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Palavra de Deus

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A Igreja missionária grita hoje no deserto do mundo

II Domingo de Advento: Ano C – 6.12.2015


 


Baruc 5,1-9


Salmo 125


Filipenses 1,4-6.8-11


Lucas 3,1-6


 


Reflexões


O evangelista Lucas inicia em grande, como historiador atento que é aos factos (Evangelho): enquadra a aparição pública de João o Baptizador e de Jesus de Nazaré no contexto histórico-geográfico do tempo. Com sobriedade e precisão, cita bem sete figuras contemporâneas do acontecimento (v. 1-2). Também aqui o número sete tem um significado simbólico: indica a totalidade. Mencionando as sete pessoas e as suas funções, Lucas pretende indicar que toda a história – pagã e judaica, profana e sagrada – está implicada nos acontecimentos que está para narrar. São factos que dizem respeito a toda a família humana com as suas instituições e estruturas religiosas e civis.


O acontecimento é que «a Palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto» (v. 2), nas margens do rio Jordão, com uma mensagem de «conversão para o perdão dos pecados» (v. 3). Lucas, com os documentos na mão, pretende garantir aos seus leitores que a salvação de Deus se realiza num tempo, num lugar, com um programa bem definidos. Confirma-se aqui a intenção do evangelista, já expressa no seu prólogo: «investigar cuidadosamente», para «pôr por escrito», a fim de que o leitor «possa reconhecer a solidez da doutrina» (Lc 1,3-4). O Evangelho de Jesus é baseado em factos concretos, transmitidos por testemunhas oculares e credíveis; não há lugar para invenções humanas, ou projecções psicológicas.


A salvação de Deus realiza-se no interior da história humana, não fora dela; não se sobrepõe à história, mas insere-se nela, mesmo se a transcende. Como o sal. Com a força da semente e do fermento. Como um fermento de vida nova. É exactamente isso que Jesus fez e o que os cristãos são chamados a fazer no mundo (cf. a Carta a Diogneto). João Baptista preanuncia-o com as palavras dos profetas Isaías e Baruc (I leitura), que tomam corpo naquele preciso contexto geográfico. João prega no deserto, lugar bíblico, mais do que geográfico; lugar e tempo de fortes experiências espirituais (vocação e aliança, tentações e fidelidade…), que o povo eleito tem de reviver continuamente. João Baptista prega nas margens do Jordão: o rio que é preciso atravessar (rito do Baptismo) com uma mudança de mentalidade e de vida (conversão), para entrar na terra prometida. Percorrendo não mais caminhos escabrosos e tortuosos (símbolos bíblicos de soberba, arrogância, prepotência, injustiças…), mas um caminho de conversão interior, aplanado e endireitado (v. 4-5). Paulo oferece uma ulterior descrição da vida nova em Cristo (II leitura): repleta de caridade, de integridade moral, de empenho na difusão do Evangelho (v. 5.9).


A salvação de Deus é para todos, insiste João Baptista, citando Isaías: «Toda a criatura verá a salvação de Deus» (v. 6). Todo o homem, toda a carne, ou seja a pessoa toda na sua fraqueza e fragilidade terá a salvação de Deus. Uma salvação que Deus oferece a todas as pessoas, sem exclusões. Uma salvação que o homem não pode produzir por si mesmo, mas que lhe vem de fora: somente de Deus! O escritor russo Alexandre Soljenitsyn descreve assim a incapacidade radical do homem relativamente à sua salvação: «Se alguém está a afundar-se num pântano, não se salva puxando pelos seus cabelos». É preciso uma mão de fora: a mão de Deus; e a mão dos amigos de Deus! O tempo de Advento, tempo da expectativa da humanidade, convida-nos a pensar e a trabalhar pelos inúmeros povos que ainda não conhecem o Salvador que vem.


