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Palavra de Deus

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Os Santos: a energia que transforma o mundo

Solenidade de Todos os Santos – 1.11.2015


 


Apocalipse 7,2-4.9-14


Salmo 23


1João 3,1-3


Mateus 5,1-12


 


Reflexões


As mulheres e os homens que integram o calendário anual dos santos e dos beatos da Igreja são muitos, mas os que estão inscritos no Livro da Vida, o registo de Deus, são infinitamente mais. De todos eles faz memória e a eles se dirige hoje a oração suplicante da Igreja. São homens e mulheres de todas as nações, tribos, povos e línguas, idades, épocas, profissões, condição social, famosos e desconhecidos, ricos e pobres, fiéis e pecadores convertidos…, não importa quem sejam, como canta a liturgia cristã na solenidade de Todos os Santos. A universalidade é, pois, a primeira característica desta solenidade. Com razão alguns a chamam “celebração nacional da Igreja”, a qual vive e acredita na “comunhão dos santos”. Encontramo-nos como que numa imensa “catedral da santidade”, onde há acesso, lugar e regozijo para todos, como procura explicar João no livro do Apocalipse (I leitura). Ele fala de uma «multidão imensa, que ninguém podia contar» (v. 9), que celebra uma liturgia de louvor a Deus, o único a quem pertence a salvação que Ele oferece a todos (v. 10.12). Seria uma pretensão insensata limitar a salvação aos 144.000 assinalados (v. 4) ou excluir outros dessa salvação, como desejariam algumas seitas, pelas razões mais diversas. (*)


A única riqueza dos santos é ser realmente e viver como filhos de Deus (II leitura), amados pelo Pai (v. 1), todos chamados a ser semelhantes a Ele (v. 2). No caminho de progressiva semelhança com o Pai, o crente sabe que tem de fazer opções de purificação (v. 3) coerentes com a esperança que o habita. Opções coerentes até ao supremo testemunho de fidelidade na «grande tribulação», lavando «as suas vestes, branqueando-as no sangue do Cordeiro» (I leitura, 4. 14).


Mas quem tem razão? Quem acertou a vida? Muitos chamam-nos coitadinhos, ou pobrezinhos… Jesus no Evangelho chama-os bem-aventurados! Bem-aventurados os pobres, os humildes, os misericordiosos, os perseguidos, os que promovem a paz… As bem-aventuranças são, em primeiro lugar, o retrato de Jesus, descrevem as suas opções e os seus comportamentos. São o espelho de Cristo, e portanto tornam-se o programa para todo o discípulo. As bem-aventuranças são opções de radicalidade que transformam o coração das pessoas e tornam-nas instrumentos da revolução de Deus e da transformação do mundo. Uma leitura objectiva e serena da história põe em evidência as energias positivas e as forças transformadoras da sociedade postas em acção por homens e mulheres segundo o coração de Deus, como: Agostinho e Bento, Francisco e Domingos, Catarina de Sena e Teresa de Ávida, Inácio de Loyola e Francisco Xavier, Rosa de Lima e os Mártires do Uganda, Daniel Comboni e Dom Bosco, Teresa de Lisieux e Carlos de Foucauld, Teresa de Calcutá e Josefina Bakhita, Óscar Romero e Annalena Tonelli, Gandhi e os trapistas de Tibhirine… Estes, como tantos outros, são autênticos benfeitores da humanidade.


O seu testemunho de vida e de ensinamento perdura no tempo como modelo, exemplo, força de atracção para nós. Os santos e as pessoas de boa-vontade, mesmo se distantes no tempo e desconhecidos, não são múmias inertes mais ou menos inúteis, mas seres viventes e dinâmicos, que exercem um influxo positivo sobre as pessoas e sobre os acontecimentos da história. Vivem na vida de Deus e continuam a amar, a querer bem a Deus e a nós. Têm um especial poder de intercessão a nosso favor. São verdadeiros benfeitores! Tal é o extraordinário valor missionário da oração de intercessão, operado por Cristo, pelo Espírito, por Maria e pelos santos, ao alcance de toda a pessoa viva ou defunta. A oração é meio de santificação pessoal e de intercessão missionária, ao alcance de cada um.


A existência de pessoas como eles é a prova de que viver como santos, isto é, como discípulos de Jesus, é possível. Para todos. A santidade de vida não é um condomínio fechado, reservado a alguns privilegiados ou a místicos solitários… É um condomínio aberto a inquilinos sempre novos. Não é preciso um passaporte especial, em última análise nem sequer o sacramento do Baptismo. Viver como filhos de Deus é um dom que Ele oferece a quem quer que o procure de coração sincero. O missionário, homem e mulher das Bem-aventuranças, como o chama João Paulo II (RMi 91), anuncia em toda a parte, com a vida e a palavra, o plano de Deus, que enviou o seu Filho, Jesus de Nazaré, para dar a todos vida e felicidade em abundância.


A felicidade realiza-se na qualidade de uma vida gasta por Deus e ao serviço dos irmãos. A felicidade verdadeira está ligada à santidade na vida ordinária, ensina João Paulo II: «É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta “medida alta” da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos» (NMI 31).


Os santos são a parte mais sã da planta, a mais vital e robusta, o ramo mais forte, o mais ligado ao tronco. Contemplar a sua sorte final leva a reflectir sobre o depois da existência terrena, que depende e tem necessariamente reflexos no agora da vida. A melhor preparação para o depois é certamente o uso honesto e criativo dos talentos recebidos; entre estes também o dom da fé. Fé vivida com alegria e partilhada com humildade. Esta é a missão!


Palavra do papa


(*) «O mundo surge-nos como um jardim, onde o Espírito de Deus suscitou com admirável imaginação uma multidão de santos e santas, de todas as idades e condição social, de todas as línguas, povos e culturas. Cada um é diferente do outro, com a singularidade da própria personalidade humana e do próprio carisma espiritual. No entanto todos têm impressa a marca de Deus (cf. Ap 7,3), isto é, a marca do seu amor, testemunhado através da Cruz. Estão todos em júbilo, numa festa sem fim, mas, como Jesus conquistaram esta meta passando através do esforço e da provação (cf. Ap 7,14), enfrentando cada qual a sua parte de sacrifício para participar na glória da ressurreição».


Bento XVI,


Angelus, 1 de Novembro de 2008.


No encalço dos Missionários


- 1/11: “Solenidade de Todos os Santos”: eles continuam a exercer o serviço missionário da intercessão.


- 2/11: Dia de oração por todos os defuntos. – Dia dos antepassados.


- 3/11: S. Ermengaudio, Bispo de Seu d’Urgell, Catalunha (†1035), um dos grandes evangelizadores espanhóis nas terras recuperadas depois das invasões dos árabes muçulmanos.


- 3/11: S. Martinho de Porres (1579-1639), mestiço, viveu em Lima (Peru), no Convento de S. Domingos como irmão coadjutor, porteiro e enfermeiro; era homem de fervorosa oração, austeridade e caridade.


- 4/11: S. Carlos Borromeu (1538-1584), arcebispo de Milão; homem de doutrina e caridade, organizou sínodos e seminários para a formação do clero, promoveu a vida cristã através de visitas pastorais assíduas.


- 5/11: B. Guido Maria Conforti (1865-1931), bispo de Parma, animador do espírito missionário na comunidade eclesial, fundador dos Missionários Xaverianos.


- 7/11: S. Prosdocimo (séc. III), considerado fundador da comunidade cristã à volta de Pádua e seu primeiro bispo.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»