Encontro-me ainda em Manaus quando me chega um correio electrónico do padre Corrado Dalmonego, responsável da Missão Catrimani na Terra Indígena Ianomâmi. Diz estar de passagem em Boa Vista e que dentro de alguns dias voltará para a floresta. «Gostarias de vir comigo?», pergunta. Se gostaria? Há anos que mantenho relações com os Ianomâmis, mas encontrei-me sempre com eles em Boa Vista, seja na sede da sua associação Hutukara ou na filial do Bando do Brasil, mas sempre fora do seu contexto territorial.
«Claro que quero», respondo. «Para que tenhas espaço no avião renuncio a levar um saco de pão seco», explica o missionário. «Equiparou-me a um saco de pão e nem sequer fresco», penso. Está bem, se esse é o preço a pagar, pago-o. Mas não é tudo. «Nada de fotos aos Ianomâmis, por favor», acrescenta o padre Corrado. Apesar de a mania das selfies ter desvalorizado o papel das fotos, para um jornalista não poder fotografar é uma proibição pesada. Mas não discuto. «Está bem – respondo. – Aceito as tuas condições.»