A mão amiga de Deus revela-se muito patente na presença materna de Maria Imaculada (8/12), tão próxima de Deus e da família humana; como também se manifesta no título de Nossa Senhora de Guadalupe (cf. calendário 12/12). Deus manifesta-se também através da mão amiga dos cristãos, mão estendida para ajudar quem quer que tenha necessidades materiais ou espirituais. Hoje, herdeira de João Baptista, é a Igreja missionária que grita no deserto do mundo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas!» (v. 4).


Anunciar Cristo é tarefa permanente dos cristãos, porque Cristo e o seu Evangelho é o tesouro mais precioso dos cristãos; um bem a partilhar com toda a família humana, como repete o Papa Bento XVI. (*). Porque esta Boa Nova não é apenas uma Palavra, mas é uma Pessoa, o próprio Cristo, ressuscitado, vivo! Ele que muda a nossa vida, conferindo-lhe o sentido pleno e verdadeiro.


Palavra do Papa


(*) «Estamos confrontados com a urgência de anunciar novamente Cristo onde quer que a luz da fé tenha enfraquecido, onde quer que o fogo de Deus seja como um fogo de brasas, que pede para ser reavivado, para que se torne chama viva que dá luz e calor a toda a casa. A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja. Refere-se, em primeiro lugar, à pastoral ordinária que deve ser mais animada pelo fogo do Espírito, para incendiar os corações dos fiéis que regularmente frequentam a Comunidade e que se reúnem no dia do Senhor para se alimentar da Palavra e do Pão da vida eterna… Os verdadeiros protagonistas da nova evangelização são os santos: os santos falam uma linguagem compreensível a todos com o exemplo da vida e com as palavras da caridade. A nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem de salvação aos homens que ainda hoje não conhecem Jesus Cristo… Há muitos lugares em África, na Ásia e na Oceania, cujos habitantes aguardam com viva expetativa, por vezes sem serem plenamente conscientes disso, o primeiro anúncio do Evangelho. Por isso é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes da pastoral e os fiéis leigos… Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos, de todos os cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos –, de anunciar a Boa Nova… A Igreja deve ter uma atenção especial para com as pessoas batizadas que no entanto não vivem as exigências do Batismo, para que encontrem novamente Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis».


Bento XVI


Homilia no encerramento do Sínodo para a nova evangelização, 28 de outubro de 2012.


No encalço dos Missionários


- 6/12: S. Nicolau (ca. 250-326), bispo de Myra, Patrono de Bari, santo popular pelos presentes natalícios; patrono das crianças, dos jovens, dos farmacêuticos, comerciantes, navegadores, pescadores, perfumistas.


- 6/12: B. Pedro Pascual (ca. 1225-1300), mercedário espanhol, bispo de Jaén, evangelizador em Espanha e Portugal; foi martirizado por muçulmanos em Granada.


- 7/12: S. Ambrósio (339-397), bispo de Milão, doutor, defensor e organizador da Igreja, professor de S. Agostinho.


- 7 e 8/12: Aniversário de importantes documentos missionários: decreto conciliar Ad Gentes (7.12.1965); Evangelii Nuntiandi de Paulo VI (8.12.1975); Redemptoris Missio de João Paulo II (7.12.1990).


- 8/12: Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, Mãe de Cristo Salvador.


- 8/12: Abertura do Jubileu da Misericórdia - Ano Santo da Misericórdia de 8 de Dezembro de 2015 a 20 de Novembro de 2016.


- 8/12: 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II.


- 8/12: S. Narcisa de Jesus Martillo Morán (1832-1869), nasceu e viveu no Equador e faleceu em Lima (Peru), leiga, da ordem terceira dominicana, dedicada à oração, à penitência e ao serviço dos necessitados.


- 9/12: S. Juan Diego Cuauhtlatoatzin (†1548), indígena do México, ao qual apareceu Nossa Senhora de Guadalupe (1531) sobre as colinas do Tepeyac.


- 10/12: Dia Mundial dos Direitos Humanos (ONU, 1948).


- 12/12: Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu sobre as colinas do Tepeyac no México (1531) ao indígena Juan Diego, com uma mensagem de esperança, nos inícios da evangelização da América: «Não temas. Não estou eu aqui que sou tua mãe?»


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»