Título: Wonder Women
Intérpretes: Christina Pluhar e L’Arpeggiata
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Este disco, descreve Christina Pluhar, é um conjunto de «histórias trágicas e cómicas de e sobre heroínas, santas, bruxas, feiticeiras e meras mortais». Uma forma de celebrar «as mulheres em todas as suas facetas e com todos os seus talentos». Num mês centrado nas mulheres e nas desigualdades que subsistem, a obra dos L’Arpeggiata homenageia compositoras do século xvii e de outras épocas que, muitas vezes, tinham de manter escondido ou abandonar o seu talento. Entre as «mulheres-maravilha», estão Francesca Caccini, «a mais bem paga da corte florentina na década de 161»; Barbara Strozzi, solteira e com quatro filhos ilegítimos, que sustentava com o sucesso das suas obras; ou Antonia Bembo, que foi de Veneza para Paris fugindo a um marido violento e deixando os três filhos em Itália, conseguindo em França a protecção de Luís XIV e juntando-se a uma comunidade religiosa. Na apresentação, Alessio Ruffatti escreve aliás que durante o século xvii se desenvolveu «uma actividade musical muito refinada nos conventos dos países católicos», com «milhares de mulheres organistas, cantoras e compositoras», apesar de as regras do Concílio de Trento (1545-1563) terem tentado «limitar o canto polifónico nos conventos». Além dessas autoras, destaquem-se ainda músicas tradicionais como La Bruja, nome dado no México às mulheres que se recusavam a seguir convenções sociais; La Canzone di Cecilia, a jovem enganada por um general que promete libertar-lhe o noivo e impedir a sua execução se ela aceitar os seus avanços; ou La Llorona, que parte da lenda mexicana do século xvi, sobre a jovem que se casa com um homem violento, de quem tem três filhos que ameaça tirar-lhe, além de a trair e de lhe bater; desesperada, ela mata as crianças e atira-se ao rio e, transformada em espírito do rio, inicia a procura das crianças.
Um belo disco para aproximar as duas metades da Humanidade.
Veja o vídeo de um dos temas do disco:
Título: Writings of an Ancient King
Autor e intérprete: Udjat Ensemble
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O duo Udjat inspira-se na tradição musical mediterrânica apresentando um repertório baseado em sonoridades de raízes ibéricas, orientais e judaicas, e traduzidas em «sonoridades ancestrais com uma abordagem contemporânea». Com voz (Sofia Sousa Claro), guitarra portuguesa e percussão (Hugo Claro), o duo inspira-se em vários mitos da Criação das religiões antigas. Estes Escritos de um Rei Antigo tomam um desses mitos, o de Gilgamesh, na antiga Mesopotâmia, para construir um roteiro em que se conjugam a sonoridade da guitarra que quase fala do fado, a percussão e a música de inspiração norte-africana, sefardita e berbere, e a voz que balança entre expressões árabes, balcânicas e de várias regiões mediterrânicas.
A música pode ser um roteiro de paz, uma peregrinação interior de busca da eternidade.
Veja o vídeo de um dos temas do disco, uma apresentação realizada em Sintra: