PJuvenil Multimédia Palavra de Deus Oração em Missão Antigos Alunos

» Favoritos

» Recomendar

» Imprimir

» Fale Connosco

Revista Além-mar Revista Audácia Jornal Família Comboniana Exposição Missionária Virtual Facebook RSS
Indique o seu e-mail:
Utilizador:
Password:
 

Palavra de Deus

Voltar ao arquivo de Palavra de Deus

O Espírito relança continuamente a Missão

Domingo de Pentecostes - Ano C – 15.5.2016


 


Actos 2,1-11


Salmo 103


Romanos 8,8-17


João 14,15-16.23-26


 


Reflexões


A festa hebraica de Pentecostes – sete semanas, ou 50 dias, após da Páscoa – inicialmente era a festa da ceifa do trigo (cf. Ex 23,16; 34,22). A ela se uniu, mais tarde, a recordação da promulgação da Lei no Sinai. De festa agrícola, o Pentecostes passou progressivamente a uma festa histórica: um memorial das grandes alianças de Deus com o seu povo (veja-se Noé, Abraão, Oseias, Jeremias 31,31-34, Ezequiel 36,24-27…). Para além de uma alteração no calendário, é importante notar uma nova perspectiva relativamente à Lei e ao modo de entender e viver a aliança. A Lei era um dom do qual Israel se orgulhava, mas era uma etapa transitória, insuficiente.


Era necessário progredir no caminho da interiorização da lei, caminho que atinge o cume no dom do Espírito Santo, que nos é dado, em vez da lei, como verdadeiro e definitivo princípio de vida nova. O Pentecostes cristão celebra o dom do Espírito Santo, «que é Senhor e dá a vida» (Credo). À volta da Lei, Israel construiu-se como povo. Na nova família de Deus, a coesão já não vem mais de uma ordem exterior, por muito excelente que seja, mas do interior, do coração, por força do amor que o Espírito nos dá, «porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5,5). Graças a Ele (II leitura), «somos filhos de Deus» e clamamos: «Abbá, Pai!». Somos o povo da nova aliança, chamado a viver uma vida nova, por força do Espírito que faz de nós a família de Deus, com dignidade de filhos e herdeiros (v. 14-17). A uma tal dignidade deve corresponder um estilo de vida coerente. Paulo descreve dois estilos de vida contrapostos, conforme a opção de cada um: a vida segundo a carne e a vida segundo o Espírito (v. 8-13).


O Espírito conduz as pessoas e os grupos humanos, renovando-os e transformando-os a partir de dentro. O Espírito abre os corações, purifica-os, cura-os e reconcilia-os, ajuda a ultrapassar as fronteiras, leva à comunhão. É Espírito de unidade-fé-amor, na pluralidade de carismas e de culturas, como se vê no acontecimento do Pentecostes (I leitura), no qual se conjugam muito bem a unidade e a pluralidade, ambos dons do mesmo Espírito. Povos diferentes entendem uma única linguagem comum a todos: o mapa das nações deve tornar-se mesa de convívio, casa comum para «proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus» (v. 11). S. Paulo atribui claramente ao Espírito a capacidade de tornar a Igreja una e multíplice na pluralidade de carismas, ministérios e modos de agir (cf. 1Cor 12,4-6). A Igreja tem diante de si o desafio permanente de ser católica e missionária: fazer passar a família humana de Babel a Pentecostes, de gueto a campo aberto, com a força do Espírito. (*)


O Espírito que se manifesta como vento, fogo, dom das línguas, é o Espírito da missão universal. Melhor, Ele é o protagonista da missão (cf. RM cap. III; EN 75s.), que Jesus confia aos apóstolos e aos seus sucessores: para realizar essa missão, o Espírito está sempre presente e actuante, como assegura Jesus por bem cinco vezes no longo discurso depois da Ceia (Jo 14,16-17; 14,26; 15,26; 16,7-11; 16,13-15). É o Espírito Consolador (Evangelho) que permanece connosco para sempre, que permanece em quem ama (v. 16.23); é o Mestre que ensina todas as coisas e nos faz recordar aquilo que Jesus nos disse (v. 26). No Pentecostes os apóstolos compreenderam, finalmente, as palavras de Jesus que os enviou: ide por todo o mundo, fazei de todos os povos uma só família…


