, místico e doutor da Igreja, reformador da Ordem do Carmelo juntamente com S. Teresa de Ávila.


- 14/12: S. Nimatullah Youssef Kassab Al-Hardini (1808-1858), sacerdote maronita libanês, homem ascético, dedicado ao estudo e à atividade pastoral.


- 16/12: B. Filipe Siphong Onphitak (1907-1940), pai de família e catequista, protomártir da Tailândia. Quando o pároco foi expulso, ele foi escolhido como guia da sua comunidade e mais tarde foi assassinado em Mukdahan. Na Tailândia contam-se ainda outros mártires (2 religiosas – veja-se 27/12 – e 4 leigos…), além do B. Nicola Bunkerd (12/1).


- 17/12: S. João de Matha (1154-1213), sacerdote francês, fundador da Ordem dos Trinitários, para o resgate dos escravos.


- 18/12: Dia Internacional dos Trabalhadores Migrantes (ONU, 1990).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»