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Palavra de Deus

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A caridade é a alma da Missão

XXVIII Domingo do Tempo Comum: Ano B – 11.10.2015


 


Sabedoria 7,7-11


Salmo 89


Hebreus 4,12-13


Marcos 10,17-30


 


Reflexões


«No mundo existe o suficiente para as necessidades de todos, mas não o suficiente para avidez de cada um» (Gandhi). Palavras de um não cristão, em sintonia com o severo ensinamento de Jesus acerca do uso dos bens materiais e o perigo das riquezas. O evangelista Marcos acompanha o catecúmeno e o discípulo à descoberta progressiva da «boa nova de Jesus, Cristo, Filho de Deus» (1,1), revelando pouco a pouco a sua identidade através dos milagres e dos ensinamentos. Na secção central do seu Evangelho, Marcos insere os requisitos mais exigentes da moral cristã, que ele reagrupa à volta de três temas: as condições para seguir Jesus (renegar-se a si mesmos, tomar a cruz: 8,32-38); as exigências da vida familiar (indissolubilidade do matrimónio, amor e respeito pelas crianças: 10,2-16); o uso dos bens materiais (o perigo das riquezas, a recompensa a quem abandona os bens terrenos: 10,17-31).


Os três temas são intercalados por três anúncios da paixão e da ressurreição (8,31; 9,31; 10,32-34); e são inseridos entre dois milagres de Jesus que abre os olhos a dois cegos: o cego de Betsaida (8,22-25) e o cego de Jericó (10,46-52). São significativas as palavras que Jesus dirige a este cego: «Vai, a tua fé te salvou». O cego, curado, torna-se discípulo e segue Jesus. No Evangelho de hoje, Marcos diz que o caminho da moral cristã – e portanto, a salvação! – é «impossível aos homens, mas não a Deus!» (v. 27). Tudo é possível a Deus, o qual nos abre os olhos sobre o caminho a seguir e, com a fé, dá-nos a força de O seguir.


Cristo convida a pôr em primeiro lugar as pessoas, não os bens materiais; Ele é pelos pobres, mas contra a pobreza; não propõe a pobreza, mas a comunhão; os bens só têm sentido se são sinais e instrumentos de encontro com os outros, pela partilha. Jesus não condena de modo nenhum as riquezas, não faz o elogio da miséria e da fome, mas ensina como usar os bens: com honestidade, justiça e caridade. Ao jovem do Evangelho, que «possuía muitos bens» (v. 22) e era um fiel observante dos mandamentos (v. 20), o Mestre dirige um olhar repleto de amor (v. 21), convidando a ir além da observância da lei, a dar um salto de qualidade: isto é, a entrar na lógica da caridade e da partilha dos bens com os pobres. Deste modo se afirma a própria liberdade perante as coisas, que todavia são belas e boas, sem ficar dependentes ou prisioneiros das mesmas. Só assim a vida é vivida com gratuidade: como dom e partilha com os outros. No seguimento do Senhor descobre-se a riqueza e a alegria do Tesouro (v. 21).


O homem sábio (I leitura) descobre que a Sabedoria que vem de Deus vale mais que as riquezas, mais que a saúde e a beleza (v. 9-10). A palavra de Deus «viva, eficaz» (II leitura), que sonda o sentido das coisas e a profundidade do coração humano (v. 12), ajuda a compreender que no cristianismo a virtude principal não é a pobreza e nem sequer o abandonar tudo, mas a caridade, entendida como entrega de si mesmos e das suas coisas por um serviço de amor aos outros. Por isso a caridade é a alma da Missão: o amor impele à missão e à solidariedade. A caridade é sinal e instrumento de comunhão entre as Igrejas, no intercâmbio de dons. (*)


As palavras de Jesus ao jovem rico têm uma ressonância especial no Outubro missionário: Vai, dá aos pobres, vem e segue-me… A missão é ir, é sempre um sair de si mesmos, é exultar na descoberta do Tesouro que preenche a vida, é sentir a urgência de comunicar tal experiência, é descobrir que os outros são mais importantes do que as coisas, é partilhar bens espirituais e materiais com os mais necessitados… É esta a missão que dá sentido pleno à vida e sabor novo à família humana. Dão testemunho disso os grandes missionários, que o calendário recorda no mês de Outubro: Francisco de Assis, Daniel Comboni, João XXIII, Teresa de Ávila, os santos mártires canadianos, Laura Montoya, António Maria Claret.


Palavra do Papa


(*) «O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade das nossas Igrejas (cfr. RMi 2)... Rogo a todos os católicos para que peçam ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nesta missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição. Ao mesmo tempo, convido todos a darem um sinal crível da comunhão entre as Igrejas, com uma ajuda económica, especialmente neste período de crise que a humanidade está a viver, a fim de colocar as jovens Igrejas em condições de iluminar as pessoas com o Evangelho da caridade».


Bento XVI


Mensagem para o Dia Missionário Mundial de 2009


No encalço dos Missionários


- 4 a 25/10: XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos


- 11/10: B. João XXIII (Ângelo Giuseppe Roncalli, 1881-1963), o «papa bom», que anunciou (1959) e inaugurou o Concílio Vaticano II a 1 de outubro de 1962.


11/10: Abertura do Ano da Fé, a 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II (1962).


- 12/10: Memória de 4.966 mártires e confessores (†483) durante a perseguição dos Vândalos do rei ariano Unerico na África setentrional.


- 12/10: Festa de Nossa Senhora «Aparecida», padroeira do Brasil, imagem particularmente querida aos afro-brasileiros.


- 12/10: Recordação de Simon Kimbangu (†1951), fundador da Igreja independente kimbanguista no Congo.


- 15/10: S. Teresa de Jesus de Ávila (1515-1582), reformadora do Carmelo e fundadora de novos mosteiros; é doutora da Igreja pela sua profunda experiência mística do mistério de Deus.


- 16/10: S. Margarida Maria Alacoque (1647-1690), do mosteiro francês da Visitação em Paray-le-Monial, onde teve especiais aparições do S. Coração, do qual promoveu também a festa.


- 16/10: B. Agostinho Thevarparampil (1891-1973), sacerdote da Índia, conhecido com o nome popular de «kunjachan» (pequeno padre). Batizou mais de 5000 «dalits» (intocáveis), os últimos no sistema das castas da Índia.


- 16/10: Dia Mundial da Alimentação, organizada pela ONU-FAO (1945). Tema para 2015: «Protecção Social e Agricultura- Quebrando o ciclo da pobreza rural».


- 17/10: S. Inácio de Antioquia, bispo e mártir, condenado pelo imperador Trajano ad bestias, em Roma (†107).


- 17/10: Dia Mundial de Rejeição da Miséria.


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»