Um profeta moderno da missão e da unidade dos cristãos foi certamente Atenágoras, Patriarca de Istambul, homem cheio do Espírito, como se depreende também pelas seguintes afirmações: «Sem o Espírito Santo Deus fica longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, a conduta moral uma conduta de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmos é mobilizado para a geração do Reino, Cristo ressuscitado torna-se presente, o Evangelho torna-se poder e vida, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a conduta humana é deificada».


Palavra do Papa


(*) «O Espírito Santo ensina-nos, recorda-nos e — outra sua característica — faz-nos falar com Deus e com os homens. Não existem cristãos mudos, emudecidos de alma; não, não há lugar para isto. Ele leva-nos a falar com Deus na oração. A oração é uma dádiva que nós recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que ora em nós em e que nos permite dirigir-nos a Deus chamando-lhe Pai, Aba (cf. Rm 8, 15; Gl 4, 4); e não se trata apenas de um «modo de dizer», mas da realidade: nós somos realmente filhos de Deus. «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rm 8, 14).


O Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; leva-nos a rezar e a dizer «Pai» a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia. No dia de Pentecostes, quando os discípulos «se tornaram cheios do Espírito Santo», teve lugar o baptismo da Igreja, que nasceu «em saída», «em partida», para anunciar a Boa Notícia a todos. A Mãe Igreja parte para servir. Recordemos também a outra Mãe, a nossa Mãe que partiu com prontidão para servir. A Mãe Igreja e a Mãe Maria: ambas são virgens, ambas são mães, são ambas mulheres. Jesus foi peremptório com os Apóstolos: eles não deviam afastar-se de Jerusalém antes de ter recebido do alto a força do Espírito Santo (cf. Act 1, 4.8). Sem Ele não existe a missão, e nem sequer a evangelização. Por isso, juntamente com a Igreja inteira, com a nossa Mãe Igreja católica, invoquemos: Vinde, Espírito Santo!».


Papa Francisco


Solenidade de Pentecostes, domingo 8 de Junho de 2014


No encalço dos Missionários


- 15/5: Solenidade de Pentecostes: o Espírito Santo fala as línguas de todos os povos.


- 15/5: S. Isidoro, agricultor (Madrid, cerca de 1080-1130), esposo da B. Maria dela Cabeza: foi exemplo de trabalho e de confiança na Providência.


- 15/5: Dia Internacional da Família, instituído pelas Nações Unidas em 1994.


- 16/5: B. Simão Stock (†1265), eremita inglês, entrou para a Ordem dos Carmelitas, dando impulso à devoção mariana e à consolidação da Ordem; morreu em Bordéus (França).


- 17/5: S. Pascoal Baylón (1540-1592), franciscano espanhol; pelo seu especial amor e doutrina sobre a Eucaristia, Leão XIII proclamou-o Patrono dos Congressos Eucarísticos.


- 20/5: S. Bernardino de Sena (1380-1444), sacerdote franciscano, incansável missionário itinerante e pregador popular.


- 21/5: S. Zeno (†ca. 372): de origem norte-africana, 8º bispo de Verona; combateu o paganismo, o arianismo e outras heresias, e «conduziu a cidade ao baptismo de Cristo». (Noutros lugares celebra-se a 12/4).


- 21/5: S. Carlos Eugénio de Mazenod (1782-1861), bispo de Marselha (França) e fundador dos missionários Oblatos de Maria Imaculada.


- 21/5: Memória dos 7 monges trapistas franceses, mortos (†1996) por fundamentalistas islâmicos em Tibhirine (Argélia).


Colaboração e agradecimentos


Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)


Sítio Web: «Palavra para a Missão»